Forças Armadas de Israel permanecem no Líbano e operam sem restrições

Garantia deixada pelo ministro da Defesa israelita.

O ministro da Defesa israelita afirmou hoje que as forças armadas vão manter-se “na zona de segurança do Líbano” e operam “sem restrições”, após Teerão colocar o conflito Israel-Hezbollah como prioridade nas conversações com os Estados Unidos.

"Não houve nem há restrição aos soldados das FDI [Forças de Defesa de Israel] no Líbano para operarem para eliminar ameaças", afirmou Israel Katz num comunicado citado pelo jornal The Times of Israel.

Segundo o ministro da Defesa, "todas as conquistas das FDI na campanha no Líbano estão a ser mantidas".

As tropas israelitas permanecem destacadas no sul do Líbano, numa zona designada como de segurança, de onde operam contra o grupo xiita Hezbollah.

"O cessar-fogo anunciado ontem [sábado] deixa as FDI em todas as posições dentro da zona de segurança que protege as comunidades do norte [de Israel]", acrescentou.

Katz insistiu que as forças israelitas "não se retirarão da zona de segurança no Líbano", como tem afirmado o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

O cessar-fogo no Líbano está previsto no memorando de entendimento assinado na quarta-feira pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, e o homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian.

Apesar de a trégua já ter entrado em vigor, Israel e o Hezbollah, apoiado pelo Irão, mantêm confrontos, acusando-se mutuamente de violações do cessar-fogo.

O Irão declarou que a situação no Líbano será o principal tema das conversações com os Estados Unidos realizadas na Suíça, que arrancam hoje, com a mediação do Paquistão e do Qatar.

O ministro dos Negócios estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, e o presidente do parlamento, Mohammad Bagher Qalibaf - que tem encabeçado as negociações, do lado de Teerão, bem como o vice-presidente dos EUA, JD Vance, já estão na Suíça.

"O regime sionista [Israel] continua a violar os seus compromissos no Líbano. Esta questão será o principal tema das discussões de hoje", afirmou hoje o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), Esmail Baghaei.

"A cessação das hostilidades no Líbano é crucial" para o Irão, insistiu o porta-voz, referindo, no entanto, que "uma trégua frágil está em vigor desde ontem [sábado]".

Baghaei acrescentou que a questão do desbloqueio dos ativos iranianos e das vendas de petróleo também seria abordada, num vídeo divulgado pela agência de notícias oficial IRNA.

Segundo o MNE iraniano, as conversações durarão um dia.

O exército israelita anunciou no sábado à noite que estava a encerrar as suas operações "proativas" no país, um dia depois de os EUA terem anunciado um novo cessar-fogo, uma vez que o anterior, em vigor desde 17 de abril, nunca tinha sido respeitado.

O Irão considera os ataques israelitas no Líbano uma violação de uma cláusula do tratado e da responsabilidade dos Estados Unidos.

Em retaliação, as forças armadas iranianas anunciaram no sábado que estavam a “encerrar” novamente o estreito de Ormuz, uma via navegável crucial por onde transitavam cerca de 20% do petróleo mundial antes da guerra iniciada em 28 de fevereiro por Israel e pelos Estados Unidos.

O Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que os Estados Unidos vão aprovar a libertação imediata de seis mil milhões de dólares (aproximadamente 5,2 mil milhões de euros) em ativos iranianos congelados no Qatar, após o início das negociações com os EUA hoje na cidade suíça de Bürgenstock.

O Presidente iraniano afirmou ainda que o Irão não abdicará do seu "direito de enriquecer urânio" – uma exigência dos líderes israelita e norte-americano – e reiterou que o Irão nunca procurou adquirir uma arma nuclear.