Infarmed aponta baixo impacto da rutura de medicamentos em 2024
Apenas 0,2% das situações de rutura foram consideradas de impacto elevado na saúde.
O Infarmed registou em 2024 mais de 2.500 apresentações de medicamentos em rutura, mas a grande maioria não teve qualquer impacto no doente. Apenas 3% das situações de rutura foram consideradas com impacto médio e 0,2% (19 apresentações) com impacto elevado na saúde.
Os dados são avançados no Relatório da Gestão da Disponibilidade de Medicamentos 2024 e mostram valores muito próximos dos registados em 2023.
No documento, divulgado esta sexta-feira, a Autoridade Nacional do Medicamento revela ainda que 50% das ruturas de fármacos em 2024 teviram uma duração inferior a dois meses, mas ainda houve casos (16%) com duração superior a seis meses.
O aumento da procura e os atrasos no fabrico estão entre os principais motivos das ruturas registadas no ano passado, sendo os antidiabéticos e o tamoxifeno (para o cancro da mama) alguns dos medicamentos com maior escassez no mercado.
O relatório dá conta também que 1545 farmácias notificaram o infarmed de faltas de medicamentos. O Ozempic, usado para o tratamento da diabetes, foi um dos medicamentos com mais faltas notificadas em 2024. Mas há outros fármacos no Top-20 como é o caso do Concerta (destinado ao tratamento do transtorno do défice de atenção e hiperatividade) e do Inderal para o controlo da hipertensão.
Perante situações de escassez de alguns fármacos, a Autoridade do Medicamento assegura que tem tomado várias medidas de mitigação, incluindo o controlo da exportação. Em 2024 foram proibidos 9 559 pedidos de exportação, mais do dobro das proibições registadas em 2022 (4 278).
Por concluir está a auditoria do Infarmed à disponibilidade dos medicamentos para a diabetes, mas o presidente Rui Santos Ivo espera ter resultados até ao início de março, sublinhando que se trata de um processo de "avaliação muito exigente que vai de ponta à ponta" de todo o circuito.
