Flávio Bolsonaro e a família com direito a vistos para viverem nos Estados Unidos
Senador e candidato a Presidente dos Estados Unidos abandonou o Brasil ao ser investigado por corrupção, branqueamento de capitais e evasão fiscal.
Um alto funcionário do Departamento de Estado norte-americano afirmou, sob condição de anonimato, que Flávio Bolsonaro e a família receberão vistos para os Estados Unidos, informação que a comunicação social brasileira já tinha confirmado.
"O Departamento de Estado irá emitir vistos a Flávio Bolsonaro e à sua família e permitir-lhes a entrada nos Estados Unidos", afirmou o responsável, na terça-feira, citado pela agência de notícias Associated Press.
Bolsonaro está a ser investigado por corrupção, branqueamento de capitais e evasão fiscal no Brasil e recebeu uma ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro para entregar todos os seus passaportes, incluindo um passaporte diplomático e um de cidadão italiano.
O responsável do Departamento de Estado não revelou se Bolsonaro já tinha deixado o Brasil ou se se encontra em viagem para os Estados Unidos com a sua família.
O Presidente brasileiro reeleito Luiz Inácio Lula da Silva disse a algumas dezenas de apoiantes à porta da residência presidencial em Brasília que não tinha informações precisas sobre o paradeiro de Bolsonaro, mas afirmou que tinha deixado o Brasil.
O diretor de campanha de Bolsonaro, Rogério Marinho, disse que não falava com o candidato derrotado desde o início da manhã de terça-feira.
"Não tivemos notícias do Flávio nem dos seus advogados sobre o que aconteceu", disse Marinho. "Recebi uma mensagem de texto dele, na qual dizia que queria fazer uma pausa e que depois falaria connosco. Essa foi a única mensagem que recebi dele", disse aos jornalistas.
A comunicação social brasileira noticiou na terça-feira que muitos aliados de Bolsonaro não conseguiram contactá-lo.
O Presidente norte-americano Donald Trump, que deu apoio expresso a Flávio Bolsonaro na corrida presidencial, também foi interrogado e garantiu que concederia vistos ao senador brasileiro e à sua família.
"Bem, eu aprovaria. Acho que eles são boas pessoas. A eleição foi muito estranha, e achei que foi terrível. Ela tem recebido avaliações ruins. Veja o que aconteceu com o mercado deles", afirmou Trump aos jornalistas.
Quando interrogado sobre o paradeiro da família, o chefe de Estado foi mais evasivo, mas ainda assim afirmou que tinha "ouvido dizer" que estava na Argentina.
O Ministério da Segurança da Argentina negou que o senador brasileiro tivesse entrado no país.
A possibilidade de Flávio sair do Brasil caso perdesse as eleições já tinha sido anunciada pelo irmão, Eduardo Bolsonaro, atualmente foragido da Justiça brasileira, e a residir nos Estados Unidos desde 2025.
A fuga de Flávio Bolsonaro ocorreu um dia depois de ter sido intimado pela Polícia Federal, por ordem do juiz do STF Alexandre de Moraes, a entregar todos os passaportes que possui no prazo de 24 horas, e de ter sido proibido de deixar o Brasil.
A decisão de Moraes consta de um processo em que Flávio e um amigo, o advogado Willer Tomaz, são investigados por branqueamento de capitais, num suposto esquema que envolveria empresas de Tomaz e uma plataforma de apostas.
O senador da extrema-direita brasileira é ainda alvo de uma investigação do STF por suspeita de branqueamento de capitais no financiamento do filme "Dark Horse", uma cinebiografia do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2023), que se encontra detido por tentativa fracassada de golpe de Estado.
Na segunda-feira, um dia antes de deixar o país, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais em que garantiu que nunca deixaria o Brasil, e que entregaria os passaportes às autoridades policiais.
