Guterres apela ao Hezbollah e a Israel para pararem a guerra
O secretário-geral da ONU falou esta sexta-feira em Beirute.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, exortou hoje Israel e o movimento pró-iraniano Hezbollah a “pararem a guerra” no Líbano, onde o exército israelita está a intensificar os ataques.
“Apelo veementemente a ambas as partes, Hezbollah e Israel, a [concluírem] um cessar-fogo para pararem a guerra”, declarou Guterres durante uma visita a Beirute.
“Não é o momento para grupos armados, é o momento para Estados fortes”, afirmou Guterres, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).
O Líbano é um dos países mais afetados pela guerra em curso no Médio Oriente, para a qual foi arrastado pelo movimento xiita libanês Hezbollah quando lançou mísseis contra Israel em 02 de março.
O grupo apoiado pelo Irão justificou o ataque com o objetivo de vingar o ex-guia supremo iraniano Ali Khamenei, morto no primeiro ataque de Israel e dos Estados Unidos contra Teerão, em 28 de fevereiro.
A intervenção do Hezbollah desencadeou represálias israelitas, com bombardeamentos contra Beirute e o sul do Líbano que causaram 687 mortos e mais de 800 mil deslocados desde 02 de março, de acordo com o Ministério da Saúde libanês.
“Espero sinceramente que, na minha próxima visita (...), possa ver um Líbano em paz”, disse Guterres, antes de um encontro com o Presidente libanês, Joseph Aoun.
“Que possa visitar um Líbano onde o Estado detenha o monopólio da força e onde a integridade territorial esteja plenamente restabelecida e seja respeitada”, acrescentou.
Pouco depois de ter aterrado em Beirute, Guterres assinalara que os libaneses estavam “a sofrer enormemente” por o Líbano ter sido “arrastado para uma guerra que o povo nunca quis”.
Enquanto Guterres fazia o apelo à cessação das hostilidades, o ministro da Defesa israelita, Israel Katz, ameaçava fazer o Líbano pagar um preço elevado em infraestruturas devido aos ataques do Hezbollah.
Katz disse, numa mensagem de vídeo, que as forças israelitas destruíram durante a noite “uma ponte (...) sobre o rio Litani, que servia de passagem para os terroristas do Hezbollah e para a transferência de armas” para o sul do Líbano.
“O Governo e o Estado libanês pagarão um preço crescente em danos causados às infraestruturas nacionais libanesas utilizadas pelos terroristas do Hezbollah”, afirmou Katz, referindo que o ataque de contra a ponte era “apenas o início”.
O exército israelita já tinha matado vários dirigentes do Hezbollah em 2024, incluindo o secretário-geral, Hassan Nasrallah, por o grupo xiita ter atacado o norte de Israel durante a guerra contra o movimento islamita palestiniano Hamas na Faixa de Gaza.
A guerra em curso no Médio Oriente foi desencadeada pela ofensiva que os Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro contra o Irão, que respondeu com ataques aos países vizinhos.
