Grupo Vita identifica 64 vítimas de abusos sexuais na Igreja. 16 casos reportados à PJ e MP
Relatório do grupo VITA foi apresentado esta terça-feira.
O Grupo Vita identificou, desde maio, 64 vítimas de abusos sexuais na Igreja, sendo a maioria (56,4% dos casos) do sexo masculino, com as idades a variarem entre os 19 e os 74 anos.
No relatório, apresentado esta tarde, é referido ainda que o VITA reportou ao Ministério Público (MP) e à Polícia Judiciária (PJ) 16 casos de violência sexual no contexto da Igreja Católica durante os primeiros seis meses de atividade.
O relatório do grupo, coordenado pela psicóloga Rute Agulhas, indica ainda que foram recebidas 278 chamadas telefónicas entre 22 maio e 30 novembro, englobando não só casos de violência sexual na Igreja, mas também outras formas de violência e ocorrências não relacionadas com a missão do Grupo Vita. As estatísticas indicam que 25% das chamadas recebidas ocorreram ainda em maio, na primeira semana de funcionamento desta estrutura.
Na grande maioria (84,6%) destes casos não foi apresentada uma denúncia às estruturas eclesiásticas ou às autoridades judiciárias.
Até ao momento houve já 18 vítimas encaminhadas para apoio psicológico, duas para apoio psiquiátrico, quatro para apoio social, uma para apoio jurídico e quatro para apoio financeiro.
O Grupo Vita pode ser contactado através da linha de atendimento telefónico (91 509 0000) ou do formulário para sinalizações, já disponível no 'site' www.grupovita.pt.
Criado em abril, no âmbito da Conferência Episcopal Portuguesa, assume-se como uma estrutura isenta, autónoma e independente e visa acolher, escutar, acompanhar e prevenir as situações de violência sexual de crianças e adultos vulneráveis no contexto da Igreja Católica.
O Grupo Vita surgiu na sequência do trabalho da Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crianças na Igreja Católica, liderada pelo pedopsiquiatra Pedro Strecht, que ao longo de quase um ano validou 512 testemunhos de casos ocorridos entre 1950 e 2022, apontando, por extrapolação, para um número mínimo de 4.815 vítimas.
