Estados Unidos continuam os ataques ao Irão
Objetivo é pressionar país do Médio Oriente a aliviar o bloqueio do estreito de Ormuz.
Os Estados Unidos intensificaram esta sexta-feira a campanha aérea contra o Irão, atingindo pontes e um porto estratégico iraniano, numa escalada que visa pressionar Teerão a aliviar o bloqueio ao estreito de Ormuz.
Segundo a televisão estatal iraniana, os ataques em Bandar Khamir, na província de Hormozgan, causaram pelo menos sete mortos.
As pontes rodoviárias e ferroviárias visadas parecem ter como objetivo cortar o acesso a Bandar Abbas, principal porto iraniano, dificultando o transporte de material militar e bens essenciais para os cerca de 90 milhões de habitantes do país, escreveu a agência de notícias Associated Press (AP).
O Comando Central norte-americano (Centcom) confirmou que os bombardeamentos, concluídos esta madrugada, atingiram dezenas de alvos militares, incluindo uma torre de vigilância no porto de Chabahar, no golfo de Omã, considerado vital para o comércio do vizinho Afeganistão.
O secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, divulgou imagens do colapso da estrutura, reforçando a mensagem de controlo norte-americano sobre o estreito.
A ofensiva ocorre após o colapso do cessar-fogo acordado no mês passado, com dias de ataques sucessivos entre Washington e Teerão. Autoridades iranianas afirmam que as operações norte-americanas já provocaram dezenas de mortos e centenas de feridos, com novas baixas registadas hoje.
Em resposta, o Irão lançou mísseis contra países aliados dos EUA na região, incluindo o Qatar – um dos mediadores nas negociações de paz –, onde explosões foram ouvidas e os destroços feriram uma criança.
Também o Bahrein, o Kuwait e a Jordânia reportaram ataques ou interceções de projéteis iranianos. Explosões foram ainda registadas em Erbil e Suleimânia, no Curdistão iraquiano.
O Presidente norte-americano voltou a ameaçar atingir centrais elétricas e pontes iranianas, insistindo hoje, num discurso à nação, a partir da Casa Branca, que “a guerra está a correr bem” e que os resultados serão visíveis “muito em breve”.
O bloqueio naval imposto pelos EUA sobre portos iranianos já reduziu em quase um quarto o tráfego de mercadorias através do estreito de Ormuz no início do mês, de acordo com dados da Lloyd’s List Intelligence. Algumas transportadoras desligaram os sistemas de localização para atravessar a zona, enquanto outras optaram por suspender operações.
O Centcom revelou ainda que três navios comerciais foram redirecionados, um foi desativado por não cumprir ordens e outro foi abordado para garantir “plena conformidade” com o bloqueio.
Desencadeado em 28 de fevereiro por bombardeamentos israelitas e norte-americanos, o conflito já matou milhares de pessoas, principalmente no Irão e no Líbano, e continua a desestabilizar a economia global.
O Paquistão, que é outro dos mediadores das negociações, instou ambas as partes na quinta-feira a "pôr fim à violência e retomar as discussões" no âmbito do memorando de entendimento assinado em meados de junho, que entretanto colapsou.
Islamabade apelou ainda ao "regresso à normalidade no estreito de Ormuz", que foi novamente bloqueado pelo Irão no passado fim de semana.
Em resposta, os Estados Unidos restabeleceram o bloqueio aos portos iranianos na noite de terça-feira.
No estreito por onde passava um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo antes da guerra, o tráfego diminuiu.
Os preços do petróleo mantêm-se relativamente estáveis apesar da situação, com o barril de petróleo Brent a rondar os 85 dólares.
