Greve geral pela habitação em Espanha marcada para 11 de novembro

A paralisação vai acontecer na véspera do arranque da campanha eleitoral das legislativas antecipadas em Espanha.

A greve geral pela habitação em Espanha será no dia 11 de novembro, véspera do arranque da campanha eleitoral das legislativas nacionais antecipadas, anunciaram hoje os sindicatos.

Esta vai ser a primeira greve geral em Espanha convocada pelas duas grandes centrais sindicais do país em 14 anos e responde a um apelo das associações reunidas na Confederação de Sindicatos de Inquilinas, que defendem o direito à habitação e têm mobilizado milhares de pessoas em protestos diários nas ruas desde 23 de setembro.

"Vamos juntar-nos ao dia 11, tal como todos estes coletivos têm vindo a definir, com a convocatória de uma greve geral", disse o secretário-geral da central sindical UGT, Pepe Álvarez.

A data "foi fechada" com a outra grande central sindical espanhola, a CCOO ("Comisiones Obreras"), e será uma paralisação de 24 horas, acrescentou.

Pepe Álvarez afirmou que a greve geral responde ao apelo das associações Sindicatos de Inquilinas e visa "reivindicar salários dignos para aceder a uma casa digna".

As associações empresariais criticaram o anúncio, lançando dúvidas sobre a legalidade - por considerarem que não se centra numa questão laboral - e questionando a oportunidade, quando acabam de ser convocadas eleições.

A greve tem um "claro componente político e eleitoral" e parece ter mais como alvo a oposição do que o Governo em funções, do socialista Pedro Sánchez, disse o presidente da Confederação Espanhola de Organizações Empresariais, Antonio Garamendi.

Também os maiores partidos da oposição, o Partido Popular (PP, direita) e o Vox (extrema-direita), criticaram esta greve, realçando que ocorre em véspera de eleições e é a primeira convocada pelas centrais sindicais em 14 anos e desde que Sánchez chegou ao Governo, em 2018.

"É uma decisão eminentemente política com a intenção de favorecer a ação política de Pedro Sánchez", defendeu hoje o porta-voz do PP, Borja Sémper.

O PP realça que "os sindicatos acordaram" após oito anos de governos liderados por Sánchez, cujo "grande fracasso" é a habitação, com os preços das casas e os arrendamentos a dispararem nos últimos anos. 

Já o primeiro-ministro e líder do Partido socialista Espanhola, Pedro Sánchez, afirmou na terça-feira que "Vai haver uma greve geral sobre uma questão", o acesso à habitação, que considera "afetar muitos trabalhadores e trabalhadoras e respetivas famílias" e, "portanto, a única coisa que o Governo pode fazer é respeitar esse direito constitucional".

A última greve geral em Espanha convocada por UGT e CCOO foi em 2012.