Israel intercepta embarcações da flotilha humanitária. Mariana Mortágua terá sido detida
Portugueses Mariana Mortágua, Miguel Duarte e Sofia Aparício estão a bordo.
A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Mariana Mortágua, terá sido detida pela Marinha israelita após a embarcação onde seguia e que integra a flotilha que pretende levar ajuda humanitária a Gaza foi intercetada pelas autoridades israelitas.
"Muito provavelmente, se estão a ver este vídeo, é porque fui levada contra a minha vontade para uma detenção pelas forças israelitas, agindo contra a lei internacional. Se for esse o caso, peço que contactem o Governo português para que faça todos os esforços para garantir a libertação não só de mim própria, da Sofia Aparício e do Miguel Duarte, delegação portuguesa, mas todos os participantes desta missão", diz a deputada do BE.
Perto das 20h41 também Fabian Figueiredo, do Bloco de Esquerda, confirmava em direto, na SIC Notícias, a detenção dos três portugueses que participam na missão, Miguel Duarte, Sofia Aparício e Mariana Mortágua.
Já num direto na rede social Instagram, Mariana Mortágua referiu, pelas 19h45 (hora portuguesa), que a embarcação onde seguia estava a ser intercetada por navios israelitas.
Depois, a deputada indicou que os israelitas pediram para falar com o capitão da embarcação, com o direto a terminar pouco depois.
A Flotilha Global Sumud também indicou no Instagram, pelas 19h43, que várias embarcações integradas na flotilha estavam a ser “ilegalmente intercetadas”.
“As câmaras [das embarcações] estão offline e militares israelitas estão a aceder às embarcações. Estamos ativamente a trabalhar para confirmar a segurança e o estado de todos os ativistas a bordo”, relatou a mesma fonte.
A interseção já era esperada pelos organizadores desde perto das 18h15 (hora de Lisboa), quando de acordo com a Al Jazeera foi emitido um "estado de emergência" para preparar o encontro com forças israelitas, que se previa que acontecesse no espaço de uma hora.
Thiago Avila adiantara mesmo à Al Jazeera, minutos antes, que estavam a aproximar-se do que parecia ser "o bloqueio militar" israelita.
"Há uma enorme concentração de embarcações que coincidem com os planos revelados pelo ministério israelita dos Negócios Estrangeiros, com o consenso mediático acerca do que aconteceria hoje e com o plano para intercetar ilegalmente a nossa missão para quebrar o cerco e criar um corredor humanitário", disse o mesmo responsável citado.
"Estamos a poucos minutos de sermos abordados"
A organização da flotilha tem transmitido o percurso dos barcos em direto, mas pelas 18h33 deixou de ser possível ver as imagens do navio Alma, num momento em que grande parte da tripulação surgia de coletes salva-vidas vestidos e sentada em círculo.

O corte da imagem aconteceu já depois de alguma agitação a bordo e de tentativas de contacto entre o navio e a restante flotilha.
A transmissão voltou quase dez minutos depois, quando também o ativista português Miguel Duarte, que segue a bordo, revelava nas redes sociais que as forças israelitas já tinham avisado que atravessar o cerco seria "violar a lei internacional".
"É o próprio bloqueio que está em violação da lei internacional. Esta ação humanitária é legal e moralmente correta. Estamos a poucos minutos de sermos abordados pelas forças israelitas e é possível que esta seja a minha última comunicação até sermos abordados", concluía.
Já depois das 19h00, a deputada Mariana Mortágua, citada pelo Observador, disse ter recebido informação de que o navio Alma foi intercetado e os ocupantes retirados.
Em direto no Instagram, pelas 19h46, denunciava que o barco em que segue, o Adara, estava a ser alvo de "canhões de água, ou canhões de alguma coisa" e que tinha havido um pedido para "falar com o capitão".
O jornalista do El País Carlos de Barrón, a bordo da flotilha, adianta a mesma informação, acrescentando que no momento da aproximação israelita ao Alma, o grupo já teria entrado dentro da zona de exclusão definida por Israel.

