Estados Unidos restabelecem bloqueio a portos iranianos

Decisão anunciada pelo Comando Central dos EUA.

As forças armadas dos Estados Unidos restabeleceram esta quarta-feira o bloqueio aos portos iranianos devido a ataques de Teerão contra navios que tentavam atravessar o estreito de Ormuz.

O Comando Central dos EUA anunciou ter realizado uma nova vaga de ataques a várias áreas no Irão na terça-feira antes de restabelecer o bloqueio durante a madrugada, com sirenes de alerta de mísseis a soar no Bahrein e no Kuwait perante ataques iranianos, uma ocorrência diária que pressiona ainda mais o cessar-fogo.

Poucas horas depois, os media estatais iranianos relataram trocas de tiros no estreito, com o almirante norte-americano Brad Cooper, chefe do Comando Central, a afirmar que o Irão lançou dezenas de mísseis e drones contra países árabes vizinhos.

“Os EUA estão a responsabilizar o Irão por agressões injustificadas que continuam a pôr em risco vidas inocentes”, disse Cooper.

Há pelo menos 19 navios de guerra norte-americanos no mar Arábico, incluindo dois porta-aviões e um navio de assalto anfíbio com mais de mil fuzileiros a bordo. O Comando Central referiu ainda que “centenas de aeronaves militares operam em todo o Médio Oriente”.

Dias de ataques retaliatórios no Médio Oriente por parte do Irão e a disputa entre ambos os países pelo controlo do estreito de Ormuz ameaçam empurrar a região de novo para uma guerra em larga escala.

Os EUA tinham imposto um bloqueio do estreito em meados de abril, levantando-o em junho, um dia após a assinatura do acordo provisório que previa 60 dias de negociações sobre questões como o programa nuclear iraniano. As conversações, porém, estagnaram com o agravamento dos combates pelo estreito.

Ao anunciar o regresso do bloqueio na segunda-feira, o Presidente Donald Trump disse que iria impor uma taxa de 20% aos navios que atravessassem o estreito, mas abandonou a ideia horas depois, alegando pedidos de aliados do Golfo Pérsico.

Trump declarou depois ter sido contactado por “reis e emires” da região, que propuseram investir “milhares de milhões de dólares” nos EUA em vez de pagar taxas de passagem.

“Prefiro esse arranjo a cobrar portagens, porque não acho que alguém deva poder cobrar uma taxa pelo estreito”, disse.

O plano de cobrar taxas teria representado uma mudança na política norte-americana e uma rutura com a promessa de manter o estreito aberto sem portagens.

Trump disse ainda à emissora Fox News que novos ataques contra o Irão ocorreriam nos próximos dias, podendo atingir pontes e centrais elétricas já na próxima semana, caso não retomem as negociações.

O acordo provisório previa passagem gratuita pelo estreito durante 60 dias, mas deixou em aberto o futuro, com Teerão a afirmar ter direito a gerir o tráfego e cobrar taxas, posição contestada por Washington.

O preço do barril de Brent chegou a ultrapassar os 87 dólares (cerca de 74 euros) terça-feira, ainda abaixo dos quase 120 dólares (102 euros) registados no auge da guerra, mas caiu para 78 dólares (66 euros) após o anúncio de Trump.

Mediadores regionais, liderados pelo Paquistão, continuam a tentar reativar o cessar-fogo, com delegações do Líbano e de Israel a reunir-se terça-feira em Roma, enquanto prosseguem negociações mediadas pelos EUA.

Após o início da guerra, o Hezbollah juntou-se ao conflito em apoio ao Irão, atacando Israel, que respondeu com uma invasão terrestre ao sul do Líbano.

No mês passado, Líbano e Israel anunciaram um “acordo-quadro” para a retirada das forças israelitas em troca do desarmamento do Hezbollah, mas a implementação está bloqueada.