Economia digital representa 40% do valor acrescentado de Portugal em 2024
O estudo atribui à digitalização, em 2024, uma “capacidade produtiva adicional” de 36,8 mil milhões de euros, o equivalente a 14,5% do VAB.
A economia digital esteve associada a 40,4% do valor acrescentado bruto (VAB) nacional em 2024, acima dos 32,3% registados em 2019, segundo um estudo divulgado hoje pela ACEPI (Associação da Economia Digital em Portugal).
Segundo o documento, o VAB associado à economia digital passou de 60 mil milhões de euros em 2019 para 102,4 mil milhões em 2024, com uma subida 70,8%.
O estudo atribui à digitalização, em 2024, uma “capacidade produtiva adicional” de 36,8 mil milhões de euros, o equivalente a 14,5% do VAB.
A esta componente associa cerca de 1,11 milhões de pessoas, ou 21,7% do emprego, mas os autores ressalvam, no entanto, que estes números não correspondem a postos de trabalho criados pela digitalização.
O presidente da ACEPI, Alexandre Nilo Fonseca, disse à agência Lusa que “36,8 mil milhões de euros correspondem à tal capacidade produtiva adicional, ou seja, a capacidade para produzir valor adicional da transformação de atividades já existentes (…) este é um indicador particularmente relevante porque demonstra que o impacto da digitalização vai muito além do setor tecnológico".
A maior parte do impacto está fora do setor tecnológico. Em 2024, 82,8% do VAB associado ao digital resultava da utilização de tecnologias digitais pelos restantes setores da economia.
“Mas há um risco que não podemos ignorar: confundir a adoção de inteligência artificial (IA) com a transformação dos modelos de negócio. O estudo mostra que 73,4% dos respondentes que identificam benefícios da IA apontam ganhos de produtividade, enquanto apenas 9,4% referem aumentos de receitas”, acrescentou.
Segundo o documento, 73% das empresas portuguesas dizem ter ganhos de produtividade, porém apenas 9% falam em ganhos de receitas.
"Esta diferença acontece porque as empresas portuguesas puseram a IA a acelerar tarefas, mas não mudaram a forma como o trabalho é feito. Estão a fazer o mesmo, mais depressa. Um modelo pode resumir documentos sem alterar a decisão que depende deles. A produtividade da tarefa melhora e o serviço prestado fica igual", avançou à Lusa, um dos ‘partners’ da GoingNext, Gabriel Coimbra.
O estudo identificou também que em 2024, a economia digital estava associada a 40% do VAB e a 67% do emprego nacional, sendo que o emprego associado ao digital cresceu 72% entre 2019 e 2024.
“O crescimento de 72% refere-se ao emprego associado à economia digital, não ao número de novos empregos criados no país. À medida que a digitalização ganha expressão, passa a abranger tarefas e processos de trabalho que anteriormente eram realizados sem recurso ao digital. Um posto de trabalho pode continuar a existir, mas tornar-se mais digitalizado”, respondeu à Lusa Filipe Grilo, da Porto Business School.
“Por exemplo, quando uma empresa substitui um procedimento em papel por um processo digital, essa atividade passa a estar associada à digitalização, mas não significa que tenha surgido atividade económica adicional”, acrescentou.
Todavia, segundo o estudo, a IA e a IA generativa “lideram as prioridades de investimento”, escolhidas por 64,0% dos inquiridos. Apenas 25,9% dizem ter uma estratégia formal de IA, com orçamento e responsável definidos, enquanto 38,8% indicam que essa estratégia está em preparação e 32,4% que não a têm.
Os indicadores mais recentes sobre o ecossistema digital, relativos a 2025, mostram que Portugal está a perder terreno face à União Europeia (UE) na adoção de tecnologias avançadas pelas empresas.
Em 2025, 11,5% das empresas com pelo menos dez trabalhadores usavam IA, contra cerca de 20% na média da UE, e um ano antes, as percentagens eram de 8,6% e 13,5%.
A distância é maior nas empresas de menor dimensão. Em 2025, usavam IA 9% das pequenas empresas, contra 17% na UE, e 18% das médias, contra 30%.
Na computação em nuvem (‘cloud’), 34% das empresas usavam serviços intermédios ou avançados em 2025, face a 47% na UE. Em 2023, os valores eram de 32% e 39%.
Em 2025, apenas 63% das empresas portuguesas tinham ‘website’, contra 79% na média europeia.
Do lado dos consumidores, 60,5% dos portugueses entre os 16 e os 74 anos fizeram compras ‘online’ nos 12 meses anteriores, segundo os dados de 2025, abaixo dos 73,6% da UE.
Existem diferenças regionais: 69,1% na Grande Lisboa e 69,0% na Península de Setúbal, face a 54,8% no Norte e 50,8% na Madeira.
O estudo de Economia Digital em Portugal foi desenvolvido pela Associação da Economia Digital em Portugal (ACEPI) e pela GoingNext, em colaboração com a Porto Business School e foram inquiridas 140 organizações, combinando com institutos estatísticos.
