Falsos acidentes na estrada triplicaram em 2025. PSP deixa conselhos a condutores

O número de denúncias por burlas com falsos acidentes mais do que triplicaram em 2025 em relação a 2021.

Os crimes de burla relacionados com falsos acidentes de carro triplicaram em 2025 em relação a 2021, revelou a Polícia de Segurança Pública (PSP), esta terça-feira.

A burla por falso acidente é uma tipologia criminal que se carateriza por ser exercida de modo presencial, elegendo aos seus autores caraterísticas psicológicas e comportamentais específicas, tais como manipulação, falta de empatia e persuasão, características estas que lhes permitem agir com destreza para enganar e surpreender a boa fé da sua potencial vítima. 

O crime de burla é um ilícito criminal com crescente expressão, o que se tem vindo a comprovar frequentemente pela elevada quantidade diária de ocorrências participadas.

As vítimas, são normalmente pessoas idosas, vulneráveis quer pela idade, doença ou fragilidade económica, e acabam por ser coagidas a entregar quantias monetárias com o recurso à intimidação e/ou ameaça.

Num comunicado enviado pela PSP, pode ler-se que o modus operandi mais utilizado pelos suspeitos neste tipo de burlas consiste numa "abordagem à vítima quando esta efetua algum tipo de manobra com a sua viatura (na maioria das vezes marcha atrás), nomeadamente em estacionamentos nas grandes superfícies comerciais, afirmando que a vítima embateu na sua viatura, solicitando uma compensação imediata (quantia monetária), utilizando manipulação, pressão psicológica ou mesmo intimidação".

Esta abordagem pode ser efetuada de imediato - quando a vítima se encontra parada dentro da viatura - ou em circunstâncias em que a vítima já iniciou a marcha e é seguida pelo suspeito que se faz transportar numa outra viatura, levando a vítima, através de sinais de luminosos, sonoros ou apenas por gestos, a imobilizar a viatura de forma a perceber o que se passa.

Existem ainda situações em que não há envolvimento direto de viaturas e, nesses casos, o suspeito alega um atropelamento, no qual os danos "alegadamente provocados foram físicos ou materiais (por exemplo, envolvendo os óculos ou o telemóvel)".

Depois desta primeiro contato, o burlão solicita "ser ressarcido dos danos causados (físicos ou materiais), pressionando a vítima à entrega de dinheiro no momento, sem necessidade de participação do acidente e sem a presença da autoridade policial, pois desta forma evitam acionar o seguro e tratam o assunto com maior celeridade".

"Recentemente, apurou-se também a existência de algumas situações em que o autor apresenta à vítima um TPA (Terminal de Pagamento Automático), insistindo no pagamento imediato".

Em qualquer uma das situações mencionadas, para credibilizar todo o enredo, o burlão apresenta à vítima dor física, no caso da simulação de atropelamento, ou um objeto danificado (quebra ou risco, seja na viatura ou no telemóvel), que normalmente já existia antes do alegado embate, mas que a vítima desconhece.

Quando se trata de danos em viatura, ainda junto da vítima, o suspeito simula um contacto telefónico com uma oficina ou com uma operadora de comunicações, transmitindo o dano e fingindo receber um valor de orçamento, que, por sua vez, transmite à vítima.

DENÚNCIAS

Desde o dia 1 de janeiro de 2021 e até 31 de dezembro de 2025, a PSP registou um total de 853 denúncias deste crime.

Nos últimos anos temos assistido a um aumento do número de ocorrências participadas pelo crime de burla por falso acidente, com um pico mais acentuado no passado ano de 2025.

"Estes valores permitem-nos ainda observar que o número de denúncias em 2025 superou em mais do triplo as denúncias registadas em 2021", anuncia a PSP.

VÍTIMAS

De acordo com a análise das autoridades, "foi apurado que estas têm maioritariamente idades compreendidas entre os 70 e os 79 anos (40%), seguindo-se as vítimas com mais de 80 anos (39%), e que 65% são do sexo masculino e 35% são do sexo feminino".

Relativamente às circunstâncias de tempo e lugar, o período preferencial para este tipo de crime acontece entre as 10h e as 16h, de segunda a domingo, sendo locais privilegiados os parques de estacionamento de superfícies comerciais e vias com pouco fluxo de trânsito, normalmente não abrangendo sistema de videovigilância.

Além da aposta na repressão através dos mecanismos de investigação criminal, a PSP está a incrementar "esforços de prevenção incidindo, essencialmente, na sensibilização e pedagogia dos cidadãos para que adotem comportamentos de segurança, evitando assim serem vítimas de um esquema de burla".

SIGA ESTES CONSELHOS

Não efetuar qualquer pagamento em numerário por situação que tem a certeza que não cometeu

Desconfiar de abordagens em que o autor assume o tipo de enredo acima descrito e pressiona insistentemente no pagamento em numerário de imediato

Desconfiar de abordagens em que o autor não quer acionar o seguro, nem contactar a Polícia, apenas pretendendo o pagamento em dinheiro, oferecendo-se para o acompanhar a caixa ATM

Não ceder o seu cartão bancário a desconhecidos, nem efetuar qualquer pagamento em TPA que lhe seja apresentado por desconhecidos

Em qualquer situação que envolva o método descrito ou outras semelhantes, contactar a PSP e solicitar a participação de acidente

Não efetuar qualquer pagamento sem antes contactar algum familiar ou amigo para expor a situação, pois assim poderá ser elucidado da burla e ao mesmo tempo poderá criar algum receio no autor do ilícito

Quando verificar que está a ser seguido por outra viatura, que efetua sinais para encostar a sua viatura, preferencialmente não pare. Porém, se optar por parar, não o faça em local ermo ou com pouco fluxo rodoviário, dirigindo-se para um local que lhe seja familiar, onde tem conhecimento da existência de densidade populacional

Se estiver perante uma situação semelhante, se possível, tente reter o máximo de informação, como as características físicas do suspeito (idade, altura, indumentária, modo de falar, sotaque, sinais, tatuagens ou outras)

Nome por que se apresenta e contacto telefónico que possa fornecer

Características da viatura utilizada (cor, marca, modelo, matrícula)

Características dos seus acompanhantes

A PSP apela ainda à "denúncia de todos os crimes de que se tenha conhecimento, quer na condição de vítima ou testemunha, e relembra que quanto mais rápida for esta denúncia, mais depressa serão efetuadas diligências para se chegar à identificação do(s) autor(es) do(s) crime(s)".

"Esteja sempre alerta e seja cauteloso nas suas decisões! Solicite informações e partilhe dúvidas que possam surgir com pessoas da sua confiança, pois à medida que mais pessoas tomam conhecimento das burlas, menos bem-sucedidos se tornarão os burlões!", reforça a PSP.