Fabricante chinesa de chips para IA Enflame prepara entrada em bolsa
Enflame servirá também para avaliar o apetite dos investidores, depois de a Moore Threads ter disparado 425% na primeira sessão.
A Enflame Technology, uma das principais ‘start-ups’ chinesas de semicondutores para inteligência artificial (IA), vai abrir em 02 de setembro as subscrições para uma oferta pública inicial, visando captar 765 milhões de euros.
Num comunicado enviado hoje à Bolsa de Valores de Xangai, a empresa indicou que vai vender cerca de 43 milhões de ações, a um preço ainda por determinar, embora na documentação apresentada no pedido de admissão à bolsa em Xangai tenha avançado que pretende captar cerca de seis mil milhões de yuan (765 milhões de euros).
A Enflame é conhecida como um dos “quatro pequenos dragões” chineses do setor dos semicondutores para IA, juntamente com a MetaX, Moore Threads e Biren Technology, sendo a última deste grupo a avançar para bolsa.
As restantes protagonizaram ofertas públicas de grande dimensão entre o final do 2025 e o início de 2026.
A estreia da Enflame servirá também para avaliar o apetite dos investidores, depois de a Moore Threads ter disparado 425% na primeira sessão em bolsa, a MetaX 693% e a Biren 76%.
Na semana passada, a Unitree Robotics, o mais conhecido fabricante chinês de robôs humanoides, registou igualmente uma estreia fulgurante, ao valorizar 460%, no mercado STAR de Xangai, conhecido como o ‘Nasdaq chinês’ devido à concentração de empresas tecnológicas.
Desde então, as ações da Unitree perderam quase 45% face ao máximo atingido no dia da estreia.
Fundada em 2018 e com sede em Xangai, a Enflame vai reservar cerca de 8,6 milhões de ações para investidores estratégicos.
Os fundos captados vão ser utilizados no desenvolvimento e comercialização dos semicondutores de quinta e sexta gerações da empresa, no reforço das cadeias de abastecimento e na melhoria da capacidade de inovação independente.
Os “quatro pequenos dragões” beneficiaram das restrições impostas por Washington à exportação para a China de determinados semicondutores avançados da norte-americana Nvidia, no âmbito da disputa comercial e tecnológica entre as duas maiores economias mundiais.
As limitações norte-americanas abriram espaço no mercado chinês para fabricantes nacionais de processadores destinados à IA, numa altura em que Pequim procura reduzir a dependência de tecnologia estrangeira.
O interesse dos investidores nestas empresas tem sido igualmente impulsionado pelo apoio do Governo chinês ao setor dos semicondutores, considerado prioritário na estratégia de autossuficiência tecnológica do país e no plano quinquenal que orientará a segunda maior economia mundial até 2030.
