Epidemia de Ébola no Congo pode durar um ano. Pico ainda não foi atingido
Segundo a OMS, foram registados até agora 808 casos, incluindo 192 mortes.
A epidemia do vírus Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo) pode durar um ano e o seu pico ainda não foi atingido, disse hoje um representante da Cruz Vermelha.
"Tememos que esta epidemia dure ainda um ano antes de terminar", declarou Bruno Michon, diretor das operações da Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV), durante uma conferência de imprensa.
Como outras organizações já tinham destacado, Michon explicou que há uma "grave falta de capacidades de diagnóstico", o que torna "muito difícil saber exatamente até que ponto a epidemia se está a espalhar".
"Acredito que o pico não está atrás de nós, mas à nossa frente", disse.
A RDCongo declarou em 15 de maio um surto de Ébola, o 17.ª neste país africano com mais de 100 milhões de habitantes, e que foi depois declarado epidemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que lançou o alerta de saúde internacional dois dias depois.
Não existe nem vacina nem tratamento aprovado contra a rara estirpe Bundibugyo, que está na origem da epidemia.
Segundo a OMS, que usa os números das autoridades da RDCongo, foram registados até agora 808 casos, incluindo 192 mortes, o que corresponde a uma taxa de letalidade de 24%.
Mas os números oficiais "provavelmente só refletem uma parte da realidade", afirmou na segunda-feira a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF).
"Para travar a epidemia, é preciso investir não só na resposta sanitária, mas também na confiança das populações, nos voluntários locais, no envolvimento das comunidades e no acesso operacional ao terreno", explicou Michon.
O diretor das operações da ONG também explicou que, nos últimos dias, os voluntários da Cruz Vermelha da RDCongo foram alvo de insultos, ameaças e até agressões físicas no exercício das suas funções.
O vírus Ébola transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragia interna.
