Ian Livingstone chega à Comic Con e traz a magia de Fighting Fantasy

Antes dos videojogos dominarem o mundo, havia livros onde o leitor escolhia o seu próprio destino. O criador de Fighting Fantasy, Ian Livingstone, está na Comic Con para celebrar o reencontro com os fãs.

O regresso da coleção Fighting Fantasy às livrarias portuguesas marca um momento especial para várias gerações de leitores e ganha ainda mais significado com a presença do seu criador, Ian Livingstone, na edição deste ano da Comic Con Portugal.

Autor, editor e uma das figuras mais influentes da história dos jogos e da literatura interativa, Livingstone mostra-se entusiasmado com o relançamento da série que marcou os anos 80 e 90 em Portugal. “Lembro-me de que, nos velhos tempos, Fighting Fantasy era muito popular em Portugal. Acho que foram publicados 39 livros e havia uma enorme base de fãs”, recorda. O desaparecimento da coleção das livrarias foi, admite, um momento triste, por isso vê este regresso como uma oportunidade única para reconquistar leitores antigos e conquistar novos. “Ver estes livros de volta, com uma nova edição fantástica, e uma nova geração a descobri-los, é maravilhoso.”

Criada por Livingstone e por Steve Jackson, a série Fighting Fantasy revolucionou a literatura juvenil ao transformar o leitor em protagonista da história. Em vez de acompanhar uma narrativa linear, cada livro funciona como um jogo, em que as decisões tomadas ao longo da leitura determinam o destino da aventura.

“Num livro normal, lemos sobre a aventura de outra pessoa. Num livro-jogo, você é o herói”, explica. “O texto é dividido em centenas de parágrafos e, no fim de cada um, tem de escolher o que fazer: abrir a porta, lutar contra o monstro, fugir, procurar tesouros. Há muitas maneiras de avançar, mas apenas uma leva ao final certo e falhar faz parte do jogo.”

Entre os títulos mais icónicos que regressam às livrarias estão The Warlock of Firetop Mountain e Deathtrap Dungeon, dois dos livros mais populares da coleção, agora disponíveis novamente para leitores portugueses.

Num tempo dominado por ecrãs, Livingstone acredita que os livros-jogo continuam a ter um lugar especial, precisamente por combinarem leitura e interatividade. “São parecidos com videojogos porque o leitor controla a ação, mas continuam a ser livros físicos. É algo analógico que ainda permite uma experiência interativa.”

Além disso, podem ser lidos de várias formas: sozinho, em grupo ou até em família. “Pode jogar sozinho, ler as escolhas para amigos ou os pais lerem para os filhos. Há dados, combate, decisões estratégicas… tudo isso torna a experiência muito emocionante.”

Ao longo dos anos, professores e educadores passaram a ver os livros-jogo como uma ferramenta eficaz para estimular a leitura, sobretudo entre jovens menos habituados a livros tradicionais.

“Os parágrafos são curtos, o que ajuda leitores com menos atenção. Melhoram a literacia, estimulam a curiosidade e desenvolvem pensamento estratégico”, afirma Livingstone. “O leitor tem de decidir se deve lutar com um monstro, avaliar probabilidades, resolver puzzles. E isso também desperta a criatividade, muitos acabam por querer escrever as próprias histórias ou desenhar.”

Para o autor, o segredo está em algo simples: “Por que razão aprender não pode ser divertido?”

Quem conhece Fighting Fantasy sabe que chegar ao final de uma aventura não é fácil. O próprio autor deixa uma sugestão para quem se aventura pela primeira vez ou para quem regressa. “A melhor dica é fazer um mapa da sua viagem. Tome notas dos monstros, dos tesouros, das portas que abriu. Se falhar, vai saber o que não deve fazer da próxima vez. E nunca desista a resistência é a coisa mais importante.”

A visita à Comic Con, em Santa Maria da Feira, será também um reencontro com leitores que cresceram com a coleção. A mensagem de Livingstone é clara: “Olá novamente, Portugal. Estou muito feliz e orgulhoso por voltarem a explorar estes mundos. Espero que se divirtam… e que não falhem muitas vezes.

O autor britânico Ian Livingstone foi confirmado como o novo convidado internacional do evento. Ian Livingstone, cavaleiro do Império Britânico, participará em painéis e conversas no dia 25 de abril.