Gui Aly quase no NOS Alive: "os artistas devem ter consciência para sensibilizar o mundo"
Entrevista ao artista português que atua no Palco WTF Clubbing a 9 de julho, primeiro dia do festival.
Gui Aly é um dos artistas portugueses presentes no cartaz da 18ª edição do NOS Alive – festival que este ano acontece nos dias 9, 10 e 11 de julho no Passeio Marítimo de Algés.
O músico, que em 2020 venceu o concurso EDP Live Bands, regressa ao festival depois de ter atuado no Palco Heineken em 2022 – ano em que também editou o álbum de estreia, ao qual deu o nome de "White Walls".
Este ano, Gui Aly atua no Palco WTF Clubbing, no dia 9 de julho. O início do concerto está marcado para as 20h15. No cartaz do primeiro dia do festival estão nomes como Nick Cave & The Bad Seeds, Twenty One Pilots, A Perfect Circle, The Royston Club, Matt Berninger, Tomora, Dogstar, Alabama Shakes, entre outros.
Gui Aly (Guilherme Aly) editou recentemente o EP "This Is What Love Feels Like" - um trabalho discográfico produzido por Filipe Survival que reúne cinco canções da sua autoria e que chega como um "abraço reconfortante" para atenuar, pelo menos, o caos no mundo.
O EP é por isso descrito na nota de imprensa como "uma viagem pelas várias fases do amor e um porto seguro no meio do caos". Conta o artista português que "do início ao fim, o EP conta uma história contínua, explorando cenários distintos que qualquer um reconhece. É um porto seguro, daqueles que ficam. Para quem nele atracar, promete ser o abraço reconfortante que às vezes só a música sabe dar."
Atualmente, Gui Aly prepara o lançamento do próximo trabalho de estúdio, que foi antecipado com a partilha dos singles 'Ruin You', 'Greyness', 'Are You Better', 'November' ou 'Back Again'.
Quero saber como começou a tua ligação com a música. Tenho um feeling que começou cedo…
A minha ligação com a música começou cedo, sim. Aliás, essa ligação sempre existiu. Mas a parte de cantar acabou por acontecer mais tarde. Ouvíamos muita música em casa quando eu era pequeno. A minha mãe estava constantemente a ouvir as canções do Lionel Richie, que é um artista que admiro muito. Mas só mais tarde, por volta dos 17 ou 18 anos, é que, de facto, comecei a interessar-me por seguir uma carreira musical.
É cedo, de certa forma…
A verdade é que não foi assim há tanto tempo. (risos.) Mas digo isto porque os meus exemplos musicais já sabiam tocar instrumentos quando eram crianças, e eu só comecei aos 17 anos. Posso dizer que, dessa perspetiva, e tendo em conta que lancei o meu primeiro single aos 19, sinto que foi tardio. No entanto, a partir dessa altura, aconteceu tudo de forma muito rápida. Ainda assim, antes disso, já era um apaixonado por música. Não fazia nada sem estar a ouvir música: ouvia quando estudava, quando viajava de carro e quando ia para a escola de transportes públicos.
E quando eras criança, sentias necessidade de cantar?
Sim. A minha mãe dizia que eu cantava muito quando era criança. Lembro-me, por exemplo, de escrever que queria ser cantor nas fichas que preenchíamos no início do ano letivo para nos darmos a conhecer aos professores. Só que, a certa altura, acabava por riscar essa resposta e escrevia que queria ser astronauta ou futebolista, como faziam os outros miúdos. Mas esse sonho esteve sempre presente. A diferença é que, quando era mais novo, não sabia que tinha essa capacidade.
Foste descobrindo…
Fui descobrindo. Exatamente.
Acho que quem te ouve sente que nasceste com essa capacidade…
Quem me dera ter começado a tocar desde sempre, mas isso aconteceu só aos 17 anos. Ainda houve uma tentativa, quando era um pouco mais jovem, de aprender a tocar guitarra. Sempre fui autodidata mas, a dada altura, optei por ingressar numa escola. O que aconteceu foi que acabei por não gostar muito dos métodos que eram utilizados. Sentia que não me estavam a ajudar e desisti. Só mais tarde, cerca de cinco anos depois, é que peguei na guitarra e comecei a tocar sozinho.
Falaste da influência da música que a tua mãe ouvia, lembras-te de outras influências dessa época?
Nessa altura, estudava enquanto via concertos do Ed Sheeran. E digo "estudar" entre aspas porque acabava por ficar vidrado a olhar para a televisão. Achava fascinante ver aquilo que uma pessoa consegue fazer só com uma guitarra e perante milhares de pessoas. As memórias que tenho mais presentes são quando ouvia Lionel Richie em casa e estudava a ouvir Ed Sheeran.
Tens aprofundado o conhecimento sobre guitarristas exemplares, como é o caso do Jimi Hendrix, só para dar um exemplo?
Sim, totalmente.
Gostas de estudá-los?
Gosto, gosto. Adoro estudar. É engraçado. As minhas influências estão concentradas na zona da Grã-Bretanha e da Irlanda. É onde vou buscar grande parte da minha inspiração. Falo de artistas como Dermot Kennedy, Damien Rice, Ben Howard ou Ed Sheeran. Sinto que todos estes artistas têm uma sensibilidade muito grande para a escrita. Talvez isso seja fruto do ambiente que os rodeia. São lugares onde não há muito sol.
Já estiveste nesses lugares?
Já estive, sim. Passo muito tempo em Londres [Inglaterra]. É um sítio ao qual já estou acostumado. Se chover em Londres, está tudo bem porque estou habituado, mas se chover em Lisboa, já não gosto. (risos)
Costumas andar de um lado para o outro?
Ultimamente nem tanto, porque a música tem ocupado algum espaço na minha agenda. Mas sempre que posso, vou a Londres.
Conhecer novos lugares e novas pessoas também serve como inspiração, presumo…
Sim. Quando estou por lá acabo sempre por escrever uma ou duas canções.
Qual é o ambiente perfeito para criares uma canção?
Eu, sozinho, num quarto. Chega. É tudo o que preciso. Só preciso da minha guitarra e de um piano. Funciona sempre. Estou constantemente a brincar com a minha guitarra. Raramente componho uma canção com a intenção de compor. Acontece por acidente. Estou a tocar guitarra, os acordes acabam por interessar-me e começo a cantar por cima. Começo "a mandar iogurtes", como se costuma dizer. É a expressão que utilizamos quando começamos a dizer palavras soltas. E, a partir daí, construo uma canção. Mas só no final é que vou ver o significado. Nessas alturas, penso: "algo aconteceu aqui".
Estás com a tua guitarra e, de repente, saem as palavras…
Saem palavras e vou gravando. Quando vejo que há uma progressão de acordes que me interessa, começo a gravar e vou cantando. Faço uma gravação de cinco minutos e o que sai é a canção. Perco pouco tempo com as canções. Costuma ser coisa para durar cerca de uma hora. Mais tarde, acabo por aperfeiçoá-las. Acontece-me muitas vezes estar a tentar dormir e não conseguir porque estou com uma melodia ou com uma letra na cabeça. Quando isso acontece, tenho de pegar no telemóvel e cantar baixinho para não acordar o pessoal lá em casa.
Tudo serve como inspiração para compor ou há temáticas que te interessam mais?
Inspira-me tudo o que os meus olhos veem.
A nível social também?
Tudo o que é social também. A minha música é a música do mundo. É feita com a inspiração de tudo o que acontece à minha volta. A música não existiria se não saísse de casa, se não ouvisse as pessoas, se não visse o que as pessoas fazem. Se não sentisse, não criaria música.
Deves ter muito material…
Sempre. É um poço infinito.
Já vamos falar do EP que editaste recentemente, mas antes quero saber como é que te sentiste quando editaste as tuas primeiras canções…
Senti-me muito, muito feliz. Eu olho para as minhas canções como quadros. São telas com pincéis que dou às pessoas que as ouvem. E depois as pessoas pintam o que quiserem. Cada um de nós vê e ouve a canção de uma forma muito própria. Eu gosto muito disso. Gosto de ouvir lados e perspetivas totalmente diferentes sobre as canções. As minhas canções passam a ser das pessoas. É muito bom poder partilhá-las.
Antes de irmos às histórias das canções, quero saber o que te levou a escolher o título "This Is What Love Feels Like". É um título luminoso...
Sim, é um título luminoso. E é verdadeiro.
Conta-me…
Este EP tem uma história muito engraçada. Surgiu essencialmente da necessidade de o lançar. Não estava pensado. Quando o editei, tinha lançado cinco singles e um álbum feito. O novo álbum é, aliás, muito melancólico. É um disco à Gui Aly, como costumam dizer, mas decidi não avançar [com esse trabalho] nesta altura. Senti que não era a altura certa. É bom entender os momentos. Olhei para o mundo e vi que não estava a precisar de mais melancolia. Então, quis fazer este EP. Falei com a minha equipa e disse: "Vamos construir um EP com um olhar mais positivo para o mundo. Vamos lançar isto." E foi assim que o EP surgiu. E este EP é exatamente isso. É uma história sobre as várias fases do amor e as suas diferentes formas, mas com ênfase na parte positiva. É um olhar sobre os pontos positivos do amor porque é de amor que precisamos agora. Precisamos de muito amor.
Tiraste os pontos negativos do amor, pontos esses que não deixam de existir, mas...
E fazem parte da história.
Fazem parte, mas optas por sublinhar o que é positivo para também enviar uma mensagem ao mundo…
Ao mundo. É isso mesmo.
Queres partilhar connosco as histórias das cinco canções?
Posso partilhar, sim. Este EP conta uma história do início ao fim. Não é por mero acaso que a canção de abertura é a 'Somebody Like You'. É uma canção escrita por mim que fala sobre o momento em que encontramos a pessoa que pensávamos nunca encontrar na vida. Falo daquela pessoa de quem gostamos verdadeiramente. A música começa só com o piano, o que é costume, mas rapidamente entra uma roupagem instrumental muito mais acelerada e muito mais viva. Acaba por ser interessante. A ideia é provocar um efeito surpresa. É o que quero transmitir na abertura do EP. Quando as pessoas carregarem no play [para escutar o meu EP], vão entrar no meu mundo. Pode ser que também se apaixonem à primeira vista.
O piano simboliza a parte em que não estavas à espera e depois és surpreendido?
Exatamente. E depois entra a roupagem instrumental. São coisas que fazemos inconscientemente. A 'Somebody Like You' foi escrita por mim e produzida pelo Filipe Survival. O nosso instinto foi fazer desta forma, mas só quando olhámos para o tema finalizado é que fez sentido. Percebemos que estava tudo conectado. O nosso subconsciente acaba por fazer estas ligações. E é assim que a música se constrói. Logo a seguir, temos a ‘How Did I Just Get Here’, que reflete sobre a ideia de "será que mereço o que me está a acontecer?". É sobre a sensação de estar a ser tão bom que nem parece verdade. É o seguimento da 'Somebody Like You'.
E depois vem a 'No Matter Where I Go', que é sobre a fase em que já estamos confortáveis com as pessoas. É quando percebemos que a palavra "saudade" pode não significar tristeza. A "saudade" pode significar apenas que aquela pessoa é muito importante para nós. Importa-nos ao ponto de nos provocar esse tipo de sentimentos. A palavra "saudade" é muito portuguesa. Todos nós sabemos o que significa. Neste caso olho para a "saudade" de uma forma positiva. Não é tristeza, é só vontade de voltar a ver a pessoa que guardamos no coração. A seguir, passamos para a 'Without You', que fala sobre o medo de perder alguém ou de não ter essa pessoa connosco. Ao mesmo tempo, também serve para relembrar que o medo só existe porque o amor está lá. O EP termina com o tema ‘Why’, que, embora não seja tão uplifting, versa sobre a ideia de, independentemente da pessoa e da situação em que essa pessoa esteja, se gostarmos verdadeiramente dela, vamos conseguir tirá-la de qualquer situação má.
Acho importante aflorares o medo porque muitas vezes boicota a beleza da relação e da ligação…
É verdade. Temos de conseguir superar o medo. É difícil, mas é possível.
Isso também se aplica, de certa forma, a tudo o que estamos a viver no mundo. Na descrição do EP, lemos que, lá está, “é uma viagem pelas várias fases do amor, um porto seguro no meio do caos”…
Exatamente.
O caos é exatamente o quê?
O caos é o mundo. É exatamente isto. Puro e duro. É o mundo. Qualquer pessoa que tenha coração sabe que o mundo não está nas melhores condições, não é? E esta canção, embora não seja de todo uma canção política, é uma canção para o ser humano. É para que cada pessoa possa dar o melhor de si e contribuir com amor para o mundo. Se assim for, vai resultar, vai dar certo. É este o objetivo.
A Nina Simone dizia que era muito importante que os artistas refletissem os tempos que vivem. Não precisa necessariamente de ser um manifesto…
É só ter consciência.
É ter consciência e transmitir uma mensagem tal como fazes com este EP. Achas que é cada vez mais importante que os artistas usem a voz e que não a deixem adormecer?
Eu diria que sim. São pessoas que têm muita influência. Eu ainda não estou nessa posição. Não tenho uma influência assim tão grande mas sei que há pessoas que olham para mim e que me veem como um exemplo. E eu quero ser um exemplo para essas pessoas. É quase como se fôssemos pais. Há pessoas que mostram mais respeito por artistas do que pelos próprios pais, embora eu ache que essas pessoas devessem dar ouvidos aos pais. Mas sim. Já que temos esta voz e conseguimos chegar a tanta gente, devemos fazê-lo da melhor forma. Não digo que os artistas tenham de ser ativistas a toda a hora mas acho que devem ter consciência para sensibilizar o mundo. Quando dizemos que queremos paz é porque queremos paz. É só isto. E queremos chegar a essa paz de uma forma justa. Creio que é isso que interessa. Atualmente quando entramos por estes campos começamos logo a ver que existe muita discordância. Há sempre um apontar de dedo seja de um lado ou do outro. Mas com este EP apenas quero dizer que quero amor no mundo. Quero o amor. E, para muita gente, o amor acaba por ser algo positivo. Se isto resultar, estou a espalhar amor. E é isso que quero fazer.
Pulando agora para o lado mais negativo do mundo, ou seja, aprofundando a coisa. O que é que mais te inquieta?
O que me mais inquieta é saber que há homens, mulheres, crianças e até animais de estimação que não conseguem ter uma noite descansada porque estão ameaçados pela fome, por armas ou pela discriminação. É isso que me inquieta. E o meu objetivo é chegar a um ponto em que estas situações deixem de ser faladas simplesmente porque deixaram de existir. E não por estarmos a omiti-las. Há sociedades em que conseguimos caminhar para a frente, que têm mais coisas boas do que más. O ideal seria que houvesse este tipo de equilíbrio no resto do mundo. É esse o objetivo também. Fico inquieto e preocupado quando vejo as notícias e vejo que estas situações ainda acontecem. Há muita gente que anda com os olhos tapados.
E em relação à inteligência artificial (IA), achas que pode ser uma ferramenta útil para os artistas ou uma ameaça à arte?
Acaba por ser como certas coisas que surgiram no passado e nas quais tivemos de pôr um travão a determinada altura. Por exemplo, a inteligência artificial pode ajudar na criação da arte. Pode ser uma ferramenta para auxiliar. Como sabemos, é tudo muito caro. E, perante este cenário, como é que um artista que esteja a começar vai arranjar dinheiro para um coro, por exemplo? Não vai conseguir. Mas talvez consiga ir a um programa de IA e pedir um coro baseado na voz que tem. Claro que depois terá de passar algum tempo a produzir a canção. As coisas não saem perfeitas. Mas foi uma ajuda. Quando começaram a criar os teclados midi, que conseguiam replicar sons, as pessoas também os encaravam como uma ameaça. E agora é um instrumento completamente normal. Acho que a inteligência artificial vai passar pela fase em que temos de compreender o que é ou não aceitável. O problema é quando a IA é usada para enganar as pessoas. Quando lançam canções somente criadas pela inteligência artificial sem dizer ou dar a opção às pessoas de omitirem esse tipo de conteúdos. Isso está errado e acaba por ser uma ameaça.
Já que falaste em produção, quero saber como é que foi o processo de produção deste disco.
Foi muito bom.
Imagino. Há uma grande química criativa entre vocês, certo?
Sim, sim. O Filipe Survival é um produtor que puxa muito por mim. Tira os chamados "coelhos da cartola" de quem eu sou enquanto artista. Puxa por coisas que nem eu sabia que conseguia fazer. O Filipe não só é um grande produtor como é uma grande pessoa. E isso ajuda. Estamos sempre muito ligados em estúdio e as sessões correm sempre bem. Às vezes, até parece que a sessão foi curta. Sentimos que precisávamos de mais tempo porque é o ambiente no estúdio é muito positivo. Para mim foi muito bom porque aprendi. O Filipe tem muitos anos de música e eu nem por isso. Nem 10 anos de música tenho. Ele já tem muita bagagem. É muito bom aprender com este tipo de pessoas que rodaram todos os géneros musicais. É extraordinário.
Sabem ir buscar o ouro que tens aí dentro e que ainda não exploraste…
É verdade. É isso mesmo. E, para mim, isso é incrível. Saio do estúdio sempre com mais uma peça para completar o puzzle que sou enquanto artista. Saio sempre do estúdio com uma peça a mais, o que é bom.
A verdade é que esse ouro foi elogiado por vários artistas de renome, como é o caso de Noah Kahan ou de Alec Benjamin. E também fizeste a primeira parte dos concertos do Miles Kane em Portugal…
Já! E pessoas que eu adoro.
E também atuaste em vários palcos conceituados…
Sim. Já tive a sorte de estar em palcos muito importantes.
Como é que te sentes em relação a esse tipo de reconhecimento?
Não podia haver melhor gasolina para mim. Não sei se este tipo artistas tem noção da importância de uma mensagem. É uma motivação extraordinária receber uma mensagem a dizer que a minha voz e a minha música são muito boas. Lembro-me, por exemplo, que quando o Noah Kahan me enviou a mensagem fiz três canções nessa noite. E fiz as três canções por estar com o espírito tão positivo. Ter o reconhecimento de artistas grandes e conceituados significa tudo. Significa que, se calhar, estou a fazer alguma coisa boa e que desistir não é uma opção.
Achas que terias mais oportunidades se estivesses a viver em Inglaterra ou nos Estados Unidos?
Não sei se teria mais oportunidades. Sei que aqui sou um artista português que canta em inglês e que estou num mercado em que a música inglesa cantada por portugueses é mais difícil de furar. Por outro lado, nos Estados Unidos, qualquer pessoa que esteja a servir às mesas pode ser um grande cantor e saber escrever canções.
Mas se calhar não recebeu elogios do Noah Kahan…
Se calhar não recebeu, se calhar recebeu. Não sei. Genuinamente, não sei responder a essa pergunta. Onde estou agora e o que estou a fazer neste momento é a melhor coisa que poderia estar a fazer. Pior seria se estivesse parado.
Estares aqui agora faz sentido para ti…
Faz sentido, sim. Até porque gosto muito do carinho do povo português. É muito bom.
Estás em casa, estás bem. Não há nada como estar em casa. Há pouco, falaste do teu novo álbum. Não sei se queres falar agora sobre esse trabalho ou se marcamos a conversa para outra altura…
Marcamos para outra altura, mas posso dizer que está feito e que vai sair no momento certo. Só preciso de ter noção do momento que estamos a viver porque quero que os meus projetos saiam nos timings certos. São projetos que vêm do coração e que depois entregamos às pessoas.
Agora quero, claro, falar na tua atuação no NOS Alive. Já está quase…
Sim. O regresso a casa.
O que é que estás a preparar para o concerto?
Estou a preparar um concerto muito mais dinâmico quando comparado com o espetáculo que dei no Alive em 2022. Será um concerto com uma banda maior, com mais elementos. Será um Gui Aly com muito mais bagagem e com canções ainda mais maduras. Possivelmente terei muito menos vergonha em cima do palco. Quando atuei no NOS Alive pela primeira vez estava nervoso. Estava nervoso mas soube bem. No fundo, sinto nervosismo e ansiedade simplesmente pela vontade de lá estar. Quando subo ao palco fica tudo bem. A paz entra. Antes de começar a fazer música nem conseguia fazer apresentações orais na escola em frente a 30 alunos. Não conseguia. Fazia-me muita confusão, causava-me muita ansiedade. Mas quem corre por gosto não cansa. Foram barreiras que tive de ultrapassar simplesmente porque amo música. E isto serve de mensagem para qualquer pessoa que queira seguir o seu sonho e acha que há barreiras. É possível ultrapassá-las, tanto que agora só estou bem em palco. Se não estiver em palco, não estou bem. Esta é a lição. Quando estou num palco grande, como é o caso do NOS Alive, acontece algo que raramente acontece comigo que é abrir os olhos enquanto canto. Geralmente, canto com os olhos fechados, muito no meu mundo. Mas ali fico tão feliz e tão pasmado de ver aquela gente toda à minha frente que tenho que abrir os olhos. Tenho mesmo de desfrutar do momento.
E o que me dizes sobre o cartaz deste ano?
Adoro! E adoro o meu dia também. É o dia em que toca o Nick Cave e os The Royston Club que são uma banda incrível do País de Gales.
Não sei se queres acrescentar alguma coisa que eu não tenha perguntado…
Só quero agradecer pela oportunidade. Eu gosto muito de vir a este espaço e de ter tempo para conversar. Gosto muito de conversar, apesar de ter mais jeito para cantar do que para falar. Mas gosto muito de conversar sobre a música que faço. Quer dizer que as pessoas se interessam e eu gosto muito de falar sobre a arte que eu faço.
Então, temos entrevista combinada para quando lançares o novo álbum…
Vamos descobrir. Os momentos vão estar todos certos.
