Farid Walizadeh: "Em Cabul pessoas foram mortas pelos talibãs por traição à pátria"

Pugilista afegão, refugiado em Portugal desde 2011, não acredita nas palavras de moderação por parte do grupo extremista.

Os talibãs já governam totalmente o Afeganistão depois da ofensiva militar que terminou com a conquista de Cabul, a capital do país, no último domingo.

O grupo extremista promete agora práticas diferentes em comparação com o período em que esteve no poder, ainda durante o século XX.

Em conferência de imprensa, ontem (terça-feira), os talibãs revelaram que as mulheres iriam continuar a estudar e que teriam também um papel ativo na sociedade.

Para Farid Walizadeh, pugilista afegão refugiado em Portugal desde 2011, este discurso não passa de uma "mentira".

O atleta fala em relatos dos últimos dias de pessoas mortas pelo grupo extremista em Cabul por "traição à pátria".

 

 

Farid lembra que os talibãs prometeram um regime Sharia, um modelo de governo com regras medievais.

O pugilista diz que os castigos da Sharia não se adequam ao modo de vida atual.

 

 

O grupo extremista foi bem-recebido em Cabul, no último domingo, com vários vivas e abraços.

Apesar desta receção, o pugilista afegão, diz que o povo está "farto" dos talibãs pelas mortes que levaram a cabo no passado.

 

 

A ofensiva militar foi possível devido à saída das tropas da Nato e dos Estados Unidos da América do Afeganistão.

Farid fala em "traição" e lembra que em 2001 a Nato prometeu proteger o país, algo que acabou por não acontecer.