"É uma frente de fogo grande." Missão portuguesa no combate às chamas em França
A força nacional é constituída por sete pessoas e duas aeronaves, que devem permanecer em França até terça-feira.
Os incêndios florestais nos arredores de Bordéus, em França, não dão tréguas e já obrigaram à retirada de cerca de 200 mil pessoas das habitações.
A grande dimensão dos fogos e as condições climatéricas, sobretudo o vento forte, têm sido o principal obstáculo para os operacionais no terreno, que vêm de vários países, incluindo Portugal.
"É uma frente de fogo grande. Com esta lógica do vento um bocadinho errático, está a fazer com que o fogo se vá partindo em diversas partes, o que faz com que a extensão seja muito maior e o esforço tanto das equipas aéreas como equipas terrestres também seja acrescido, diz Alexandre Penha, adjunto do comando nacional de operações da ANEPC, que lidera a missão portuguesa a França.
Além disso, o incêndio "encontra-se muito próximo da zona periurbana de Bordeus, o que levanta inúmeras preocupações devido ao número de habitações, devido ao perímetro urbano florestal, e tem sido dado uma prioridade à proteção dessas habitações e das pessoas. Portanto, é aí que os meios terrestres estão mais focados, ficando o combate com os meios aéreos mais na zona florestal."
O responsável sublinha que ainda há muito trabalho pela frente "e as perspectivas não são de uma resolução ainda durante o dia de amanhã (domingo)".
A missão portuguesa, que é composta por sete elementos e dois aviões de combate, chegou na sexta-feira a França e por lá deve ficar, pelo menos, até terça-feira.
"Nós partimos com uma previsão expectável de cinco dias, sendo que pode ser feito um pedido de acréscimo de missão, que depois terá que ser avaliado de acordo com a nossa situação nacional", adianta Alexandre Penha.
Autarca português acolhe familiares nos arredores de Bordéus
David Resende é presidente da câmara municipal de Camps Sur L'isle, no departamento de Gironde, uma zona um pouco mais tranquila e que tem servido como local de acolhimento.
"Eu tenho a minha família, netos e filhas, que moram lá perto de Bordéus/Marignac, e às 4h00 da manhã receberam alertas e vieram para minha casa. Esta zona é mais tranquila e estamos mobilizados para acolher pessoas que querem vir", diz o autarca de origem portuguesa.
