Ecco fecha fábrica de calçado em Portugal e deixa 632 trabalhadores no desemprego
“Durante mais de 40 anos, os trabalhadores em Portugal foram uma parte importante da família Ecco e contribuíram de forma significativa para o desenvolvimento e o sucesso da marca”, assegura o diretor-geral da Ecco Portugal.
O encerramento da unidade portuguesa da multinacional de calçado Ecco, a operar em Santa Maria da Feira, vai deixar 632 pessoas no desemprego, revelaram hoje operários à saída dessas instalações.
O encerramento da fábrica foi revelado a grande parte dos funcionários dos 22 departamentos desta unidade do distrito de Aveiro e Área Metropolitana do Porto durante uma reunião realizada esta manhã, já com a produção suspensa.
Encerramento será progressivo
O fecho, segundo os trabalhadores, será progressivo, sendo que a secção de amostras ficará a funcionar mais duas semanas e depois só alguns operários serão requisitados para agilizar procedimentos necessários ao esvaziamento integral da fábrica, o que deverá acontecer “no primeiro trimestre de 2027”, mesmo que o edifício só seja vendido depois.
A previsão é de Fernanda Moreira, presidente do Sindicato Nacional do Calçado, Malas e Afins, que disse que os trabalhadores entretanto dispensados “já ficam em casa, mas sem perda de salário", até que recebam a documentação formal para acesso ao subsídio de desemprego.
Indemnizações acima da lei
Como indemnização, cada funcionário terá depois direito a um salário por cada no de serviço, o que o sindicato reconhece como acima do previsto na lei.
Contactada pela Lusa, a administração da Ecco Portugal não revelou qual o seu volume de negócios em 2025, mas atribuiu o encerramento “total e definitivo” a uma “reestruturação mais ampla da estrutura produtiva global da Ecco”.
“Esta é uma decisão particularmente difícil para a empresa, tendo em conta a consciência do impacto que terá nos trabalhadores, nas suas famílias e na comunidade local”, afirma a administração da fábrica portuguesa em comunicado.
Reestruturação global do grupo
A reestruturação internacional também irá envolver o fecho da unidade que a Ecco tem no Vietname e está ainda a equacionar “uma redução de cerca de 400 postos de trabalho nas funções regionais e globais do Grupo, incluindo na Dinamarca”, adiantou.
O objetivo, justifica a empresa, “é adaptar a estrutura e capacidade produtivas do Grupo às necessidades atuais e previstas do negócio”.
Para o sindicalista Fernanda Moreira, a situação é “terrível” e o comportamento da Ecco demonstra que as suas chefias “não têm humanidade nenhuma" e "tratam as pessoas como números", até porque, recebida de surpresa, a notícia do encerramento é ainda mais “cruel”.
Manuel Couto é um dos funcionários que, hoje, à saída da fábrica, admitia não estar preparado para a notícia. Com 14 anos de serviço na casa, confessou: "Quando nos avisaram da reunião, estava a contar com uma redução grande de pessoal, como eles fizeram várias vezes ao longo dos anos, mas por isto não esperava".
Citado no comunicado da empresa, o diretor-geral da Ecco Portugal, Gustavo Kremer, reconhece que “este é um dia muito triste para todos” e inclui-se nesse universo.
“Durante mais de 40 anos, os trabalhadores em Portugal foram uma parte importante da família Ecco e contribuíram de forma significativa para o desenvolvimento e o sucesso da marca. Esta decisão não é um reflexo do seu trabalho nem da qualidade do que aqui se faz. Estaremos sempre gratos por esse contributo”, realçou.
Referindo que agora “a prioridade é apoiar cada um dos trabalhadores neste momento tão difícil”, Gustavo Kremer adianta que a empresa irá iniciar o processo legal de encerramento “em diálogo” com os representantes dos trabalhadores e todas as entidades competentes – inclusive a autarquia, com a qual a marca se diz disposta a “colaborar no apoio aos funcionários”.
“Em paralelo, a empresa garantirá o pagamento das compensações e o cumprimento das demais obrigações laborais, estando a avaliar outras medidas para apoiar os trabalhadores durante a transição e na procura de novas oportunidades de emprego”, acrescenta o comunicado.
