Milhares prometem na Praça D. João I no Porto "Resistir, resistir"

Milhares de pessoas em protesto pela habitação chegaram esta tarde à Praça D. João I, no Porto, ao som do grito "resistir" e com uma tenda à cabeça do desfile.

Milhares de pessoas em protesto pela habitação chegaram esta tarde de sábado à Praça D. João I, no Porto, ao som do grito "resistir" e com uma tenda à cabeça do desfile.

A marcha saiu da Praça da Batalha às 16:50, cerca de 20 minutos depois da hora marcada, com uma tenda à cabeça do desfile.

"Casa para viver" é a frase inscrita no pano verde. O destino era a Praça D. João I, onde os manifestantes chegaram cerca de 50 minutos depois.

Na Rua de Santa Catarina, mais ou menos a meio do percurso, e a pouco metros de cruzar para a Rua Fernandes Tomás, olhando para o fundo do "cordão" de pessoas, não se deslumbrava fim, passeio, nem calçada portuguesa. Só cabeças, bandeiras e milhares de cartazes.

"Oh Neves, pedagogia pedagogia é a habitação ser um direito em democracia" era um deles, um recado para o ministro da Administração Interna.

"Teto, chão, direito à habitação" foi.uma das frases mais ouvidas, assim como o convite "sai do passeio e vem para o nosso meio".

À passagem pelo emblemático mercado do Bolhão, Aurora Rodrigues, 76 anos, que estava às compras, fez a vontade aos manifestantes.

"Porque é justo. Estes jovens têm toda a razão", disse à Lusa.

Lurdes Vieira, cravo vermelho ao peito, 67 anos, natural do Porto, mas a viver em Gaia, promete: "Tenho três filhos e cinco netos, por eles nunca vou desistir".

E Carlos Dobreira levou de Braga para o Porto um cartaz com a sugestão: "Recuperem as casas florestais e escolas devolutas para habitação pública e assessivel".

A marcha chegou à praça onde há mais de 20 dias teve início a primeira Acampada do país a gritar em coro: "Resistir", "A Praça é nossa e ha-de ser" e "O povo unido jamais será vencido".