Federação de dadores de sangue alerta para reservas críticas e problemas no sistema
A Federação fala em subfinanciamento e falhas estruturais.
A Federação Portuguesa de Dadores Benévolos de Sangue (Fepodabes) alertou hoje para o nível baixo das reservas nacionais, acentuado pela redução de doações e problemas no sistema, com subfinanciamento e falhas estruturais.
"Estamos perante uma situação muito preocupante. Todos os verões assistimos a uma diminuição das dádivas de sangue, mas este ano o problema é agravado pelas dificuldades na resposta operacional, colocando em risco a estabilidade das reservas nacionais", afirmou, em comunicado, Alberto Mota, presidente da Fepodabes.
“Nas últimas semanas tem-se verificado uma diminuição significativa da comparência dos dadores de sangue”, o “calor extremo e o período de férias de verão provocam, todos os anos, uma redução acentuada das dádivas” e “as elevadas temperaturas e a desidratação associada afastam muitos dadores habituais, dificultando a reposição das reservas de sangue”, refere a federação, no comunicado.
Portugal necessita, em média, de cerca de 1.100 unidades de sangue por dia para responder às necessidades dos hospitais e a Fepodabes recorda que é necessário combater a sazonalidade.
Contudo, sustenta a associação, “o verdadeiro problema reside na ausência de uma estratégia nacional consistente para a dádiva de sangue”, de que é exemplo a situação do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST), entidade responsável por garantir o abastecimento de sangue ao Serviço Nacional de Saúde e ao setor privado, que “enfrenta dificuldades estruturais que comprometem a sua capacidade de resposta”, refere a federação.
“A escassez de recursos humanos, as limitações financeiras e a reduzida capacidade de intervenção dificultam o planeamento e a gestão de um setor absolutamente essencial para o funcionamento do sistema de saúde”, acusam os doadores.
E recordam que, recentemente, o “Sindicato dos Médicos do Norte denunciou publicamente as condições de trabalho existentes no Centro de Sangue e da Transplantação do Porto, referindo semanas de trabalho entre 52 e 64 horas, sem remuneração das horas suplementares e sem o cumprimento dos períodos mínimos de descanso”.
“É inegável que o Instituto enfrenta sérias dificuldades no recrutamento e retenção de médicos especializados, realidade evidenciada também pelos concursos que ficaram desertos por falta de candidatos”, alerta a Fepodabes, que se mostra preocupada com a degradação da situação financeira do setor.
“Os hospitais acumulam dívidas de dezenas de milhões de euros ao IPST relativas ao fornecimento de sangue e componentes sanguíneos. Esta realidade limita significativamente a capacidade do Instituto para investir, contratar profissionais, renovar equipamentos e planear a médio e longo prazo”, salienta a federação que tem insistido no reforço das equipas de colheita, alargamento dos horários de recolha durante os meses de verão e um melhor aproveitamento da colaboração das associações de dadores, entre outras matérias.
“Infelizmente, muitas destas propostas continuam sem resposta ou não foram implementadas”, enquanto “continuam a verificar-se cancelamentos de sessões de colheita previamente planeadas, dificuldades em garantir equipas suficientes e uma redução da capacidade de recolha precisamente na época em que o país mais necessita de sangue”, acusam.
Para a federação, o “problema não é a falta de dadores”, mas “a falta de capacidade para recolher o sangue que os portugueses estão disponíveis para oferecer”.
Para resolver a situação crítica das reservas, a Fepodabes voltou a apelar aos cidadãos para se tornarem dadores de sangue.
"Cada dador que comparece representa uma esperança para quem aguarda uma transfusão. Hoje, mais do que nunca, todos podemos fazer a diferença", sublinhou Alberto Mota.
