Espaço 1999 para os Ornatos no Marés Vivas
Um quarteto de cordas e convidados como Ana Deus (dos Três Tristes Tigres), Samuel Úria e Filipe Pinto deram um cunho especial ao concerto.
Tal como esperado, os Ornatos Violeta tocaram na íntegra o seu álbum mais reconhecido, “O Monstro Precisa De Amigos”, sem seguirem a ordem do disco, permitindo uma maior imprevisibilidade aos fãs. O espetáculo seguiu um alinhamento similar ao recente concerto no Rock In Rio, em Lisboa, mas não exatamente igual.
Para que a celebração dos 25 anos de “O Monstro Precisa De Amigos” não fosse um mero revivalismo numa zona de conforto, o aparecimento de convidados foi importante para imprimir uma outra energia às canções de 1999. Manel Cruz, já de tronco nu, considerou como um "momento solene" a vinda de Samuel Úria para cantar a meias ‘Deixa Morrer’. Para o dueto seguinte, o vocalista carismático dos Ornatos chamou “uma referência incontornável da música portuguesa”, Ana Deus (dos Três Tristes Tigres), para fazer de Victor Espadinha em ‘Ouvi Dizer’, música que já tinha sido cantada duas horas antes por Diana Castro no palco Moche. Depois, veio Filipe Pinto, que em 2010 tinha cantado ‘Ouvi Dizer’ no programa de TV “Ídolos”. Agora estava visivelmente emocionado e com outra missão: a de cantar com Manel Cruz o indie rock pesadão de 'O.M.E.M.', quase a ameaçar uma queda de para-quedas no reino do metal. No final do dueto, dá-se outro abraço sentido entre Manel e Filipe.
Mas um dos contributos mais diferenciadores foi a intervenção do quarteto de cordas da Casa da Música, que acrescenta mais uma camada às músicas da banda portuense, aveludando canções como ‘Notícias do Fundo’ e até influenciando a melodia de ‘Nuvem’. Nem mesmo no agitador que é o tema 'Chaga', o quarteto de cordas deixa de se notar, aproveitando um espaço aberto e desacelerado para mostrar as suas virtudes.
No centro das canções, estão evidentemente os Ornatos Violeta, o quarteto efetivo e quinteto ao vivo (com Miguel Ferreira nas teclas). Quando tocam ‘Fim da Canção’, há já uma sensação de fade out, com Manel Cruz a cantar sentado na berma do palco
Num momento especial, Manel Cruz pede uma salva de palmas para “uma pessoa para sempre nos nossos corações, Elisio Donas”, o teclista fundador dos Ornatos que faleceu no ano passado.
‘Capitão Romance’ convoca para a algazarra os cantores convidados Filipe Pinto, Ana Deus e Samuel Úria, a substituírem o fantasma de Gordon Gano, dos Violent Femmes, com Peixe empenhado no mandolim.
No encore, os Ornatos Violeta, já sem o quarteto de cordas, saem para fora do álbum “O Monstro Precisa de Amigos”, para interpretarem ‘Devagar’ e a sova rock de 'Pára-me Agora'.
Antes, entre as 18h30 e as 19h30, foi António Zambujo o ocupante do palco principal do festival Marés Vivas. Com o obstáculo de atuar contra o sol forte que ainda pairava acima do arvoredo, o cantor bejense contou com uma banda, que muitas vezes foi um sexteto de jazz com uma guitarra portuguesa lá no meio, como no tema muito swingado 'Readers Digest'.
O cante de Zambujo parece cada vez mais falado, num torpedo de palavras que quase compete com ‘Subterranean Homesick Blues’ de Bob Dylan. O cantor foi também mostrando longos fôlegos nas conclusões das suas interpretações, mas no popular ‘Pica do 7’ esse fôlego final extravasou todas as expetativas, tendo merecido uma enorme ovação.
Fotos do concerto de Louis Tomlinson.








































