Maior sindicato da PSP critica Governo por "instrumentalizar ação policial"

A ASPP lamenta a "intromissão política" e acusa o executivo a "expor os operacionais no terreno a situações extremas".

A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) criticou hoje a postura do Governo de "instrumentalizar a ação policial" nos protestos pela habitação e "expor os operacionais no terreno a situações extremas", lamentando a "intromissão política".

"A ASPP/PSP lamenta profundamente a postura recente do Governo --- em particular do primeiro-ministro e do ministro da Administração Interna. Ao instrumentalizarem a ação policial, continuam a expor os operacionais no terreno a situações extremas, arriscando a imagem e a reputação construídas pelos polícias com rigor e proximidade ao longo de anos", refere o maior sindicato da PSP num comunicado sobre as intervenções policiais nas acampadas de Lisboa e Porto.

A ASPP/PSP considera também que "a atuação forçada nos recentes episódios revela limitações à liberdade de ação da polícia, além de uma precipitação e intromissão política inaceitáveis, que comprometem a instituição e os seus profissionais".

"Os constantes ziguezagues do MAI, a leviandade perante decisões judiciais e a aplicação cega de regras transferem indevidamente o ónus da crise da habitação para os polícias, com graves consequências reputacionais e operacionais", salienta o sindicato, que diz ter até agora optado pelo silêncio "para não alimentar o espetáculo mediático".

Sustentando que não pretende "revisitar o célebre episódio dos secos e molhados de 1989", em que polícias fardados carregaram contra polícias que se manifestavam por melhor condições de trabalho, a ASPP precisa: "mantemos a crítica frontal ao Governo e a defesa intransigente dos profissionais da PSP, nas suas várias dimensões".

"Sobre as restrições impostas e a forma como alguns setores interpretam o direito de manifestação --- atuando em aparente alinhamento com o poder governativo ---, a ASPP/PSP alerta para o seguinte: enquanto estrutura representativa de profissionais (sindicato), o que hoje condiciona uns, amanhã limitará os direitos de todos, incluindo os dos polícias", refere ainda o sindicato.

Os protestos pelo direito à habitação começaram a 10 de outubro na Praça D. João I, no Porto, e em Lisboa a 17 de outubro na Praça do Rossio, tendo a PSP dispersado em diversas ocasiões as acampadas com cargas policiais que levaram à detenção de dezenas de pessoas e provocaram dezenas de feridos entre manifestantes e polícias.