Há 80% de probabilidade de um dos anos entre 2025 e 2029 ser o mais quente registado

Documento da Organização Meteorológica Mundial alerta para a aceleração do aquecimento global e fixa uma probabilidade de 86% de que um dos próximos anos seja 1,5 ºC mais quente do que a média pré-industrial.

As temperaturas da Terra devem continuar a atingir valores recorde até final da década e a Organização Meteorológica Mundial alerta que há 70% de probabilidade de o aquecimento médio entre 2025-2029 ser superior a 1,5 °C.

Um relatório do organismo da ONU divulgado hoje indica que as temperaturas altas vão aumentar os riscos climáticos e os impactos nas sociedades, economias e desenvolvimento sustentável.

O relatório prevê que a média anual da temperatura global próxima da superfície para cada ano entre 2025 e 2029 deverá ser “entre 1,2 °C e 1,9 °C (graus Celsius)”, superior à média registada entre 1850 e 1900.

Um aumento da temperatura de 1,5 °C em relação à época pré-industrial era a meta estabelecida pelo Acordo de Paris sobre o clima que os países deviam esforçar-se por não ultrapassar.

Aprovado em 2015, o Acordo de Paris estabelece que os países devem cortar as emissões de gases com efeito de estufa de maneira a que as temperaturas globais não aumentem além de 2 °C, e de preferência não aumentem mais do que 1,5 °C.

No relatório, a OMM diz haver uma possibilidade de 80% de que pelo menos um ano, entre 2025 e 2029, seja mais quente do que o ano mais quente de que há registo. O ano mais quente já registado foi em 2024. E existe uma probabilidade de 86% de que pelo menos um ano seja mais de 1,5 °C acima do nível pré-industrial.

A OMM explica no relatório que há 70% de hipóteses de que o aquecimento médio dos cinco anos entre 2025 e 2029 seja superior a 1,5 °C. No anterior relatório essa percentagem era de 47% e no relatório de há dois anos (para 2023-2027) era de 32%.

Pequenas mudanças, grandes consequências

A organização recorda que cada grau de aquecimento adicional leva a ondas de calor mais nocivas, fenómenos extremos de precipitação, secas intensas, derretimento das camadas de gelo, aquecimento dos oceanos e subida do nível do mar.

No documento destaca-se também como previsível que o aquecimento do Ártico nos próximos cinco anos, de novembro a março, seja mais de três vezes e meia superior à média global.

Quanto à precipitação, zonas como o Sahel, norte da Europa, Alasca e norte da Sibéria devem tornar-se mais húmidas e a Amazónia mais seca (no período de maio a setembro de 2005-2029).

A comunidade científica tem alertado para o risco de um aquecimento superior a 1,5 °C desencadear impactos muito mais graves das alterações climáticas e condições meteorológicas extremas, e frisa que cada fração de grau de aquecimento é importante.

A conferência das Nações Unidas sobre alterações climáticas deste ano, a chamada COP30, no Brasil, irá analisar os planos de ação climática atualizados de cada país, conhecidos como Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC, na sigla original), que são cruciais para alcançar os objetivos do Acordo de Paris.