Fórum Competitividade: Portugal deve crescer acima de 2% em 2026

Fórum para a Competitividade considera que o "aspeto menos positivo" é a baixa produtividade dos novos empregos criados.

A associação Fórum para a Competitividade considerou hoje que só se “muita coisa correr mal” a economia portuguesa crescerá menos de 2% este ano.

“Com o crescimento do primeiro semestre próximo dos 2,5%, seria necessário que muita coisa corresse mal, o que não é o cenário central, para que o crescimento do conjunto do ano ficasse muito abaixo dos 2%”, lê-se na nota de conjuntura de agosto divulgada hoje pela associação.

Depois de no segundo trimestre deste ano a taxa de desemprego ter baixado de 6,1% para 5,3%, o valor mais baixo desde o início desta série em 2011, com uma aceleração quer da população ativa, quer do emprego, o Fórum para a Competitividade considera que o “aspeto menos positivo” é a baixa produtividade dos novos empregos criados.

“Com o emprego a subir mais do que o PIB [Produto Interno Bruto], estamos em presença de queda da produtividade média, o que provavelmente quer dizer que estamos a criar empregos de baixa produtividade”, refere.

Especificamente no que diz respeito ao emprego nas administrações públicas, o Fórum nota que, no segundo trimestre, “atingiu um novo recorde de 768 milhares, mais um 1% em termos homólogos, sobretudo devido ao crescimento na administração local”, considerando que, num período de escassez de mão-de-obra, se “compreende mal que o setor público esteja a competir desta forma com o setor privado”.

Após a Conta Satélite do Turismo do Instituto Nacional de Estatística (INE) ter apurado que o peso do turismo no PIB tem vindo a baixar ligeiramente, de 16,3% em 2023 para 16,2% em 2024 e para 16,1% em 2025, a associação destaca que estes dados “colocam em causa a ideia de que o PIB tem crescido com uma grande ajuda do turismo”.

“Para além disso, com os dados relativamente modestos de 2026, é possível que este setor continue a perder peso no PIB no ano corrente”, acrescenta.

Relativamente aos próximos trimestres, o Fórum para a Competitividade indica que os dados mais recentes “não transmitam informação coincidente”, mas antevê que “o terceiro trimestre está a perder ritmo”, considerando que tal é “quase inevitável face ao crescimento muito forte do segundo trimestre”.

“A queda do investimento no segundo trimestre é um pouco surpreendente pelo facto de estarmos no final do PRR [Plano de Recuperação e Resiliência], embora aquela quebra se concentre nas ‘Outras Máquinas’, o que sugere que aquele programa não está a ser capaz de impulsionar o crescimento da economia”, refere.

Neste sentido, diz “também não ser de esperar um grande dinamismo do investimento nos próximos trimestres”.

Já em relação às exportações, os dados do segundo trimestre “foram muito favoráveis”, mas a associação aponta a “elevada volatilidade” que esta variável tem demonstrado exibido como argumento “para arrefecer algum otimismo para o resto do ano”.

Quanto à conjuntura internacional, sustenta que “o otimismo sobre o segundo semestre parece ter-se dissipado, com o recrudescer das hostilidades no Médio Oriente, que parecem colocar de lado a hipótese de um fim rápido para o conflito”.

“Ainda assim, os preços da energia têm-se mantido longe dos máximos registados entre março e maio, embora as cotações dos produtos refinados tenham exibido dificuldade de diminuir”, nota, antecipando que, no atual contexto, o Banco Central Europeu (BCE) “deverá subir as suas taxas já em setembro”.

O Fórum para a Competitividade é uma associação privada sem fins lucrativos, fundada em fevereiro de 1994, que atua como um centro de reflexão (‘think tank’) dedicado ao estudo da economia em Portugal.