Fernando Daniel: "é um concerto especial, não quero deixar ninguém de fora"

No dia 14 de outubro, o músico sobe ao palco da Altice Arena, em Lisboa, e a 11 de novembro atua na Super Bock Arena, no Porto.

Fernando Daniel está a poucos dias de cumprir um sonho: subir ao palco das grandes salas do país. O cantor e compositor atua no sábado, dia 14 de outubro, na Altice Arena, em Lisboa, e a 11 de novembro na Super Bock Arena, no Porto, sendo que este último espetáculo já está esgotado.   

Carlão, Agir, Beatriz Rosário e Diego são os convidados em ambos os concertos que servem de apresentação do álbum "V.H.S Vol.1", editado este ano, mas também para celebrar todos aqueles que ajudaram o músico português a cumprir o sonho de encher as grandes salas do país - dos músicos que o têm acompanhado aos fãs.     

No concerto da Altice Arena, a comunidade surda poderá sentir o concerto com coletes sensoriais criados para que estas pessoas possam sentir a vibração da música. A experiência sensorial será acompanhada por duas intérpretes de Língua Gestual Portuguesa que vão "traduzir" as letras das canções.   


Como é que te estás a sentir a poucos dias de subir ao palco da Altice Arena?

Começo a sentir-me um pouco nervoso, ansioso. Na verdade, já não sei se é nervosismo ou se é ansiedade. São coisas distintas, com motivos diferentes. Acho que estou mais ansioso do que nervoso. Mas sei que quando pisar o palco tudo isto vai passar. Foi um investimento muito grande e não quero defraudar as expectativas das pessoas que querem ver um grande concerto.    

Tens estado a ensaiar e a partilhar alguns momentos dos ensaios com os fãs, o que é que falta fazer nestes últimos dias de preparação?

Ao longo da semana, temos feito uma média de três, quatro ensaios por dia. A ideia é "dar tudo na batata" para que seja o mais perfeito possível, embora a perfeição seja sempre difícil de atingir. Aliás, de certa forma, é inatingível. Ainda assim, queremos fazer o nosso melhor. Queremos que as coisas estejam o mais entrosadas possível para que os dias dos concertos sejam apenas para desfrutar. O último ensaio é nesta quinta-feira. 

 

Nestes concertos, as pessoas surdas vão poder sentir a vibração da música através de uma tecnologia sensorial e as tuas letras vão ser "traduzidas" por duas intérpretes de Língua Gestual Portuguesa. É um pormenor muito bonito...

Sim, é um pormenor diferenciador. Fui abordado [sobre o assunto] numa ação que fiz neste ano. Houve um grupo de pessoas surdas que me abordou no final de uma das minhas atuações. E perceber que aquelas pessoas foram assistir a um concerto meu fez-me pensar um pouco sobre a questão, sobre formas que ajudassem a que as pessoas surdas pudessem sentir o concerto. Não é igual, mas tentamos aproximar ao máximo a experiência ao que uma pessoa com audição experiencia. A ideia é que sintam a música através da vibração e entendam aquilo que estou a cantar com as intérpretes de Língua Gestual Portuguesa, como se estivessem a sentir um poema. Como é um concerto especial e não quero deixar ninguém de fora, não pensei duas vezes em pôr em prática esta ideia. 

E já que falaste em vibração, como é que achas que vai ser a vibração dentro das salas quando estiverem cheias e tu em cima do palco?

Acho que vamos estar todos a vibrar da mesma forma, com boa energia. E felizes, acima de tudo. Estes concertos são para todos. Para os músicos que me têm acompanhado, para os meus técnicos que também almejavam trabalhar nas maiores salas do país. Para mim, que sonho em tocar nestas salas desde que comecei a cantar. É um sonho cumprido atuar na maior sala do país. Em seis anos consegui. Vou realizar esse sonho já no sábado. É também para quem me acompanha desde a altura em que atuava em bares. Acho que vão ver a diferença entre a altura em que atuava nos bares, acompanhado por um amigo e uma guitarra, e a produção "megalómana" que foi feita para estes concertos. É também para as pessoas que me acompanham desde o programa "The Voice" ou para quem fui fazer casamentos. É para quem me aborda na rua e para as pessoas que gostam de me ouvir. São concertos que assinalam um ponto de viragem, mas, acima de tudo, servem para celebrarmos todos juntos. Todas as pessoas que mencionei fazem parte do meu sucesso.