Há famílias que "têm mais do que um trabalho" e o dinheiro não chega
Alerta de Isabel Jonet neste Dia Mundial para a Erradicação da Pobreza.
Está a mudar o perfil de quem pede ajuda perante a escalada dos preços dos bens essenciais, como comida, habitação ou energia. São famílias que trabalham mas que os salários não chegam para pagar todas as despesas e vêem-se arrastadas para a pobreza, num orçamento cada vez mais curto.
"Temos agora estas famílias, muitas vezes têm mais do que um trabalho até, porque só um salário não chega. São famílias com crianças e que o peso da habitação chega a representar mais de 65%, por vezes até 70% do rendimento do agregado familiar em conjunto. E, portanto, sobra sempre pouco dinheiro, o dinheiro nunca chega e procuram apoios junto dos bancos alimentares da sua região ou junto das instituições que estão mais perto de sua casa", alerta Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar Contra a Fome.
Além do forte peso da habitação, há "outros bens de consumo imediato, de produtos básicos como a alimentação, a água quente, que têm também aumentado."
Neste Dia Mundial para a Erradicação da Pobreza, assinalado este sábado, Isabel Jonet destaca ainda o aumento da pobreza das crianças e até dos jovens que não "conseguem encontrar um emprego que gere o rendimento suficiente."
Por isso, apela a uma efetiva estratégia nacional de combate a pobreza, com dados concretos: "é absolutamente fundamental que haja um conhecimento do terreno que advém do conhecimento que pode ser produzido pelas instituições de solidariedade social. E, portanto, quem está no terreno conhece cada situação e cada situação é diferente de outra. As famílias são muito distintas e apesar dos apoios terem que ser bastante universais, este é um caso em que se requer uma estratégia que consiga gerar frutos a mais médio, longo prazo, com medidas que sejam mais assistencialistas no curto prazo para dar alívio às famílias."
Quase dois milhões em situação de pobreza em Portugal
O relatorio da Rede Europeia Anti-Pobreza revela que quase dois milhões de pessoas viviam em situação de pobreza em Portugal em 2025, sendo que cerca de metade dos adultos pobres tinha emprego.
