Enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar a lembrar-se dele! Morreu Jorge Palma

A notícia foi avançada pela família através de uma nota publicada nas redes sociais.

O músico Jorge Palma morreu na noite de segunda-feira, aos 76 anos, vítima de uma paragem cardiorrespiratória, informou a família através de um comunicado publicado nas redes sociais do cantor. "Com uma carreira de 54 anos dedicada à música portuguesa, Jorge Palma deixa uma obra assinalável que faz parte da nossa história", pode ler-se na nota publicada.

Durante o ano de 2025, o músico cancelou vários espetáculos por questões de saúde.

Um génio, genuíno e rebelde

Nasceu em Lisboa a 4 de junho de 1950. E por Lisboa ficou. Jorge Manuel de Abreu Palma músico, cantor e compositor português, pai de dois rapazes, Vicente e Francisco.

Foi e será sempre um caso raro em Portugal. Admirado pelos colegas e amado pelo público, Jorge Palma era um génio, demasiado genuíno e rebelde.

Primeiros passos na música

Iniciou os seus estudos musicais em 1956, em piano. Fez a primeira audição no Conservatório de Lisboa com apenas 8 anos.

Durante a adolescência começou a interessar-se pelo rock’n’roll, e de um modo geral pela música popular americana e inglesa. Em 1969 fez parte dos "Sindikato", grupo de hard-rock, ao mesmo tempo que estudava na Faculdade de Ciências de Lisboa. O grupo acaba por participar na 1.ª edição do Festival de Vilar de Mouros, em 1971.

A estreia a solo, deu-se em 1972 com "The Nine Billion Names of God" e seu primeiro single em português foi editado em 1973, intitulado "A Última Canção", na sequência de um trabalho de aprendizagem com o escritor José Carlos Ary dos Santos.

Durante os anos 70 e o princípio da década de 80 o seu percurso artístico dividiu-se entre as suas primeiras edições em Portugal e as ruas e metro de cidades europeias como Paris e Copenhaga, onde cantava e tocava guitarra para o público (a solicitação para o cumprimento do serviço militar forçou a sua saída de Portugal para a Dinamarca. Após a revolução de 25 de abril de 1974 regressou ao nosso país).

Terminou o Curso Superior de Piano em 1990 e no ano seguinte editou o emblemático álbum “Só”. Na mesma década formou o “Palma’s Gang” e integrou projectos como os “Rio Grande” ou os “Cabeças no Ar”. 

Ao longo da carreira lançou vários discos de originais, compôs êxitos e somou discos de ouro, tendo atingido a marca da dupla platina com “Voo Nocturno”.

Em 2002 venceu o prémio José Afonso e nos anos de 2008 e também 2012 foi o vencedor do Globo de Ouro na categoria de melhor intérprete individual.

O álbum “Com Todo o Respeito” foi ainda galardoado pela Sociedade Portuguesa de Autores com o prémio Pedro Osório.

No projeto “Juntos” partilhou o palco com Sérgio Godinho e assinalou as edições de discos históricos como “Bairro do Amor” e “Só”, tendo este último resultado na edição de “SÓ ao vivo” em 2017.

Em 2020 celebrou “70 Voltas ao Sol” no Castelo São Jorge, num espetáculo com uma orquestra de câmara dirigida pelo maestro Cesário Costa e com arranjos dos compositores Filipe Melo e Filipe Raposo.

Foi ainda agraciado com a Medalha de Mérito Cultural da Cidade de Lisboa e com a Ordem do Infante Dom Henrique.

A sua obra contém canções amplamente transversais com temas como “Frágil”, “Deixa-me Rir”, “Dá-me Lume” ou “Encosta-te a mim”, que se tornaram hinos intemporais.

Em 2022, a Radio Comercial fez a Jorge Palma uma homenagem pelos 50 Anos de Carreira. 

"A Gente Vai Continuar", uma letra de "esperança, de inconformismo, que apela à coragem de seguir em frente, sobretudo em tempos de incerteza, dúvida e dificuldade. Nunca esquecendo que a liberdade é uma maluca, que sabe quanto vale um beijo e de como isso é, muitas vezes, decisivo e pode fazer a diferença. Enquanto houver estrada para andar…nunca nos vamos esquecer de Jorge Palma, que tem e terá sempre a simplicidade e a generosidade dos grandes.

Obrigado por tanto!