Excesso revivem a euforia dos anos 90
Enchente na Altice Arena para o regresso da maior boys band portuguesa de sempre.
O espetáculo de regresso dos Excesso em Lisboa, nesta noite, estava num patamar muito alto. A atuação foi pensada para uma Altice Arena puxada à lotação máxima, com o aproveitamento quase total das bancadas e do espaço da arena. O ecrã tinha uma dimensão monumental, normalmente só ao alcance das grandes estrelas pop. O palco estava desenhado em várias línguas, com um palco extra no meio da arena. E a missão da performance dos Excesso não se limitava à mera réplica dos tempos vividos nos anos 90, com pequenos desvios a outros momentos para lá das canções do álbum mais conhecido, Eu Sou Aquele.
O público compareceu em massa, quase lotando a maior sala de espetáculos da capital. Para aumentar ainda mais emoções, o ecrã foi sendo usado como uma espécie de álbum de fotografias dos Excesso, projetando imagens de Carlos, Melão, João Portugal, Gonzo e Duck ora mais novos, ora já mais velhos nesta segunda vida de 2023. E coube ao quarteto de instrumentistas a missão mais discreta de fazer o tapete sonoro para os Excesso e até mesmo para a dezena e meia de dançarinos que ia dançando e acompanhando os Excesso de forma intermitente, ao longo das duas horas do concerto.
Feita a contagem decrescente do relógio do grande ecrã, os cinco membros dos Excesso surgem numa plataforma elevatória que emerge no palco, todos de casacos de cabedal, mas sem estarem uniformizados. O primeiro tema que cantam é em inglês, I Like, Segue-se Não Fiques Mais à Espera, a pôr à provar a coreografia qb dos Excesso, que evitam grande rigores. O maior peso dos cinco e a rigidez das suas musculaturas torna impossível a elasticidade de movimentos de outrora. Essa função fica delegada àquele corpo de dançarinos.
A maior bomba às almas é logo lançada à terceira música do alinhamento, Eu Sou Aquele, com cada um dos Excesso a fugir para uma língua diferente do palco, para aquecer ainda mais os ânimos.
João Portugal comporta-se como o membro mais diferente dos Excesso. Como o elemento com mais traquejo musical, esteve muitas vezes incumbido do piano, enquanto os seus companheiros permaneciam de pé, cantando e percorrendo o palco na direção do público. É de João Portugal o primeiro discurso para a multidão, lembrando que aquele era o primeiro espetáculo ao vivo dos Excesso em mais de 23 anos. A seguir, teclou os acordes de Quem Me Dera Saber, a primeira balada da noite. Não Quebres o Meu Coração mereceu um flyer distribuído ao público para que acendessem as lanternas dos telemóveis. No flyer, não se mencionava os balões, mas eles também apareceram. A tocha de És Loucura é acendida por uma guitarrada elétrica de Duck, num tema de muita respiração festiva que motivou a coreografia mais vistosa da noite pelos Excesso.
À margem da música dos Excesso, cada membro foi tendo o direito ao seu momento de protagonismo individual, aproveitando a restante boys band para se recolher e mudar mais uma vez de vestimenta. Melão, quando canta Coração de Melão, traz temperos mais tropicais e latinos, com uma programação de batucada e uns salpicos de salsa. João Portugal teve o seu momento apianado em temas como Foste Tu. Carlos canta a balada Só Para Ti, Gonzo interpreta Tiras-me do Meu Corpo, e Duck, com ar de Zorro (de chapéu e roupas pretas), arranja fôlego para vocalizar dois temas; Perdoa e This Love.
À medida que o concerto progride, os cantores dos Excesso vão trocando cumplicidades. Antes de interpretarem o novo tema, Na Pressa de Ser Mais, abraçam-se como uma verdadeira equipa. Em Quero Abraçar-te, Melão tira o boné e Gonzo dá-lhe uma festa na testa, num tema cantado de sorriso largo e a inspirar passeatas pelo palco e chuvas de papelinhos.
Não Sei Viver Sem Ti tem como achega inicial um telefone de cor creme ao centro do palco que toca e é atendido por Gonzo. Nessa canção, o espetáculo passa também para a bancada que vive exuberantemente cada verso.
No primeiro encore, os Excesso vão para o palco insular, no centro da arena, para despir músicas até à sua intimidade, com o contributo do pianista João Portugal e do guitarrista principal. Cantam o clássico dos Bee Gees, To Love Somebody, e transformam És Loucura, antes de voltarem a tocar a canção nova, Na Pressa de Ser.
Antes do segundo encore, são projetadas imagens da primeira atuação de todas dos Excesso com Eu Sou Aquele. Mas a máquina do tempo do grande ecrã acelera mais 26 anos, com os Excesso de 2023 a soltarem a sua alegria final em Eu Sou Aquele, com pontapés em balões gigantes e a subida a palco dos filhos dos cantores. Duck cruza os braços no ar em forma de X, uma máxima visual omnipresente, seja nas camisolas das fãs, seja no ecrã gigante.
