Fenprof contra redução de exigências para ensinar no 1.º ciclo
Governo propõe que os licenciados em Educação Básica possam dar aulas ao 1.º ciclo sem mestrado ou profissionalização em serviço, justificando com 83 horários por preencher.
A Fenprof contestou esta quinta-feira a intenção de permitir que licenciados em Educação Básica possam dar aulas ao 1.º ciclo sem formação pedagógica e exigiu uma discussão efetiva da proposta do Governo, admitindo pedir a negociação suplementar.
A proposta foi apresentada aos sindicatos na semana passada e prevê que os detentores de uma licenciatura em Educação Básica possam lecionar no 1.º ciclo antes de concluírem o mestrado ou a profissionalização em serviço.
Num comunicado divulgado hoje, a Federação Nacional dos Professores (Fenprof) acusou a tutela de insistir na medida, ignorando as preocupações manifestadas pelos representantes dos docentes na primeira e única reunião sobre aquela matéria.
“A negociação não pode ser uma mera formalidade, nem serve para legitimar decisões já por si tomadas”, sublinha a federação sindical, afirmando que “a decisão de manter intacta a proposta governamental constitui mais uma desconsideração inaceitável do papel da negociação coletiva”.
O Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) justificou a revisão dos requisitos de formação científica para a contratação de professores com o problema da falta de professores, com particular incidência no 1.º ciclo.
Segundo dados apresentados pelo ministro Fernando Alexandre na quarta-feira, no parlamento, há ainda 265 horários por preencher, dos quais 83 no 1.º ciclo.
“O facto de estarmos a propor que os licenciados em Educação Básica possam ter habilitação própria não vai levar a desinvestir na profissionalização destes docentes”, defendeu o governante perante os deputados.
A Fenprof contesta os argumentos da tutela, defendendo que nenhuma solução para as dificuldades de recrutamento pode representar uma redução das exigências de formação ou o alargamento indiscriminado do recurso à habilitação própria, isto é, a docentes com formação científica, mas sem formação pedagógica.
“No 1.º ciclo, a exigência deve ser ainda mais clara”, acrescentam, insistindo que se trata de uma matéria “com consequências profundas no funcionamento das escolas, na estabilidade dos seus quadros docentes e na qualidade do serviço público de educação” e que, por isso, deve ser alvo de uma negociação séria com os sindicatos.
Temendo que o Governo tencione aprovar a alteração sem voltar a ouvir as estruturas representativas dos professores, a Fenprof admite requerer a abertura de um processo de negociação suplementar.
