Giulia Be ao Camarim: "almejo fazer filmes" em Hollywood

Cantora e atriz brasileira expressa o seu sonho de cantar com a fadista Carminho.

Está disponível desde esta quarta-feira o novo episódio do podcast Camarim com a entrevista à cantora e atriz brasileira Giulia Be, conduzida por Marta Campos, da Rádio Comercial.

É uma entrevista com algumas revelações curiosas. Giulia Be manifestou o sonho de um dia colaborar com a fadista Carminho. Mas, primeiro, começou por falar do disco trilingue que está a preparar, de título homónimo, que sucede ao álbum de estreia “Disco Voador”: “Esse meu projeto tem vinte e uma músicas. É uma coleção de histórias que eu guardei para uma vida inteira. Tem músicas até que eu escrevi antes de Menina Solta, acredite se quiser. Estou muito feliz de ver essa trajetória. Eu sinto que tem inclusive uma música chamada ‘Adulta’ também, porque agora sou adulta, que é uma coisa difícil de aceitar, mas que chega a todos nós”. 

A cantora mostra os dotes de poliglota nas línguas portuguesa, inglesa e castelhana neste novo disco. “Quando começámos, os lançamentos eram músicas mais animadas, mais viradas para a rádio, para a superfície. E à medida que a gente vai conhecendo mais de cada uma dessas personagens, as músicas vão ficando mais densas e acompanhando e entrando na vulnerabilidade de tudo aquilo que eu estava passando em cada momento. Por exemplo, a Giulia em português está vivendo o que é sair de casa, o que é pela primeira vez ter que crescer. Já a Giulia americana vai casar, está apaixonada por um gringo, está maravilhosa. E a Giulia espanhola está ali no meio, só fazendo drama e vivendo uma fase muito boa da vida que é poder lançar música nesses três idiomas: é algo que eu sonho há muito tempo e nunca tive oportunidade. É por isso que tem músicas que foram escritas há nove anos, porque tem muita coisa que está guardada há muito tempo, e eu precisava dessa catarse musical”.

Giulia Be repesca as memórias do clássico feminista de Cyndi Lauper, ‘Girls Just Want to Have Fun’, através de um olhar atual em ‘Girls Just Wanna’. O compositor não é um músico qualquer. É nada mais nada menos que Justin Parker, o homem por trás de canções de Rihanna, Azealia Banks, ou Lykke Li, além, imagine-se, de Lana Del Rey. “É um momento que me arrepia, de tipo, ‘meu Deus’: eu tenho uma música chamada Girls Just Wanna nesse projeto que eu escrevi com o Justin Parker, que foi quem fez todas as primeiras músicas da Lana [Del Rey]. Foi ele que fez Video Games ou National Anthem. O Video Games formou-me enquanto ser humano. Com doze anos, fui ao HSBC Arena [em Buffalo, nos Estados Unidos] assistir ao show dessa mulher. Peguei flores do meu jardim para fazer uma coroa de flores. Eu era muito fã. Poder estar na mesma sala, escrevendo uma música com a pessoa que fez parte desse processo criativo, é uma honra gigantesca. Claro que mantenho os meus pés no chão, mas ao mesmo tempo com as asas prontas para voar”.

Giulia Be é também reconhecida como atriz. “Apaixonei-me por esse ofício, por isso sempre tive muito respeito pela profissão de ator. Era um passo que eu queria dar com muito cuidado mas apareceram o ‘Depois do Universo’, a [personagem] Nina e essa história linda que eu tive o prazer de contar. Estou agora com outro filme com o Diego [Freitas], que é o mesmo realizador de Depois do Universo inclusive, que sai em agosto. Vai ser muito lindo também. Outra história muito profunda e poderosa para a qual também escrevi uma música. Mas eu agora também estou com um agente lá em Los Angeles. Já fiz testes para alguns filmes e séries lá fora e é algo que eu almejo também, além do álbum trilingue”.

Em modo de brinde final, Giulia Be partilhou um spoiler do seu próximo álbum connosco, no Camarim. Partilhar significa, no seu caso, cantar. Segundos antes, disse-nos isto: “É muito difícil de fazer quando você consegue incluir detalhes numa música, para a tornar universal. Porque ao mesmo tempo que ela é específica, ela fala de coisas que talvez muitas pessoas já tenham sentido”. 

Giulia Be

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