Grupo Banco Mundial emite garantias de 53,7 ME à Mota-Engil no Corredor do Lobito

A Mota-Engil é a responsável pela operação, gestão, manutenção e modernização a longo prazo de cerca de 1.300 quilómetros de infraestrutura ferroviária que atravessa Angola.

O Grupo Banco Mundial emitiu garantias de 62,6 milhões de dólares (53,7 milhões de euros) à Mota-Engil para sustentar investimentos no Corredor do Lobito, infraestrutura ferroviária que liga Angola e República Democrática do Congo, anunciou hoje a instituição financeira.

"A Agência Multilateral de Garantia de Investimentos (MIGA) emitiu garantias no valor de 62,6 milhões de dólares à empresa portuguesa de construção Mota-Engil, para cobrir os seus investimentos de capital na Lobito Atlantic Railway, que opera o Corredor do Lobito ao abrigo de uma concessão de 30 anos com o Governo de Angola", lê-se no comunicado enviado à Lusa.

A Mota-Engil é a responsável pela operação, gestão, manutenção e modernização a longo prazo de cerca de 1.300 quilómetros de infraestrutura ferroviária que atravessa Angola, desde o Porto do Lobito, na costa atlântica, até Luau, na fronteira com a República Democrática do Congo (RDCongo).

A concessão inclui também a operação de um terminal de minerais no porto angolano.

De acordo com a MIGA, entidade responsável pela emissão de garantias financeiras a projetos apoiados pelo Grupo Banco Mundial, o projeto do Corredor do Lobito deverá empregar diretamente "mais de 1.600 trabalhadores no pico das operações, dos quais 97% serão cidadãos angolanos", sendo que existem agora quase mil trabalhadores empregados, incluindo 529 transferidos de operadores ferroviários e portuários estatais, contribuindo para o desenvolvimento de competências locais ao longo do corredor.

O Corredor do Lobito constitui uma das rotas mais competitivas entre a região da exploração de minerais, conhecida como Copperbelt, na RDCongo, rica em cobre e cobalto, e os mercados internacionais, oferecendo tempos de trânsito significativamente inferiores aos das atuais alternativas rodoviárias, salienta-se no comunicado.

O cobre e o cobalto, nota a instituição, são matérias-primas essenciais para as tecnologias de energia limpa, incluindo baterias para veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia.

"A parceria com a MIGA reforça as condições necessárias para viabilizar um investimento desta dimensão e reflete a confiança internacional no projeto e na capacidade de execução dos seus parceiros, disse o vice-presidente e CEO do grupo Mota-Engil, Manuel Mota, citado no comunicado.

A participação da Mota-Engil no Corredor do Lobito "representa a continuação de um compromisso de 80 anos com Angola e a convicção de que os projetos estratégicos devem ser construídos sobre parcerias sólidas, uma visão de longo prazo e a criação de valor sustentável para o país e para a região em geral", acrescentou o empresário português.

O seguro de risco fornecido pela MIGA cobrirá os investimentos de capital da Mota-Engil na Lobito Atlantic Railway contra os riscos de expropriação, conflito e perturbação civil, e incumprimento contratual.