Ilustrações, colagens e palavras: projeto CARE quer transformar a saúde reprodutiva em arte

Entre a partilha de experiências e a criação artística quer fazer a diferença na luta por um sistema de saúde mais justo e inclusivo.

Aborto, contraceção, violência obstétrica, menopausa e endometriose podem ser temas de conversa difíceis, mas o projeto CARE procura representá-los numa união entre a arte e a informação. O objetivo é criar um espaço onde se partilha experiências e transformar essas vivências em linguagem artística para promover a discussão e a conscientização sobre a saúde reprodutiva e os direitos associados. A consultora Inês Canhão esclarece que a tática não é nova: "A arte sempre foi um veículo de resistência e continua a sê-lo." 

O próximo evento acontece este sábado, dia 3 de outubro, na Escola de Arquitetura, Arte e Design da Universidade do Minho, em Guimarães, e terá a participação de cinco artistas que orientarão atividades específicas: Carla Cruz focar-se-á na menopausa, Cátia Ramos na endometriose, Marta Condes na contraceção, Ana Vitória Versos no aborto e Salomé Paiva na violência obstétrica. Cada artista trabalhará com um grupo de participantes, promovendo a criação de objetos artísticos que traduzam experiências pessoais. A participação pode ser feita tanto presencialmente como online, com as inscrições abertas até 28 de setembro.

Este não é o primeiro evento, nem será o último. Depois do encontro promovido em Lisboa em julho e Guimarães no começo de outubro, estão planeadas duas sessões em Novembro, uma nas Caldas da Rainha, outra no Porto.

Além da partilha de experiências, o projeto quer fazer a diferença na luta por um sistema de saúde mais justo e inclusivo. Através da arte e do diálogo, espera-se que se possam desmistificar tabus e estigmas, promovendo uma sociedade mais informada e empática. Inês Canhão enfatiza que a saúde reprodutiva das mulheres, especialmente das minorias, é uma questão crítica: "têm muito menos acesso a cuidados de saúde reprodutiva e mesmo quando têm há muitas histórias de violência e maus diagnósticos".

As estórias partilhadas durante as atividades vão ser integradas numa que será lançada em 2027, com o objetivo de condensar e divulgar as experiências partilhadas.