Fogo na Madeira chega ao Pico Ruivo e atinge quarto concelho, avaliado uso de helicóptero
O autarca de Santana mostra no Facebook o avanço das chamas no topo do Pico Ruivo.
O incêndio da Madeira que está ativo há já uma semana progrediu na noite desta terça para quarta-feira e atingiu o Pico Ruivo, de acordo com a proteção civil regional, que pediu um novo reforço de mais 45 operacionais do continente, que já deverá chegar esta quarta-feira à região.
“O pior cenário que temos neste momento é o que decorre da propagação do [fogo] no Curral das Freiras que progrediu pela cordilheira central da região e atingiu o Pico Ruivo. Esta é uma zona muito complexa. Não se consegue atuar nesta zona devido às condições do terreno”, adiantou à agência Lusa presidente do Serviço Regional de Proteção Civil.
De acordo com António Nunes, os operacionais estão a tentar conter a progressão para sítios mais problemáticos, encontrando-se no local 11 operacionais, com o apoio de cinco meios.
“Face ao evoluir desta forma desfavorável foi solicitado à Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil [ANEPC] o reforço de pessoal que veio do continente e está previsto durante o dia de hoje recebermos mais 45 elementos”, adiantou.
"O pior cenário"
Com a chegada ao Pico Ruivo, o concelho de Santana torna-se no quarto município a ser oficialmente atingido pelas chamas, depois da Ribeira Brava, de Câmara de Lobos e da Ponta do Sol. O autarca de Santana, Marcio Dinarte Fernandes, publicou na rede social Facebook um vídeo em que mostra as chamas no topo de uma das serras madeirenses enquanto são observadas à distância por bombeiros.
"Infelizmente, já chegou ao Pico Ruivo", ouve-se no vídeo, seguido do reconhecimento de que a situação é "muito preocupante" e de que este é "o pior cenário".
Na descrição do vídeo lê-se ainda que a equipa de bombeiros que estava no local "teve de sair" e que o trabalhador da casa (de abrigo) "também acompanha os bombeiros". Na mesma publicação, Márcio Dinarte apela a "meios logo pela manhã, nomeadamente o helicóptero".
Sobre a utilização de meios aéreos, António Nunes indiciou que ainda tem se de ser avaliada porque a operação "a estas altitudes é bastante complexa".
"Não é uma coisa que se faça de forma linear. Nós temos que fazer uma avaliação e ver se os pilotos, o helicóptero, têm capacidade para o fazer, pois ventos àquela altitude são muito erráticos e nós não queremos ter mais um problema com a perda do helicóptero", contou.
No que diz respeito a outras zonas da ilha, segundo António Nunes, na Serra de Água, na Ponta do Sol, o fogo está a evoluir favoravelmente.
"Temos a esperança que se consiga terminar aquela frente durante o dia hoje. No local estão 64 operacionais, com o apoio de 16 meios. No Curral das Freiras, que ontem [terça-feira] era uma preocupação grande devido às residências que ali existem, neste momento não temos qualquer problema. Temos pessoal em prevenção, que fizeram umas linhas de corta-fogo para evitar que este desça a encosta para salvaguarda das habitações", disse.
Cerca das 08h00, estavam no local 22 operacionais, com o apoio de sete meios terrestres.
Uma semana de incêndio
O incêndio rural na Madeira deflagrou há uma semana, dia 14 de agosto, nas serras da Ribeira Brava, propagando-se na quinta-feira ao concelho de Câmara de Lobos, e, já no fim de semana, ao município da Ponta do Sol.
O combate tem sido dificultado pelo vento, agora mais reduzido, e pelas temperaturas elevadas, mas não há registo de destruição de casas e infraestruturas essenciais.
Três bombeiros já receberam assistência hospitalar por exaustão e sintomas relacionados com “mau estar e indisposição”, não havendo mais feridos.
Nestes oito dias, as autoridades deram indicação a perto de 200 pessoas para saírem das suas habitações por precaução e disponibilizaram equipamentos públicos de acolhimento, mas muitos moradores já regressaram, à exceção da Fajã das Galinhas, em Câmara de Lobos, e da Furna, na Ribeira Brava.
Dados do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais, indicados pelo presidente do Serviço Regional de Proteção Civil, António Nunes, apontam para 4392 hectares de área ardida até às 12h00 de terça-feira.
A Polícia Judiciária está a investigar as causas do incêndio, mas Miguel Albuquerque já disse ter a convicção de que se trata de fogo posto.
