Festival Mental: promoção da saúde mental através da cultura até dia 17 de maio em Lisboa
Entrevista a Ana Pinto Coelho, diretora e curadora do festival.
Até dia 17 de maio decorre em Lisboa o Festival Mental - Cinema, Artes e Informação que este ano assinala uma década de existência “consolidando-se como o projeto pioneiro em Portugal na promoção da saúde mental, combate ao estigma e contribuição para a literacia na área, através da cultura”, refere o comunicado de imprensa.
O festival “assume-se como um verdadeiro ‘radar’, revisitando os temas marcantes dos últimos dez anos enquanto projeta os desafios do futuro, e reflete sobre o impacto profundo das suas edições anteriores”, continua a nota.
São várias as expressões artísticas e atividades abraçadas pelo festival, como o cinema, o teatro, a música, a literatura, workshops, conversas e até o contacto com a natureza para a prmoção do bem-estar. Durante quatro dias, o público poderá participar em debates e nas conversas M-Talks, assistir à Mostra Internacional de Curtas-Metragens e envolver-se em segmentos como o M-Natura (reconexão com a natureza) e o M-Click (dedicado a ideias inovadoras que cruzam ciência e criatividade).
"O M-Cinema, a mostra internacional de curtas-metragens, é a espinha dorsal do festival. O Festival Mental é sobretudo um festival de cinema. Este ano, chegaram-nos duzentos e trinta e tal curtas da Filmfreeway. Os nossos selecionadores fazem um trabalho exímio e de mestria para escolher os filmes que as pessoas depois vão poder ver nas sessões do Mental. Além da curta, do filme terem de ser bons para um festival de cinema, por muito subjetivo que isto seja, mas tem de haver a perspetiva da saúde. Temos de garantir que não haja nenhum disparate na história que está a ser contada", disse-nos Ana Pinto Coelho, diretora e curadora do festival.
"Como estamos a falar de saúde mental é preciso que não haja nada que não seja cientificamente correto. Temos uma dupla validação de cada uma das curtas. Interessa ter humor, boa disposição, interessa ter uma ideia de superação das coisas e interessa que seja uma história válida, com a qual as pessoas se identifiquem. Nem sempre são questões simples. Não é um festival desse género. Mas importa entender quais são fragilidades ou o que nos pode fazer sentir mal ou triste para que haja uma superação com uma história bem contada por trás. A ideia é que as pessoas sintam que não estão sozinhas, caso não queiram estar sozinhas. Há companhia, há um lugar seguro e há bom cinema. Destacaria, por isso, a mostra internacional de curtas-metragens no Cinema São Jorge, mas também as M-Talks, a parte do teatro para os jovens que é sempre um sucesso", acrescenta.
A programação de 2026 está pensada para todas as gerações, dos 8 aos 80 anos de idade como nos diz Ana Pinto Coelho: "para os mais pequeninos começámos a fazer o Mental Júnior e fizemo-lo praticamente quando começou o festival, quase há uma década. Fomos trabalhando e passámos [o projeto] para fora de portas, para workshops na natureza com o M-Natura. Temos tido resultados muito diferentes porque estamos a juntar duas coisas, o M-Natura e o M-Kids. Os mais pequenos podem fazer workshops integrados na natureza e há muito para fazer com as pessoas que organizam estes workshops em conjunto connosco. Para os mais velhos, com os quais também já fizemos atividades relacionadas com a natureza, temos novamente a Mafalda Sacchetti a fazer o workshop Idade "Não É Prazo de Validade" que tem sido sempre um sucesso muito grande. Este ano, esse workshop vai ter lugar no Cinema São Jorge."
A 17 de maio, o Cinema São Jorge acolhe o segmento "My Story, My Song" (no qual a música serve de veículo para a partilha autêntica de vulnerabilidades). Este ano, será com a presença da cantora Maria João e de João Farinha. "Fechamos no São Jorge com o 'My Story, My Song', que é um segmento música. Estou muito curiosa porque, além da música, a Maria João também irá partilhar momentos menos bons que superou. E é sempre um ato de coragem de qualquer artista que vai ao 'My Story, My Song'. Além de ser corajosa, é uma pessoa que tem empatia com o público porque vai falar das suas vulnerabilidades", refere a diretora do evento.
Quanto ao balanço dos dez anos do evento, Ana Pinto Coelho acrescenta: "Dez anos é muito tempo sobretudo para um festival como este, que é temático. E há dez anos era ainda mais difícil abordar um tema como este. Foi uma década a partir pedra. Dez anos a tentar fazer entender como a cultura e a saúde mental não só são importantes como se cruzam. Não era muito fácil as pessoas entenderem isto no início. A ideia de explorar a plataforma da cultura para fazer a promoção da saúde mental foi sendo trabalhada ao longo do tempo. Mas houve uma grande quantidade de gente que ajudou. Falo de artistas, protagonistas, convidados, gente da saúde mental, gente da cultura, dos espetáculos, da dança. Todos ajudaram. Isto não é de uma pessoa, nem de duas, nem de três. É uma celebração de todas as pessoas que passaram pelos nossos palcos ao longos dos anos quer em Lisboa como noutras cidades por onde passámos."
Oiça a entrevista completa com Ana Pinto Coelho sobre o festival que promove a saúde mental através da conversa, da cultura e não só.
