Euro... recordação: as canções da Eurovisão que ainda sabemos de cor

Hoje acontece a final da 67ª edição do concurso que existe desde 1956. Recordamos algumas canções que fizeram história eurovisiva.

Estamos em contagem decrescente para a grande final da Eurovisão 2023. A noite de todas as decisões é a de sábado, dia 13 de maio. 26 canções - incluindo a de Portugal - vão ser escutadas na M&S Bank Arena, em Liverpool, Reino Unido. Só uma dará o troféu ao país que representa no palco britânico.  

Na grande final da competição os seguintes países: Portugal, Croácia, Moldávia, Suíça, Finlândia, República Checa, Israel, Suécia, Sérvia, Noruega, Albânia, Arménia, Austrália, Áustria, Bélgica, Chipre, Eslovénia, Estónia, Lituânia, Polónia, França, Alemanha, Espanha, Reino Unido, Itália e a Ucrânia - o país vencedor da edição de 2022.  

A portuguesa Mimicat será a segunda artista a pisar o palco da arena, com a palpitante ‘Ai Coração’. 

 

É a 67ª edição da competição que, ao longo da sua extensa história, só parou uma vez: em 2020 devido à pandemia. A primeira edição aconteceu em 1956 - numa ordem mundial diferente. O formato foi inspirado no concurso italiano de São Remo e a ideia surgiu depois do fim da Segunda Guerra Mundial, quando havia a vontade urgente em "esbater" fronteiras e solidificar um conceito de união entre países. A primeira vencedora foi a Suíça. A cantora Lys Assia venceu com a interpretação de 'Refrain'.

Portugal só se juntou à festa eurovisiva em 1964 e fê-lo com a canção 'Oração', interpretada por António Calvário. Conseguiu apenas o 13º lugar. Nesse ano, quem venceu foi a Itália com 'No Ho L'Età', cantada por Gigliola Cinquetti.

O país que soma mais vitórias até hoje é a Irlanda. Portugal venceu apenas uma vez mas ganhou em grande. Em 2017, conquistámos o troféu com a canção 'Amar Pelos Dois' que foi levada a Kiev, na Ucrânia, por Salvador Sobral. Em 2022, a portuguesa MARO conquistou o nono lugar, com 'Saudade, Saudade'. Quem venceu foi a Ucrânica, com 'Stefania', dos Kalush Orchestra, porém, devido ao contexto de guerra, a competição foi acolhida pelo Reino Unido que ficou em segundo lugar.

No fecho da odisseia eurovisiva deste ano e com a chegada da noite mais esperada pelos fãs da competição, fomos vasculhar a memória coletiva em matéria de canções festivaleiras. O critério da seleção foi apenas um: canções que continuam na ponta da língua. Dentro ou fora de fronteiras, das mais recentes às mais antigas - são relíquias que a cultura popular tem conservado ao longo do tempo.  


Domenico Modugno - 'Nel Blu Dipinto Di Blu' - 1958 - Itália

Foi interpretada pela Itália na edição de 1958 que teve lugar nos Países Baixos. Hoje é uma canção mítica mas na época não ganhou. O vencedor dessa edição foi André Claveau que representou a França com 'Dors, mon amour'. A canção italiana - mais tarde abreviada pela sabedoria popular para 'Volare' - ficou em terceiro lugar.


Gigliola Cinquetti - 'Non Ho L'Età' - Itália

1964 - o ano da estreia de Portugal na competição. A "primeira vez" portuguesa não foi propriamente auspiciosa, embora fosse um ato de fé. 'Oração', cantada por António Calvário, ficou em 13º lugar e sem um único ponto. A doçura da italiana Gigliola Cinquetti levou a melhor e o troféu. A Itália venceu com o suave 'Non Ho L'Età'. 

 

Madalena Iglésias - 'Ele e Ela' - 1966 - Portugal

Era o tempo em que as canções eram obrigatoriamente apoiadas por uma orquestra - tradição que se manteve até ao final dos anos noventa. Madalena Iglésias, que representou Portugal com 'Ele e Ela', ficou em 13º lugar na fase europeia. A glória foi da Áustria que conseguiu o galardão com a interpretação que Udo Jürgens fez de 'Merci, Chérie'.


Sandie Shaw - 'Puppet on a String' - 1967 - Reino Unido

A canção que Sandie Shaw levou à Eurovisão conquistou o público e deu a vitória ao Reino Unido pela primeira vez. A estreia nas vitórias foi em grande. A saltitante 'Puppet on a String' arrecadou o vitorioso troféu na final que foi disputada em Viena, na Áustria. 


Eduardo Nascimento - 'O Vento Mudou' - 1967 - Portugal

Em 1967, quem representou a bandeira portuguesa foi o cantor Eduardo Nascimento, que levou 'O Vento Mudou' ao palco de Viena. A poderosa canção portuguesa conseguiu a 12ª posição. 


Simone de Oliveira - 'Desfolhada Portuguesa' - 1969 - Portugal 

Simone de Oliveira levou a 'Desfolhada Portuguesa' à final da Eurovisão em Madrid, Espanha, em 1969. A última edição eurovisiva dos anos sessenta teve quatro vencedores: Espanha, Reino Unido, Países Baixos e França. Portugal ficou na 15ª posição, resultado que, porém, não ofuscou o brilho de Simone nem enfraqueceu a força da sua 'Desfolhada'. A cantora foi ovacionada por uma multidão entusiasmada quando chegou a Lisboa.  


Fernando Tordo - 'Tourada' - 1973 - Portugal

Um ano antes da Revolução de Abril em Portugal, Fernando Tordo deu vida às palavras de Ary dos Santos e mostrou 'Tourada' na competição teve lugar no Luxemburgo, o país que, além de organizar a festa, ganhou a estatueta. O cantor português conseguiu o 10º lugar. 


ABBA - 'Waterloo' - 1974 - Suécia 

Os suecos ABBA venceram a Eurovisão em 1974 - com 'Waterloo', um dos grandes hits eurovisivos que saltaram para os tops de vendas no mundo inteiro, incluindo no mercado gigante norte-americano. O êxito foi de tal forma colossal que, em 2005 - quando a Eurovisão assinalou os 50 anos - 'Waterloo' foi escolhida como a melhor canção da competição.    


Paulo de Carvalho - 'E Depois do Adeus' - 1974 - Portugal 

Portugal levou à final de 1974 um pedaço de história mas ainda não sabia. A 6 de abril, Paulo de Carvalho representou as cores da bandeira portuguesa com 'E Depois do Adeus' - canção composta por José Calvário e José Niza. Alguns dias mais tarde, a 24 de abril, 'E Depois do Adeus' foi transmitida pelos Emissores Associados de Lisboa como a primeira senha para a preparação das tropas que, no dia seguinte, libertaram o país das amarras do Estado Novo. A segunda senha foi a canção 'Grândola, Vila Morena' de Zeca Afonso.


Brotherhood of Man - 'Save Your Kisses for Me' - 1976 - Reino Unido

Vitória para o Reino Unido na final que foi disputada nos Países Baixos. 'Save Your Kisses for Me' foi uma das canções eurovisivas com melhor prestação nas tabelas de vendas. 


Manuela Bravo - 'Sobe, Sobe, Balão Sobe' - 1979 - Portugal

A 24ª edição da Eurovisão decorreu em Israel. A representante portuguesa foi Manuela Bravo que levou consigo 'Sobe, Sobe, Balão Sobe'. A alegria doce da cantora portuguesa foi contagiante no Festival da Canção, em solo lusitano, mas não conseguiu a vitória além fronteiras. 'Sobe, Sobe, Balão Sobe' ficou na 9ª posição.


Milk and Honey - 'Hallelujah' - 1979 - Israel

Em 1979, quem ganhou foram os israelitas Milk and Honey com a solene 'Hallelujah'. Parece-lhe familiar?


José Cid - 'Um Grande, Grande Amor' - 1980

E já estamos oficialmente na década de oitenta. Em 1980, a Eurovisão recebeu o poliglota José Cid que, em boa hora, chegou para representar Portugal. O músico e compositor levou o piano, coros e 'Um Grande, Grande Amor' mas não conseguiu vencer. A vitória ficou nas mãos do irlandês Johnny Logan com a canção 'What's Another Year'. 


Bucks Fizz - 'Making Your Mind Up' - 1981 - Reino Unido 

O quarteto britânico Bucks Fizz arrasou na edição de 1981 com o orelhudo 'Making Your Mind Up'. O tema foi, aliás, o single de estreia do grupo que se tinha formado apenas dois meses antes da competição. Os Bucks Fizz meteram a Europa a dançar e conseguiram a vitória com 136 pontos. 


Carlos Paião - 'Playback'  - 1981 - Portugal 

As roupas multicolores e as coreografias curiosas eram uma tendência por esta altura. Que o diga Carlos Paião que também subiu ao palco da Eurovisão em 1981. O clássico 'Playback' (uma das canções mais populares em Portugal) ficou em 18º lugar. Não se faz!


Doce - 'Bem Bom' - 1982 - Portugal 

'Bem Bom' - outra glória da música portuguesa dos anos oitenta - representou Portugal um ano depois, em 1982. As Doce foram as escolhidas para a competição europeia que, nesse ano, foi acolhida pelo Reino Unido. A mais discreta cantora Nicole, que representou a Alemanha, foi a grande vencedora.


Sandra Kim - 'J'aime La Vie' - 1986 - Bélgica

A belga Sandra Kim, na altura com apenas 13 anos, foi a vencedora da edição de 1986 com o efusivo 'J'aime La Vie' - um hino à chamada joie de vivre (alegria de viver) muito em voga na pop dos anos oitenta.


Dora - 'Não Sejas Mau Para Mim' - 1986 - Portugal

1986 foi o ano em que a cantora Dora - vestida a rigor para combinar com as tendências - pedia clemência com a canção 'Não Sejas Mau Para Mim'. A canção portuguesa ficou em 14º lugar. Dora voltou mais tarde à competição com o premonitório 'Voltarei'.


Celine Dion - 'Ne Partez Pas Sans Moi' - 1988 - Suíça 

Foi a super estrela Celine Dion quem ganhou a edição de 1988 e a representar a Suíça. Portugal voltou a levar a cantora Dora - com a tal canção intitulada 'Voltarei' - mas a mal afortunada prestação portuguesa ficou na 18ª posição.  


Da Vinci - 'Conquistador' - 1989 - Portugal 

Passámos várias décadas sem conquistar o troféu, é certo, mas em 1989 os Da Vinci levaram para o palco eurovisivo e bem intencionado 'Conquistador'. O grupo, que consegue viajar por uma série de lugares em três minutos, teve mais dificuldades a viajar até ao pódio e acabou no 16º lugar. A estatueta ficou nas mãos da Jugoslávia. 


Dulce Pontes - 'Lusitana Paixão' - 1991 - Portugal

Anos 90 e as baladas doridas. Uma das mais populares e que não escapa a nenhum karaoke em solo português é a que Dulce Pontes levou à Eurovisão em 1991. 'Lusitana Paixão' ficou na 8ª posição.


Dina - Amor d'Água Fresca - 1992 - Portugal

Mas também há alegria no amor. A cantora Dina sabia disso e em 1992 deu voz ao frutado e leve 'Amor d'Água Fresca', a canção que foi disputar o título eurovisivo a Malmö, na Suécia.


Anabela - 'A Cidade (Até Ser Dia)' - 1993 - Portugal 

A jovem Anabela foi à Irlanda defender as cores portuguesas com a cosmopolita 'A Cidade (Até Ser Dia)' mas não foi além da 10ª posição. A cantora tinha apenas 16 anos quando entrou na competição. 


Sara Tavares - 'Chamar a Música' - 1994 - Portugal 

Um ano depois, a doce Sara Tavares, também com apenas 16 anos, concorreu ao concurso mais famoso da Europa com 'Chamar a Música'. Nesse ano, venceu a Irlanda, o país que acolheu a competição.


Lúcia Moniz - 'O Meu Coração Não Tem Cor' - 1996

Em 1996, Lúcia Moniz conseguiu o segundo melhor resultado para Portugal. 'O Meu Coração Não Tem Cor' arrecadou 32 pontos, ficando na sexta posição. A alegria que foi! A Suécia foi a vencedora. 


Salvador Sobral - 'Amar Pelos Dois' - 2017 - Portugal

Faz hoje precisamente seis anos que Salvador Sobral ganhou o Festival da Eurovisão e meteu Portugal na lista dourada de vencedores, encabeçando essa mesma lista em matéria de pontos. 'Amar Pelos Dois', canção composta pela irmã Luísa Sobral, deu o grandioso título das cantigas ao nosso país, feito nunca antes conquistado. O cantor português amou por dez milhões... ou melhor, fazendo as contas com o alcance fora de portas, Salvador amou por muitos, mas mesmo muitos mais.

O sucesso da canção, tão gentilmente despida ao essencial, foi global. Atravessou um bom número de fronteiras e meteu o mundo a cantar em português (a arranhar o português) e, mais importante que tudo, a amar em português. No ano seguinte, e pela ordem natural das coisas, Portugal recebeu a competição. A transmissão da RTP talvez tenha sido uma das mais bem conseguidas de sempre. 


Duncan Laurence - 'Arcade' - 2019 - Países Baixos 

Duncan Laurence, que venceu em 2019 com o tema 'Arcade', é bom exemplo do sucesso das canções eurovisivas na era digital. Em 2020, Arcade viralizou na plataforma TikTok e com isso disparou nas tabelas de streaming em vários países do mundo. No início de 2021, sagrou-se a música da Eurovisão mais ouvida no Spotify.


MARO - 'Saudade, Saudade' - 2022 - Portugal 

A doçura de MARO conquistou o mundo em 2022. 'Saudade, Saudade' brilhou na arena Pala Olimpico, em Turim, Itália, mas Portugal ficou em 9º lugar. A cantora e compositora portuguesa subiu ao palco acompanhada por Beatriz Fonseca, Beatriz Pessoa, Carolina Leite, Diana Castro e Milhanas. 

Artigo atualizado, inicialmente escrito em 2022.