Greve fecha portas de algumas escolas enquanto outras têm aulas normalmente

A greve dos trabalhadores da função pública está a sentir-se de forma irregular nas escolas, com estabelecimentos de portas encerradas, outros a funcionar normalmente .

A greve dos trabalhadores da função pública está a sentir-se de forma irregular nas escolas, com estabelecimentos de portas encerradas, outros a funcionar normalmente e ainda alguns com aulas condicionadas por falta de funcionários nos blocos.

Este foi o cenário encontrado pela Lusa durante uma ronda feita hoje de manhã por escolas de Lisboa e com base em declarações de encarregados de educação que relataram diferentes efeitos da paralisação dos trabalhadores das carreiras gerais da função pública.

No bairro de Alvalade, às 8:30 os alunos da Escola Secundária Padre António Vieira já estavam nas salas de aula a ter aulas normalmente, mas uma funcionária disse à Lusa que a situação poderia mudar durante a tarde, uma vez que começaria um novo turno de funcionários.

Mesmo ao lado, o cenário era o oposto. Na Escola Básica São João de Brito só havia professores, que não estão abrangidos por esta greve. Antes das 09:00, ainda não havia assistentes técnicos suficientes para abrir a escola e uma docente disse a Lusa que provavelmente nunca iriam chegar em número suficiente.

Não muito longe, na Preparatória Eugénio dos Santos, os alunos tiveram um dia de aulas normal. Enquanto atravessava os portões da escola, uma das crianças desabafou, desanimado, que ali "nunca se faz greve".

No bairro de Benfica, o impacto da paralisação também se fez sentir de forma diferente nas escolas: A José Gomes Ferreira abriu as portas, mas alguns blocos estiveram sem funcionar por falta de funcionários, enquanto a Delfim Santos esteve toda a manhã encerrada, disse à Lusa uma representante da associação de pais.

Também os alunos da Escola EB 2,3 de Telheiras não tiveram aulas de manhã por causa da greve convocada pela CGTP, que abrange mais de 350 mil técnicos superiores, assistentes técnicos e assistentes operacionais da administração pública.

O ministro da Educação também esteve hoje de manhã numa escola. Na Escola Secundária D. Pedro V, Fernando Alexandre assistiu a uma aula da ministra da Justiça sobre integridade e anticorrupção e, à saída, escusou-se a prestar declarações os jornalistas.

A greve de hoje abrange os trabalhadores que "mantêm os serviços públicos a funcionar", que "todos os dias dão a cara", disse Joaquim Ribeiro, da Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS).

A paralisação acontece uma semana antes da entrega da proposta do Governo para o Orçamento do Estado para 2027 e é apenas a primeira de várias agendadas para este mês: As escolas poderão voltar a fechar portas já na próxima semana por causa da greve convocada pela Federação Nacional dos Professores (Fenprof) contra o sobretrabalho e as horas extraordinárias.