Frank Sinatra: "a Voz" calou-se há 25 anos

Era uma das grandes figuras do século XX. O cantor tinha 82 anos.

Frank Sinatra, o cantor que fez bater muitos corações mais depressa, viu o seu parar de bater a 14 de maio de 1998, há exatamente um quarto de século. A notícia abateu o mundo. Frank Sinatra tinha 82 anos e um percurso monstruoso atrás que fez dele um dos grandes cantores americanos e do mundo no século passado. 
 
Filho de imigrantes italianos da Sicília, Sinatra nasceu em 1915 em Nova Jérsia, mesmo em frente à luminosa Nova Iorque que tanto perfumou de glamour.
 
Como filho único, foi logo muito mimado e caprichoso, mesmo que testemunhando no seu bairro de classe operária o contrabando de álcool durante a era da Proihibition.
 
Frank Sinatra abandonaria cedo a escola. Depois de uma série de empregos, começou a cantar em big bands e em orquestras aos 24 anos. E em 1942, durante a II Guerra Mundial, começa a aparecer em filmes de Hollywwod, enquanto brilhava já na rádio. 

 

É nesses anos 40 que nasce a Sinatramania. Frank Sinatra torna-se a primeira estrela pop mundial a enfrentar a histeria de fãs adolescentes, com grande parte do seu público constituído por mulheres. Essa função de cantor que entretém e aconchega a população feminina manteve-o fora da II Guerra Mundial.
 
Frank Sinatra era já o sedutor de fatos clássicos mas ao mesmo tempo um rebelde com charme de gangster.

 

Depois de uma crise na sua carreira, a música de Frank Sinatra ganha maior vitalidade com o trabalho com o arranjador e maestro Nelson Riddle, responsável por alguns dos melhores álbuns do cantor.
 
A primeira colaboração entre os dois coincide com o início da ligação de Sinatra com a editora Capitol, no álbum de 1954 "Songs for Young Lovers".
 
Esta parceria com Riddle refina o melhor de Frank Sinatra, como um cantor elegante, cheio de glamour e uma enorme voz... Cada vez mais A Voz, The Voice!
 
Frank Sinatra conseguia ser ao mesmo tempo um durão e um cantor ternurento, dando um cunho autobiográfico a letras que não eram suas.
 

 

Frank Sinatra era no início dos anos 50 o cantor mais popular do mundo. Mas em 1956, o grande rebelde do swing iria ter um grande desafio com o aparecimento do rock & roll e do fenómeno de Elvis Presley que Sinatra começou por odiar e criticar. O rock viria para ficar, Frank Sinatra deixava de ser a única estrela mundial.

Mas se não os podes combater, junta-te a eles. Foi o que Frank Sinatra fez a 12 de maio de 1960, para um magistral dueto na TV com Elvis Presley, em que cada um canta a música do outro, revezando-se.

Os gritos das miúdas já eram só para Elvis, mas Frank Sinatra, já com mais anos de experiência, foi um mestre do entretenimento nesse dueto.

 

Apesar da Elvismania, 1956 foi um ano feliz para Frank Sinatra, que lançou um dos seus melhores álbuns, "Songs for Swingin' Lovers!", sempre com os arranjos de Nelson Riddle. O disco conta com uma nova gravação do tema de Cole Porter, 'I've Got You Under My Skin'. 

 

Parte do impacto universal de Frank Sinatra deveu-se ao seu trabalho como actor de Hollywood. E foi através dos filmes em que foi participando que provocou o fenómeno inédito da Sinatramania.

À medida que a sua popularidade foi crescendo, os papéis subiram de importância. O seu desempenho da personagem Angelo Maggio no filme de 1953, "Até à Eternidade", valeu-lhe um Óscar de Melhor Actor Secundário. 

 

Mas a sua vida de actor vai-se misturar com a sua vida íntima, coleccionando romances com estrelas de Hollywwod. O cantor envolve-se com a atriz Ava Gardner, numa das primeiras relações extraconjugais assumidas por figuras públicas. Os dois foram amantes, mais tarde marido e mulher, e a seguir divorciados. A relação com outra diva do cinema, Lauren Bacall, duraria bem menos tempo. 

Nos anos 60, Frank Sinatra, já com 50 anos, casou-se com Mia Farrow, 30 anos mais nova que ele... Mas o amor afinal escolhe idade e o casamento é igualmente efémero.

Se a vida romântica de Frank Sinatra é cheia de altos e baixos, a carreira musical é repleta de altos, como é o caso do álbum de 1958, "Come Fly with Me". O disco foi um autêntico sucesso de vendas, com cinco semanas seguidas na liderança do top norte-americano de álbuns.

"Come Fly with Me" é um álbum conceitual, assente na temática das viagens. E uma das paragens, ou melhor, uma das faixas, é o clássico 'Brazil', ou 'Aquarela do Brasil', composta por Ary Barroso. 


Por muito que os tempos mudassem, Sinatra nunca largou o clássico smoking, que fez sempre parte do seu charme. Cantava com o microfone numa mão, e o copo de whiskey na outra. No estúdio, quando a voz falhava, havia sempre um cigarro acesso para que o take seguinte fosse infalível.
 
Frank Sinatra foi sempre um senhor do intimismo, conseguindo cantar directamente para a alma de cada espectador, fosse num grande recinto, fosse num daqueles hóteis de casino onde gostava de atuar, como em Las Vegas, para longas residências.

 

Sinatra gostava de jogar golf e da vida luxuosa, mas também era conhecido pelas gorjetas chorudas que dava, com o grande molhe de notas que tinha sempre à mão.
 
Mas por trás do lado mais quente e visível de conquistador de corações, Frank Sinatra tinha um lado mais sombrio e frio: o cantor tinha amigos no mundo do crime da máfia. Como amigo e próximo de JF Kennedy, Sinatra foi usado como um instrumento para uma maior influência dos padrinhos italo-americanos.
 
Mas em 1963, Frank Sinatra é vítima desse mundo do crime, quando o seu filho Frank Sinatra Jr é alvo de um rapto que dura uns longuíssimos três dias, sem paradeiro, em troca de uma quantia milionária pela sua libertação. Os três raptores seriam presos.
 
Mas apesar destas incidências e da Beatlemania, os anos 60 foram mais uma década emblemática da longa carreira de Frank Sinatra. É nestes anos 60 que o cantor norte-americano grava dois dos seus temas mais importantes: 'Strangers in the Night' e, claro, o incontornável 'My Way'.

 

Foi já com 76 anos de idade que Frank Sinatra actuou pela única vez em Portugal, com um concerto no Estádio das Antas, no Porto, em 1992. O velhinho Frank Sinatra fez digressões até bastante tarde, até ao corpo ceder, poucos anos antes da sua morte aos 82 anos, em 1998.