Governo confessa "perplexidade" com avanço do PS para comissão parlamentar de inquérito
Ministro Leitão Amaro diz não compreender porque é que os socialistas não colocaram perguntas por escrito.
O ministro da Presidência manifestou esta segunda-feira perplexidade, em nome do Governo, por o PS ter optado por avançar para uma comissão parlamentar de inquérito, em vez de colocar perguntas por escrito e aguardar pelas respostas, como outros partidos.
António Leitão Amaro informou ainda que as respostas do primeiro-ministro, Luís Montenegro, às perguntas colocadas por escrito por BE e Chega “já foram ou estarão a ser entregues” no parlamento, “muito antes do prazo regimental” de 30 dias.
O ministro falava na conferência de imprensa após o Conselho de Ministros, que poderá ser o último do XXIV Governo Constitucional em plenitude de funções, uma vez que na terça-feira é votada pelo parlamento moção de confiança ao Governo, que tem ‘chumbo’ anunciado.
Questionado sobre a iniciativa do PS de avançar para uma comissão parlamentar de inquérito obrigatória quanto ao cumprimento das obrigações declarativas por parte do primeiro-ministro quanto à empresa familiar Spinumviva, e manifestou perplexidade.
“As perguntas são legítimas, o primeiro-ministro responde ao parlamento e às perguntas que o parlamento colocar. Temos esta perplexidade: porque é que o PS não as colocou por escrito, aguardou pelas respostas, porque optou por usar este instrumento quando vários outros podiam ser utilizados”, criticou.
"Só há eleições se o PS assim quiser”
Leitão Amaro insistiu também na responsabilização de PS e Chega por uma eventual demissão do Governo devido ao chumbo da moção de confiança, e recusou responder a “comparações descabeladas” do primeiro-ministro a Donald Trump.
“Quando amanhã o Parlamento se reunir, não há nenhuma moção de confiança chumbada, não há nenhum Governo demitido, há um Governo em plenitude de funções. Ao final do dia, só há Governo demitido, só há eleições se o PS assim quiser”, afirmou, responsabilizando quer os socialistas, quer o Chega pelo cenário previsível de crise política.
O ministro foi ainda questionado sobre críticas de dirigentes socialistas ao primeiro-ministro, que têm acusado Luís Montenegro de optar por uma saída trumpista da situação, ao preferir ir a votos do que dar mais explicações numa Comissão Parlamentar de Inquérito.
“Não responderei a referências disparatadas, descabeladas e desprovidas de total senso que ficarão com quem as profere”, afirmou, dizendo que o Conselho de Ministros não é o local adequado para responder a afirmações “que evolveriam líderes de países estrangeiros”.
