Estreia-se hoje filme sobre Whitney Houston

"I Wanna Dance with Somebody" mostra a cantora atrás da cortina.

"I Wanna Dance with Somebody" é o nome de um dos maiores êxitos de Whitney Houston, que dá o título ao filme sobre a vida da cantora, que está em exibição desde esta quinta-feira nas salas de cinema.

O biopic destapa algumas verdades que o grande público da cantora talvez não soubesse. São quase duas horas e meia de uma vida bem escalpelada. Eis algumas curiosidades que o filme realizado por Kasi Lemmons revela sobre a artista, conhecida como a grande voz da sua geração.  

A atriz inglesa Naomi Ackie encarna a artista norte-americana, com uma extraordinária interpretação que faz esquecer as menores parecenças físicas entre ambas.

Nippy
O grande público sempre a conheceu como Whitney Houston. A partir deste filme, o público vai passar a conhecê-la como Nippy, a mulher por trás da cantora. Ouve-se tantas ou mais vezes Nippy ou Nip do que Whitney ao longo do filme.

A mãe
Cissy Houston é retratada no filme como a grande mestre musical de Whitney Houston. Com um longo passado enquanto cantora de gospel e de soul, acredita tanto no talento da filha que se torna extremamente exigente com ela, no rigor em sentir as melodias e as letras que canta. É Cissy Houston que comanda a jovem promissora Whitney no coro gospel da igreja batista de Newark. Na primeira aparição televisiva, The Merv Griffin Show, em 1983, é a mãe que toma as rédeas como maestrina atrás da cortina, insatisfeita com o arrastamento do acompanhamento ao piano. Cissy Houston é interpretada pela atriz de 63 anos Tamara Tunie.

Robyn Crawford
O filme põe a nu e sem constragimentos a longa relação amorosa entre Whitney Houston e Robyn Crawford, iniciada antes da carreira da cantora descolar. Robyn Crawford torna-se na assistente pessoal de Whitney Houston durante o seu percurso musical. É com ela que festeja a primeira vez que ouve na rádio um tema seu. Mas perante a pressão do sucesso de "princesa da América", a cantora vê-se obrigada a moderar a relação íntima com Robyn Crawford, que, com dificuldade, vai aceitado o novo cenário de Whitney Houston enquanto uma normal heterossexual. Mas Robyn Crawford nunca deixa de ser leal à sua grande amiga, tentando chamá-la à razão durante o período de comportamentos mais erráticos de Houston a partir de meados dos anos 90. Nafessa Williams assume o papel pouco secundário de Robyn Crawford.

Clive Davis
O editor e patrão da major Arista, Clive Davis, é uma presença quase permanente em todo o biopic. O empresário apostou todas as fichas em Whitney, assim que a foi ver num clube nova-iorquino. Celebrou celeramente um contrato discográfico com a jovem cantora e ofereceu-lhe todo um mundo. Levou-a ao seu primeiro programa televisivo quando ninguém conhecida Houston. Deu-lhe a ouvir canções que poderia interpretar e foi contratando vários compositores ao seu serviço. Teve a disponilidade permanente de um "pai" musical. O seu gabinete era quase uma segunda casa para Nippy, que chegava a ter o à-vontade de se sentar no cadeirão do executivo da Arista. Clive Davis festejou com ela (e com copos de Dom Pérignon) os nº1 da Billboard e os recordes dos Beatles que foi batendo. A sua generosidade foi sempre em consonância com o sucesso a alta escala da sua menina prodígio. Quando finalmente conseguiu um papel cinematográgico para Whitney, num filme em que contracena com Kevin Costner, em "The Bodyguard", Clive Davis achou que para a cantora se engrandecer nesse filme era necessário uma canção. 'I Will Always Love You', interpretado em tempos por Dolly Parton, foi o tema escolhido e o tiro certeiro. Clive Davis é interpretado por Stanley Tucci. Não se perde o carisma do empresário, nem, muito menos, as parecenças físicas.  

O pai
Conservador e com uma intransigência assente na Bíblia, John Houston assume a gestão das contas da filha Whitney. O despesismo e o execesso de autoridade levam-no a conflitos, que se tornam judiciais, com a filha. No filme, é mais vilão que bom. É o ator anglo-americano Clarke Peters (de 70 anos) que encarna o pai de Whitney Houston. 

Bobby Brown
Contra a intuição da sua companheira e assistente Robyn Crawford, Whitney Houston deixa-se atrair pelo lado rufia do dançarino e cantor Bobby Brown, com quem se casa e tem uma filha. A infidelidade do marido, a permanente tensão entre ambos (sempre à beira da violência) e a má influência no consumo de drogas levam à derrapagem da cantora. Mas o filme deixa bem claro que os problemas de toxicodependência de Houston eram anteriores ao namoro com Bobby Brown, interpretado em 'I Wanna Dance with Somebody' pelo norte-americano Ashton Sanders.
 
Super Bowl em 1991
Moldável perante os conselhos da sua rede pessoal, há um grande momento de exceção quando Whitney Houston, aproveitando a oportunidade mediática de cantar o hino oficial dos Estados Unidos no Super Bowl (a grande final da liga de futebol americano), toma ela várias decisões de forma isolada. Impõe um tempo diferente aos músicos na interpretação mais emocional de 'Star Spangled Banner', e recusa ir de vestido, envergando um fato de treino e um lenço com nó, como uma americana normal. O filme retrata muito bem todo esse acontecimento, da sua preparação tensa à gloriosa exposição no lotadíssimo Tampa Stadium, para milhões de pessoas verem em todo o mundo.

Banda sonora, um best of muito completo
Ver o filme de Whitney Houstom é também ouvir os seus grandes êxitos, um a um. Claro que não falha o festivo tema-título 'I Wanna Dance with Somebody', 'How Will I Know' ou a canção do filme "The Bodyguard", 'I Will Always Love You'. As músicas respiram e não são abreviadas apressadamente, o que faz deste biopic praticamente um musical. O exigente medley de 'I Loves You, Porgy' / 'And I Am Telling You I'm Not Going' / 'I Have Nothing', que Whitney Houston acabou por interpretar, é um momento particularmente tocante do filme que faz parte da banda sonora.