Europa às escuras, sem luzes de palco
Anúncios recentes de digressões de músicos concentrados na América do Norte.
A disformidade de regras sanitárias em espetáculos (para contenção da pandemia da covid-19) entre os numerosos Estados soberanos europeus está a gerar um efeito de dominó nas digressões de nomes internacionais pelo Velho Continente, que não param de ser adiadas ou canceladas. Aconteceu nos últimos dias com Lionel Richie, os Aerosmith ou os Mission, e agora com os Franz Ferdinand, num apagão da agenda ao vivo de concertos para estes meses que parece, para já, difícil de estancar.
A Europa vive um dos seus períodos mais sombrios a nível de itinerários ao vivo de grandes músicos, como se estivesse a viver uma grande guerra - e está, mas é, como sabemos, contra um vírus e as suas variantes.
Na medição de custos e benefícios para uma empreitada como uma grande digressão de uma banda (e respetiva caravana) por vários países europeus, os custos parecem pesar mais, e acima de tudo as dúvidas e a indefinição, num tempo que não está para grandes aventureirismos financeiros.
A América volta ser o El Dorado, mas de forma mais moderada, como forma de subsistência, para os músicos. É na direção da América do Norte que se estão a anunciar as digressões, que se resumem na quase totalidade aos Estados Unidos, onde a menor heterogeneidade de normas sanitárias permite gerar maior confiança a quem as marca.
O cartaz mediático do Festival de Coachella (na Califórnia), ou extensas digressões de costa a costa pelos Bon Jovi, Nick Cave & Warren Ellis, ou, só para citar os anúncios dos dias mais recentes, Tori Amos, Dave Matthews Band ou Slowthai, mostram uma América do Norte em sentido contrário ao apagão na Europa. A velha normalidade está a acontecer no outro lado do Atlântico, basta ver imagens de concertos de coisas tão diferentes como Billie Eilish, Kacey Musgraves ou The War on Drugs, com milhares de espectadores aglomerados no mesmo espaço, ao estilo pré-pandémico. No que respeita à música ao vivo, falava-se há uns tempos na esperança pelos loucos anos 20, mas para já, estes primeiros meses do ano parecem uma réplica muito moderada da primeira metade dos anos 40 do século XX, com a América do Norte mais próxima da normalidade da vida civil face a uma Europa mais retraída e oprimida.
