Farmácia da Ereira manteve-se aberta quase dois dias sem luz graças à bateria de um carro

Sem gerador, mas com engenho a farmácia da Ereira manteve-se de portas abertas e transforma-se num "farol" para a população.

A Farmácia Ereirense, na Ereira, concelho do Cartaxo, conseguiu manter-se em funcionamento durante quase dois dias sem eletricidade, recorrendo a uma solução improvisada baseada na bateria elétrica do carro da própria farmácia.

A  diretora técnica, Sara Batista Ramos, explicou que foi possível ligar um ponto de alimentação a partir da bateria do veículo, garantindo o funcionamento do essencial: o frigorífico dos medicamentos de frio e um computador, indispensável para a dispensa de receitas médicas. Apesar das limitações na iluminação, a farmácia manteve a porta aberta ao público durante todo o período da falha energética.

Além da falta de luz, a farmácia enfrenta ainda problemas ao nível das comunicações. A internet e os telefones, tanto por fibra como por wireless, continuam sem funcionar através da operadora principal. Ainda assim, uma rede de backup permitiu assegurar o mínimo indispensável para a atividade farmacêutica.

Sara Batista Ramos sublinha que esta solução nasceu da aprendizagem retirada do apagão anterior, em que não existia qualquer sistema de backup. Na altura, a conservação dos medicamentos foi feita com recurso a gelo e por um período mais curto. A experiência levou a equipa a refletir sobre a necessidade de um plano alternativo para falhas energéticas, que agora foi testado pela primeira vez e com sucesso.

Esta solução surgiu na sequência da experiência do apagão anterior. “No apagão não tínhamos nenhum sistema de backup”, recorda. A situação levou a equipa a repensar a necessidade de um plano alternativo. “Fez-nos pensar que precisávamos de um suporte caso houvesse outra falha energética. Esta alternativa foi pensada nessa altura e, agora, resultou muito bem.”

Durante estes dias, a farmácia acabou também por assumir um papel de apoio à população da Ereira, carregando telemóveis e prestando auxílio a quem procurava um ponto com alguma energia disponível. “Acabámos por ser um ponto de referência”, admite, reconhecendo que, apesar das soluções improvisadas e dos “fios espalhados”, foi possível garantir um serviço essencial à comunidade.

Apesar das soluções improvisadas, a diretora técnica faz um balanço positivo. “Estamos aqui ainda com muitos fios espalhados para manter tudo a funcionar, mas está tudo ok. Sobrevivemos.”

Sara Batista Ramos, Farmácia Ereirense