Harry Styles: alegria pura em Algés
O carismático britânico à nossa casa tornou (e nós à dele). Noite feliz e brilhante no Passeio Marítimo de Algés.
Harry Styles regressou esta terça-feira a Portugal para a segunda gloriosa volta da duradoura, colorida e saltitante digressão "Love On Tour" que, a 31 de julho de 2022, arrebatou os milhares que estiveram aos pés do artista inglês na Altice Arena, em Lisboa, na estreia a solo no nosso país.
A extensa digressão começou em setembro de 2021, nos Estados Unidos, e vai terminar daqui a poucos dias, a 22 de julho, em Itália. Faz-se agora a soma, depois de mais de uma centena de espetáculos - que, a confiar nos relatos, têm sido irrepreensivelmente catárticos. E até Harry Styles parece estar a fazer o balanço da experiência. O resultado é um número incontável de fãs felizes e um artista feliz. Sim, é uma catarse feliz e comunitária e é, sobretudo, a celebração da liberdade de ser - uma liberdade preciosa que é celebrada a cores, com dança e canções ora mais solarengas e ora mais introspetivas. Liberdade celebrada com um rasto de plumas, magia e purpurinas.
Beer whale time! ?? #LoveOnTourLisbon pic.twitter.com/fmpZhCcLZK
— trish. ?? (@trisholiveira) July 18, 2023
A pura (e muito evidente) alegria andou à solta no recinto de Algés e insuflou cerca de 60 mil pessoas de todas as idades. Vimos filhos e pais. Grupos de amigos. As duas ou três ou quatro melhores amigas. Namorados, namoradas. Uma série de grupos de afetos que ali estavam reunidos para sentir a experiência que é oferecida com amor, devoção, gratidão e proximidade - mesmo em espaços amplos como aquele. É uma alegria indescritível que se sente na atmosfera e que, além de minimizar as arrelias da vida lá fora, rodopia, a grande velocidade, nos corações, nos braços e nas pernas até se transformar na mais doce e radiante memória.
Harry Styles espalha essa alegria sem esforço. Fá-lo quando canta, quando conversa ou graceja com o público e, claro, quando solta o corpo para dançar como quer: livre e icónico. E hoje essa alegria foi sentida a céu aberto, "debaixo" de uma das grandes estrelas da pop contemporânea: o estelar e incansável Harry. É o homem que para literalmente o trânsito - como aconteceu esta noite nas redondezas do recinto - e que, mesmo no final de uma digressão longa, sabe como se renovar para voltar a ficar "no ponto" e chegar ao palco inteiro para que nada falhe nas expectativas dos fãs.
Ao longo de cerca de hora e meia de concerto, o êxtase do público manifestou-se com gritos, aplausos e, claro, com a cantoria coletiva que não falhou nenhum tema. Harry Styles entrou no palco por volta das 21h00, quando o sol estava a descer, devagar, em Algés. Pontualidade britânica. O alinhamento do concerto passou pelos três álbuns que o músico deu ao mundo, com incidência natural nos mais recentes, "Harry's House" e "Fine Line" - discos que, com esta digressão, já são de alta rodagem. E ainda houve um par de surpresas.
O bom mantra 'All You Need Is Love', dos históricos Beatles, e o colossal 'Bohemian Rhapsody', dos também históricos Queen, saiu das colunas para alinhar as vozes de quem ansiava por ver um sinal de Styles. E não tardou que o carismático artista inglês chegasse para pôr logo a voz e o talento ao serviço de 'Daydreaming', que foi buscar a "Harry's House".
"Lisbon!", disse aos milhares que tinha à frente. "Boa noite", acrescentou e desta vez em português. Harry Styles chegou ao palco vestido com um fato que, em matéria de cores, andava entre o dourado e o preateado. Brilhantes verde esmeralda, amarelos e vermelhos percorriam o colete e as calças que estavam a condizer. 'Golden' (nada é por acaso) foi a segunda do alinhamento.
"Quero ver toda a gente a saltar", gritou, seguindo depois para a energética 'Adore You', multiplicando os muitos beijinhos que foi distribuindo pelos que estavam na linha da frente do recinto. Beijinhos e muita gratidão. Harry Styles também multiplicou a palavra "obrigado", manifestando gestos de gratidão sempre que podia. Punha a mão ao peito, repetia vénias e demorava-se a olhar para os milhares que tinha à frente. "Obrigado pela forma como nos acolheram e obrigado por escolherem passar a vossa noite connosco", disse, a dada altura, seguindo em frente para oferecer 'Keep Driving'.
"É o penúltimo concerto da digressão. Queremos que seja um espetáculo especial", confidenciou o músico que entretanto chamou reforços para o que vinha a seguir. Foi nessa altura que as simpáticas Rhian Teasdale e Hester Chambers, das Wet Leg, subiram ao palco para tocar 'Wet Dream', um original das britânicas que estão a assegurar a primeira parte dos concertos de Styles nesta fatia da digressão. "Uma das minhas bandas preferidas", disse Styles quando as chamou para o palco. As duas meninas ainda ficaram para o airoso 'Daylight'.
'She', que chegou com as boas reminiscências do blues, fez a transição do dia para a noite em Algés. O mar de gente estava agora mais sereno e assim permaneceu porque logo depois Harry Styles cantou a emocionalmente refinada 'Matilda'.
"Vamos começar a dançar um pouco", avisou, para depois dar corpo a 'Satellite', que voltou a acelerar o ritmo, e a 'Late Night Talking', que foi libertada pelo som cheio do saxofone. "Agora é sempre a subir!", disse.
Foi também por esta altura que Harry Styles pediu aos fãs para erguerem os cartazes que levaram debaixo dos braços para o concerto. Depois de dar os parabéns à Joana, uma aniversariante entre alguns aniversariantes que estavam por ali, o músico meteu o foco na história da Júlia. Debaixo do braço, a Júlia levou um cartaz que pedia ajuda para conseguir assumir, perante todos, que é homossexual. Harry ajudou-a e Júlia, que deixou cair algumas lágrimas com o cuidado de Harry, ajudou outros tantos também. É que, tal como a pura alegria, a liberdade também contagia. 'Cinema' e 'Music For a Sushi Restaurant' foram tocadas a seguir.
Transição direta para a afável 'Treat People With Kindness' e, logo depois, para a glória da pop dos One Direction, a primeira aventura musical de Styles. 'What Makes You Beautiful' tirou o fôlego a toda a gente e até ao músico inglês, que teve de recuperar a cadência da respiração para apresentar a banda de exímios músicos que o acompanha. 'Grapejuice' meteu toda a gente de braços a ondular no ar e o radiofónico e açucarado 'Watermelon Sugar' meteu Styles a rodopiar no palco.
Mais sereno, poucos minutos depois, o inglês já estava com a guitarra acústica nos braços para cantar 'Fine Line'. Foi também nesse momento que reduziu o amplo recinto a uma sala bem mais pequena, mais íntima, sendo que, na verdade, a sensação de proximidade existe do início ao fim do espetáculo, independentemente da amplitude do espaço. Se Harry desse um concerto na infinitude do Universo, talvez continuasse tão próximo dos fãs como esteve esta noite.
Fine Line, Harry Styles, live from Passeio Marítimo de Algés.#LoveOnTourLisbon
— HL Daily On Tour (@HLDTour) July 18, 2023
18.7.23
??: trisholiveirapic.twitter.com/zKvotYpNNH
Após o encore, Algés escutou a poderosa e introspetiva 'Sign Of The Times', a rockeira 'Medicine' e a frenética 'As It Was'.
Medicine, Harry Styles, live from Passeio Marítimo Algés.#LoveOnTourLisbon
— HL Daily On Tour (@HLDTour) July 18, 2023
18.7.23
??: trisholiveira pic.twitter.com/rnrTT2CEDE
"Divertiram-se esta noite?", perguntou. "Foi um prazer ter as Wet Leg nesta parte da digressão e peço um aplauso para a minha banda e para toda a equipa do backstage", disse na longa nota de agradecimento antes de sair do palco. "Quero agradecer à razão de estarmos todos aqui. São vocês. Agradeço a cada um de vocês. Foi a melhor digressão da minha vida. Ainda me falta um concerto mas quero agradecer-vos das profundezas do meu coração. Nunca fui tão feliz na minha vida. Obrigado pela forma como me receberam aqui em Portugal, em Lisboa. Vocês mudaram a minha vida", acrescentou, fazendo uma pausa, que parecia ter ficado suspensa no tempo, por estar francamente emocionado. O final foi ao som de 'Kiwi'.
