Homem com bandeira de Israel invade acampada no Rossio
Membros da organização e elementos da PSP que se encontravam junto à concentração retiraram depois o homem do meio da manifestação.
Um homem empunhando uma bandeira de Israel invadiu hoje a concentração que decorre esta noite na praça do Rossio, em Lisboa, em defesa da habitação e por melhores condições de vida, tendo sido retirado por polícias que estavam no local.
A concentração decorria desde o final da tarde na Praça D. Pedro IV de forma pacífica, juntando algumas centenas de pessoas que participaram numa assembleia popular, mas quando o homem surgiu junto das tendas que estão a ser montadas no local, pouco depois das 22:00, registaram-se momentos de alguma tensão.
Membros da organização e elementos da PSP que se encontravam junto à concentração retiraram depois o homem do meio dos manifestantes, que começaram a gritar frases como “pacíficos, pacíficos” ou “somos todos antifascistas”.
Cerca de meia hora antes deste incidente, 190 pessoas tinham votado a favor da proposta para voltar a pernoitar esta noite na praça do Rossio.
Perante esta decisão, a organização pediu aos manifestantes para ficarem numa roda para permitir a montagem das tendas.
Várias dezenas de elementos da PSP também se encontram hoje a noite na praça, mas até agora a única intervenção da polícia foi para retirar o homem que invadiu a concentração.
Hoje de manhã, o ministro da Administração Interna, Luís Neves, afirmou que a PSP vai atuar “por antecipação” nas manifestações pela habitação, salientando que nenhum membro do Governo fica satisfeito com qualquer ato de violência.
Perante a insistência dos jornalistas sobre como é que a PSP vai atuar nos próximos dias perante as concentrações em várias cidades do país em defesa de habitação para todos e a preços justos e dignos, Luís Neves insistiu que foi “muito claro” e que agir por antecipação é não deixar crescer.
O ministro esclareceu ainda que quando disse que “acabaram as acampadas” era no sentido de que a lei é para cumprir, insistindo que manifestar-se é um direito legítimo, constitucional e livre, mas tem de ser no cumprimento da lei.
Entre manifestações e as denominadas acampadas, com centenas ou milhares de manifestantes, os atuais protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa, mas já motivaram também concentrações noutras cidades, dias depois da aprovação parlamentar da nova lei do arrendamento, agora em discussão na especialidade.
As iniciativas, promovidas por movimentos cívicos e difundidas pelas redes sociais, reivindicam medidas que respondam à crise no setor, o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis e defendem impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário.
A 15 de outubro, o movimento que protestava no Porto, com uma acampada, denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave, e em um polícia. Em Lisboa, as autoridades removeram dezenas de tendas do Rossio ao início da manhã de terça-feira e detiveram 55 manifestantes, que serão presentes a juiz dia 27.
Os promotores dos protestos prometem continuar nas ruas.
