Em 25 anos, a criminalidade desceu, mas há mais notícias sobre crimes nas capas de jornais
João Vieira Borges, autor do estudo, identifica um desalinhamento preocupante entre a realidade criminal e a perceção de insegurança.
Entre 2000 e 2024, a criminalidade participada em Portugal desceu 1,3%, mas as menções a crimes nas capas dos principais jornais aumentaram 130%
Os dados são revelado no mais recente estudo do Observatório de Segurança e Defesa da SEDES, que identifica um desalinhamento preocupante entre a realidade criminal e a perceção de insegurança dos cidadãos.
O autor do estudo, João Vieira Borges, sublinha que "o aumento da exposição mediática, a persistência das notícias sobre crimes e a instrumentalização política de alguns casos contribuem para reforçar o sentimento de insegurança".
João Vieira Borges recomenda a realização dos Inquéritos de Vitimização, que já são feitos noutros países. O coordenador do estudo diz que tem "a ver com aquilo que entendemos que é fundamental hoje, que é a realização periódica de inquéritos de vitimização. Ou seja, só estes inquéritos, que são feitos anualmente em alguns países, e que nós não fazemos, e que permitem uma melhor quantificação quer dos fenómenos criminais, quer das incivilidades, que normalmente não se trabalham. E depois é criar estratégias de comunicação, quer as forças e serviços de segurança, quer as magistraturas".
O relatório recomenda ainda a normalização estatística no RASI, comunicação clara por parte das autoridades e maior articulação entre polícias e Justiça.
Para a SEDES, os comportamentos contrários às normas sociais, mas não criminalizados, também influenciam o sentimento de insegurança. O estudo critica ainda a inconsistência dos dados nos Relatórios Anuais de Segurança Interna, apontando dificuldades de comparação e ruído informativo.
