González Urrutia agradece Sakharov, mas avisa que "falta" algo: "Fazer cumprir a vontade popular"

Parlamento Europeu reconheceu Edmundo González Urrutia como presidente legítimo da Venezuela na sequência das eleições de julho.

O opositor venezuelano Edmundo González Urrutia agradeceu esta terça-feira a distinção com o Prémio Sakharov 2024, a par da também venezuelana Maria Corina Machado, mas alertou que apesar do reconhecimento ainda falta "fazer cumprir a vontade popular expressa nas urnas a 28 de julho", dia em que venceu as presidenciais no país.

"Falta algo mais", disse na conferência de imprensa ao lado presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, imediatamente antes da cerimónia de entrega do prémio.

"Fomos reconhecidos por vários países, pelo próprio Parlamento Europeu e vários países da América Latina, mas sentimos que ainda há espaço para continuar a lutar até que possamos fazer cumprir a vontade popular expressa nas urnas a 28 de julho, quando uma imensa maioria apoiou a candidatura de Edmundo González", explicou o próprio, defendendo também que "se tivesse sido possível votar fora do país, os números seriam ainda mais altos".

Edmundo González está asilado em Espanha desde setembro, após ter fugido da Venezuela na sequência da emissão de mandados de captura e María Corina não esteve presente na cerimónia por se encontrar escondida das autoridades venezuelanas, sendo representada pela sua filha, Ana Corina.

Em 19 de setembro, o Parlamento Europeu reconheceu Edmundo González Urrutia como o presidente legítimo e democraticamente eleito do país, nas eleições presidenciais de julho passado, e María Corina Machado como a líder das forças democráticas.

O regime de Nicolás Maduro anunciou a sua reeleição para um terceiro mandato, enquanto a oposição reclamou vitória, com base em mais de 80% das atas eleitorais que tornou públicas.

Milhares de pessoas manifestaram-se contra o anúncio das autoridades venezuelanas, que foram reprimidas com violência, com mais de 2.400 pessoas detidas e mais de duas dezenas de mortos.

A maioria da comunidade internacional não reconheceu Maduro como Presidente eleito.

Na cerimónia em Estrasburgo estão também presentes os outros dois finalistas do prémio Sakharov para a Liberdade do Pensamento: duas organizações de mulheres, uma israelita e outra palestiniana (Women Wage Peace e Women of the Sun, respetivamente), e o ativista anticorrupção e académico do Azerbaijão Gubad Ibadoghlu, detido há mais de um ano no seu país, e que será representado na cerimónia pela sua filha.

O prémio, no valor pecuniário de 50 mil euros, é atribuído anualmente pelo Parlamento Europeu e é a mais importante distinção na área dos direitos humanos da União Europeia.