"Há uma ideia de fazer da guerra o motor da economia" da UE

O eurodeputado comunista João Oliveira lamenta as opções para o próximo orçamento europeu.

O eurodeputado João Oliveira considera que o próximo orçamento da União Europeia (2028-2034) está a ser orientado para a guerra e não para as necessidades da população.

"Os objetivos da militarização da União Europeia (UE) assumem uma fatia de leão do orçamento (...). Há uma ideia de fazer da guerra o motor da economia e de fazer da produção de armas uma espécie de substituição da produção industrial que nós fomos perdendo ao longo de décadas", lamenta o comunista em entrevista à nossa redação em Estrasburgo.

Em contrapartida, adianta, "há necessidades na habitação, o apoio aos setores produtivos, na resposta à melhoria das condições de acesso, por exemplo, à saúde ou à educação (...) que são completamente secundarizadas, porque aquilo a que se está a dar primazia é à militarização da União Europeia."

João Oliveira considera ainda que "se este orçamento plurianual para 2028/2034 for por diante", Portugal será "profundamente prejudicado" de várias formas: "não apenas por fundos que deixamos de ter ao nosso dispor, mas também por passarmos a ter menos fundos para aquilo que precisávamos, nomeadamente para as questões da coesão, para os setores produtivos, para o desenvolvimento e a coesão regional e territorial e social (...). Além disso, Portugal pode "vir a ter que contribuir mais para o orçamento da União Europeia".

Quanto à guerra na Ucrânia, o eurodeputado comunista não vê do lado da UE "nenhuma abordagem, do ponto de vista político, do ponto de vista diplomático, a soluções para a paz. Há apenas a ideia de continuar a guerra, porque por via da guerra há de encontrar-se uma solução que se resolva o problema."