Festival Med: Med(ida) à geografia musical de hoje
Evento de world music tem o "cartaz mais internacional de sempre", defende o organizador Paulo Silva.
Começa hoje o Festival Med, em Loulé, evento cuja programação musical essencial decorre até sábado, dia 27. Aquele que é o maior evento de world music do Algarve e um dos maiores do país arranca hoje, com concertos de Lura, Asian Dub Foundation, Tulipa Ruiz, entre outros. Arooj Aftab, Seun Kuti & Egypt 80 ou Tó Trips & Fake Latinos, no dia 26, ou a Orchestra Baobab, Arnaldo Antunes ou Bonga, no dia 27, compõem o restante cartaz, a par de muitos outros artistas. Perde-se a conta aos nomes sonantes, a cabo-verdiana Lura, o brasileiro Arnaldo Antunes e a egípcia Natacha Atlas, entre muitos mais.
No entender de Paulo Silva, organizador e programador do Festival Med, “temos uma programação muito diversificada, dentro da linha da world music. Este ano vamos ter o festival mais internacional de sempre, com trinta nacionalidades presentes, indo desde a Europa à América do Sul, passando pela Ásia. Vamos correr o mundo todo, só não vamos à Oceânia, mas havemos de ir no futuro. Mas, tanto a nível de sonoridades como de nacionalidades, este ano há uma proposta muito forte na diversidade e no que se pretende mostrar ao público e dar a conhecer essas outras culturas todas que, juntas, formam aqui este mundo maravilhoso”.
O Festival Med ultrapassou há muito o circuito musical do Mediterrâneo, com que baseou as primeiras edições. “Na sua génese, o Festival Med foi pensado nas sonoridades da bacia do Mediterrâneo. Ao longo dos anos, fomo-nos apercebendo que o festival foi crescendo, abrindo cada vez mais as suas portas. Começámos também a perceber que, se ficássemos pela bacia do Mediterrâneo, talvez, a dada altura, começássemos a entrar nalguma redundância, e decidimos abrir ao mundo, e agora abarcamos o mundo todo, mas sempre com um foco na bacia do Mediterrâneo, sempre com o foco nessas sonoridades. Estamos cada vez mais abertos ao mundo. Vamos chegar aos quatro cantos do mundo este ano, pela diversidade do cartaz, e isso também acho que é o que torna o festival assim tão diferente, especialmente aqui na zona do Algarve, talvez mais virada para outras sonoridades, para outras propostas, o que contribui para tornar este festival único nesta zona do país”, argumenta Paulo Silva.
Sérgio Godinho, que tinha concerto marcado para hoje neste festival louletano, teve que cancelar o concerto devido a um “imprevisto físico”, tendo sido substituído por Vitorino. Muita da essência da programação do Med é a música portuguesa, a partir dos seus múltiplos ângulos. “Tentar afastar também um pouco esta ideia de que Portugal é só o fado, e não é. Portugal tem uma riqueza musical imensa e todos os anos tentamos trazer novas propostas, novas aberturas musicais dentro dessa área, de forma também a mostrar a quem nos visita, aos visitantes de outros países no festival, o que de bom se faz por cá. Teremos, por exemplo, os Expresso Transatlântico, o Tó Trips [acompanhado pelos Fake Latinos], o Fidju Kitxora, com ofertas que vão muito além do fado, que é sempre muito esta imagem que temos ligada a Portugal. Eu frequento várias feiras internacionais e há sempre muito essa ideia de que Portugal é fado e só fado. E não é. Nós temos cá propostas muito diversificadas de sonoridades que merecem ser mostradas ao resto do mundo, e acho que temos conseguido, ao longo dos anos, mostrar um pouco esse cartaz e este ano também acho que vamos conseguir fazê-lo”, contextualiza o programador do Med.
Quanto à lotação do festival, no coração histórico de Loulé, Paulo Silva informa que “nós temos o recinto preparado para acolher quinze mil pessoas por dia. É o que tem acontecido ao longo destes anos. Este ano vamos ter o recinto alargado. Vamos aumentar um pouco a área do recinto, mas mantendo sempre esse número. O objetivo é tornar mais agradável a circulação, para permitir mais espaço para que seja mais confortável a quem nos visita poder circular de palco em palco ou poder visitar as outras zonas do festival com as outras ofertas, de uma maneira mais calma e mais desafogada”.
Se o cartaz do Med é internacional, também o público o é: “40% do nosso público vem de outros países. Temos imensos visitantes de Espanha, França, Inglaterra, da Alemanha, também temos imensas pessoas de Marrocos que nos visitam. De ano para ano esse número tem vindo a subir, até porque cada vez temos mais turismo no nosso Algarve, mas ficamos felizes por ver que se interessam também por estes sons da world music e por estas sonoridades mais alternativas, por esta oferta um pouco fora do mainstream”, regozija-se Paulo Silva.
A ação musical distribui-se por oito palcos diferentes e arranca às 19h45. Podem ver a informação completa neste link.
