Empresas portuguesas na Arábia Saudita deverão ultrapassar 60 este ano

Alwalid Albaltan referiu que tanto Riad como Lisboa têm interesse em investir em ambos os países.

O presidente do Conselho Empresarial Arábia Saudita–Portugal, Alwalid Albaltan, disse à Lusa estimar que o número de empresas licenciadas para operar no mercado saudita ultrapasse as 60 até final do ano.

Além de membros do Conselho Empresarial Arábia Saudita-Portugal (que representa atualmente mais de 70 membros do setor privado saudita), a comitiva saudita que está a visitar Portugal conta também com a presença do secretário-geral da Federação das Câmaras Sauditas.

"As relações entre a Arábia Saudita e Portugal têm-se tornado mais diversificadas. E o Conselho Empresarial Arábia Saudita–Portugal (Saudi Portuguese Business Council – SPBC) está comprometido em transformar o interesse saudita em Portugal em investimento concreto", salientou Alwalid Albaltan.

"Temos vindo a desenvolver cooperação em áreas como tecnologia e inovação, indústria, energia, turismo, saúde, logística, imobiliário e construção, empreendedorismo e investimento" e "nesta missão em concreto, existe um foco muito específico na saúde – sem descurar estes outros setores prioritários", prosseguiu o responsável.

Mas "há também uma dimensão importante que é a aproximação entre os próprios ecossistemas empresariais", acrescentou, salientando que "nos últimos 14 meses, 52 empresas e organizações portuguesas visitaram a Arábia Saudita através de delegações oficiais ou da participação em feiras e conferências, em áreas muito diferentes".

Até ao final do ano, "o SPBC estima que o número de empresas portuguesas licenciadas para operar na Arábia Saudita ultrapasse as 60", disse Alwalid Albaltan.

Além disso, "temos procurado também cooperação a nível local. Um exemplo concreto é a parceria entre a Eastern Province Municipality e Vila Nova de Gaia, que contempla a atração de investidores para projetos urbanos e de infraestruturas, intercâmbio de conhecimento e apoio a modelos de parceria público-privada", exemplificou.

O turismo é outra das áreas: "Temos trabalhado oportunidades de investimento, hotelaria e, nesta visita, teremos também uma reunião com o responsável governamental português pelo Turismo, Comércio e Serviços e com o presidente do Turismo de Portugal".

Alwalid Albaltan referiu que tanto Riad como Lisboa têm interesse em investir em ambos os países.

"Do lado saudita, temos vindo a identificar oportunidades concretas de investimento em Portugal. Como já tive oportunidade de dizer, vejo Portugal como um diamante na Europa que ainda não foi suficientemente descoberto pelo investimento do Médio Oriente", enfatizou.

O presidente do SPBC salientou o interesse em áreas como imobiliário, inteligência artificial (IA), construção, turismo e energias renováveis.

"O objetivo do SPBC é transformar o interesse saudita em investimento concreto, temos trabalhado diretamente com entidades, empresas e municípios portugueses nesse sentido", disse.

Do lado português, "a dinâmica é igualmente clara: 52 empresas e organizações portuguesas visitaram o Reino nos últimos 14 meses e há empresas que estão já a avançar com a sua presença na Arábia Saudita", indicou, dando o exemplo da Tecnimede, com quem voltou a reunir-se agora "e cujo plano estratégico prevê estabelecer operações diretas na Arábia Saudita até 2028".

Aliás, "o papel do Conselho é precisamente fazer com que este interesse se transforme cada vez mais em investimento e projetos concretos nos dois mercados", disse.

O reforço na área da saúde diz respeito, "sobretudo de saúde digital, inteligência artificial clínica, sistemas de informação e gestão hospitalar, mas também de indústria farmacêutica, investigação biomédica e prestação de cuidados".

A transformação que está a acontecer na Arábia Saudita "exige parceiros internacionais com tecnologia validada e capacidade de execução" e "encontrámos em Portugal um ecossistema com competências particularmente interessantes nestas áreas, incluindo empresas com experiência internacional e soluções já testadas noutros mercados", apontou.

Nesta visita, "estamos a conhecer exemplos muito concretos: desde inteligência artificial aplicada ao diagnóstico digestivo da DigestAid, passando por sistemas de informação e gestão hospitalar desenvolvidos pela Ciberbit e a ITGest, até à indústria farmacêutica, hospitais privados, biotecnologia e nanotecnologia".