Eleições do Benfica: Rui Costa na frente mostra "poder da comunicação" mesmo "quando a bola não entra"
A jornalista Irene Palma nota que os sócios do Benfica "desculpam" o presidente do clube pelos resultados "como os pais que desculpam algumas asneiras que os filhos fazem" e sublinha que, depois de uma primeira volta com cinco candidatos que podiam representar uma mudança, os benfiquistas parecem preferir "ficar com o seu maestro".
O resultado da primeira volta das eleições no Benfica decidiu que Rui Costa, com 42,13% dos votos, e João Noronha Lopes, com 30,26%, são os dois candidatos que vão decidir, este sábado, quem lidera o clube: de um lado, um presidente que procura a reeleição, do outro um antigo vice-presidente que quer ocupar o lugar principal da direção. Mas há, no meio das contagens de votos, reunião de apoios e medição de forças, uma variável que já fez e desfez dirigentes desportivos: os resultados em campo. E aqui, Rui Costa parece ter construído alguma imunidade.
A leitura é de Irene Palma, jornalista d'A Bola desde 2018 - com quase 30 anos de carreira - que vê no recandidato à presidência encarnada um exemplo prático do "poder da comunicação" para convencer eleitores e conquistar votos, mesmo quando não se atinge resultados.
"Normalmente diz-se que quando a bola não entra, o presidente não ganha. A verdade é que a bola não tem entrado no Benfica - inclusive, ainda não venceu qualquer jogo esta temporada na Liga dos Campeões - e o Rui Costa venceu na primeira volta", nota a jornalista, sublinhando as quatro derrotas (Qarabag, Chelsea, Newcastle e Bayer Leverkusen) noutros tantos jogos das águias na liga milionária.
É, para Irene Palma, algo que "demonstra o poder da comunicação" de Rui Costa, mas também o "carinho" que os sócios têm por alguém que, além de presidente, foi jogador "ao mais alto nível", tanto no Benfica, quanto na Fiorentina e no AC Milan.
"Eles desculpam-lhe um bocadinho como os pais que desculpam algumas asneiras que os filhos fazem. Até desculpam algumas falhas que o mandato do Rui Costa teve durante estes quatro anos, nomeadamente o facto de só ter sido campeão uma vez", perdendo dois campeonatos para o Sporting e um para o FC Porto.
É esta junção de fatores que leva Irene Palma a destacar "o poder da comunicação" nestas eleições do Benfica: "Ficou patente que um bom comunicador como o Rui Costa, alguém com carisma como o Rui Costa, consegue vencer Noronha Lopes, apesar de ter outras ideias e de muitos benfiquistas reclamarem mudança. Por isso mesmo é que existiram seis candidatos na primeira volta. Cinco deles representavam mudança. Os benfiquistas querem mudar, mas preferem ficar com o seu maestro. Portanto, eu acho que todos nós deveríamos refletir um pouco sobre o poder da comunicação e da empatia que o Rui Costa tem com os benfiquistas."
É também por esta ordem de ideias que a jornalista não espera surpresas nesta segunda volta, até porque entende que o que surpreendeu os sócios benfiquistas foi "sem sombra de dúvida os resultados da primeira volta".
"As projeções davam todas uma vitória de João Noronha Lopes e depois os resultados mostraram o oposto, mostraram a confiança dos benfiquistas em Rui Costa. Por isso mesmo, considero que nesta segunda volta não é expectável uma surpresa. Tudo aponta que seja Rui Costa o vencedor das eleições do Benfica e seja ele o 35.º presidente do clube da Luz", considera.
Já quanto à duração do mandato - ou até mesmo à conclusão dele -, as dúvidas são maiores porque "os novos estatutos vão colocar sob uma pressão extrema o presidente da direção do Benfica" ao permitir que, "se for chumbado um relatório e contas", a direção possa cair numa assembleia-geral. "Dificilmente este mandato será de quatro anos."
Máximo de 30 minutos de espera
Os sócios do Benfica votam este sábado na segunda volta das eleições e o clube prometeu esta sexta-feira 30 minutos de tempo máximo de espera e informação permanente sobre os locais para votar de forma mais célere.
Em 25 de outubro, na primeira volta do sufrágio, que contou com seis candidatos, deslocaram-se 86.297 sócios aos 107 locais de voto espalhados pelo continente, regiões autónomas e em vários pontos do mundo [108 secções, com duas na Luz], batendo o anterior recorde dos espanhóis do FC Barcelona, em 2010, quando 57.088 pessoas votaram na eleição.
Desta feita, o clube encarnado pretende voltar a superar esse número e atingir os 100 mil votantes, sendo que, de acordo com a Mesa da Assembleia Geral (MAG), estão habilitados a votar na segunda volta das eleições um total de 160.508 associados.
O atual presidente, Rui Costa, e João Noronha Lopes vão disputar a segunda volta do sufrágio para o quadriénio 2025-2029, após na primeira volta Rui Costa ter tido 42,13% dos votos, contra 30,26% do gestor, sem que nenhum obtivesse a maioria.
Luís Filipe Vieira (13,86%), anterior presidente, João Diogo Manteigas (11,48%), Martim Mayer (2,10%) e Cristóvão Carvalho (0,18%) eram os restantes candidatos à liderança que não alcançaram a segunda volta, onde, além da corrida à direção, as listas de Rui Costa e Noronha Lopes discutem ainda os outros órgãos sociais, a Mesa da Assembleia Geral e o Conselho Fiscal, e a Comissão de Remunerações.

