Inside Out: começa no domingo o maior evento da Culturgest
Diretor Mark Depputer prevê um crescimento de espectadores, para um total de dez mil.
A terceira edição do festival Inside Out decorre entre este domingo (dia 25) e 9 de julho. Esperam-se vários espetáculos de dança e de teatro, exposições, conferências e um concerto de Marc Ribot, tudo isto de graça e nas redondezas da Culturgest, junto ao Campo Pequeno, em Lisboa.
Como vai acontecendo no festival Inside Out, a programação da Culturgest vai sair do seu próprio edífício em Lisboa, para os espaços ao ar livre das suas imediações. São esperadas dez mil pessoas ao todo. O Presidente do Conselho Diretivo da Culturgest, Mark Deputter, prevê portanto um crescimento, depois de no ano passado terem estado presentes oito mil.
Na programação eclética do Inside Out, a dança tem uma presença grande, que começa com a primeira ação ao ar livre do Bal Moderne, com Beatriz Pereira, Hugo Cabral Mendes, Joana Franco e Ves Liberta, que irão ensinar duas coreografias suas no Jardim da Biblioteca Palácio Galveias. Além de vários espetáculos de dança e de teatro, esperam-se também exposições, conferências e um concerto de Marc Ribot, tudo isto de graça e nas redondezas da Culturgest. O Lago do Jardim Caixa, o foyeur das galerias, uma garagem ou um parque de estacionamento são alguns dos locais das ações culturais do Inside Out.
O diretor Mark Deputter, em entrevista, enquadra-nos esta terceira edição: "o festival Inside Out foi concebido para mostrar a programação da Culturgest num momento mais festivo, no início do verão, quando as pessoas saem de casa. Por isso, tem uma programação ao ar livre e em espaços que não são convencionais dentro do edifício. O projeto propõe uma programação multidisciplinar, porque é a programação que a Culturgest apresenta ao longo do ano. O objetivo é mesmo esse: mostrar o que fazemos, que tipo de espetáculos, exposições e artistas apresentamos, mas num contexto mais relaxado, mais informal e para um público que, eventualmente, ainda não nos conheça".
O programador belga há muito radicado em Lisboa refere que “este festival está muito ligado à programação e missão da Culturgest, com uma proposta que se foca nas artes contemporâneas, que é multidisciplinar e que é internacional. Estas são as três características primordiais da nossa programação. O que é também específico neste festival é que é tudo de entrada gratuita. Todos os espetáculos, exposições, visitas ou conversas são de entrada gratuita. Às vezes é impossível reservar por causa das limitações das lotações, mas é sempre sem pagar”.
Apesar dos três pilares permanentes que estruturam o Inside Out, Mark Depputer precupa-se que o festival tenha sempre uma programação bastante diferente de edição para edição. Deputter já está, aliás, a planificar o Inside Out de 2024. “Temos um projeto para a próxima edição, que será um bocado diferente deste, porque o projeto central é um grande espetáculo, da Rimini Protokoll, uma companhia de teatro de Berlim. E nós somos co-produtores deste evento. Convidámos sete artistas internacionais para fazerem este espetáculo num espaço rural. Vai ser out do Inside Out, mas literalmente fora da cidade. Vamos fazer coisas à volta do edifício, mas um projeto importante em 2024 será esse: o de sair da cidade de Lisboa e que é um projeto que dura um dia inteiro. Sai-se ao início da tarde e só se volta para casa à noite”.
De forma mais rotineira e ao longo de cada ano, a Culturgest procura ser uma base de apoio à cultura em Portugal. Mark Deputter explica que "a programação da Culturgest tem sido metade nacional, metade internacional. Da parte nacional, trabalho com artistas portugueses ou com estrangeiros que vivem cá. É um trabalho muito de co-produção e de dinamização, de ajuda a projetos. No teatro, o nosso objetivo é ajudar os artistas portugueses a trabalharem num palco grande. Tem sido característica da criação portuguesa as pessoas se terem virado para formas pequenas. Com a crise e com a falta de dinheiro, os nossos artistas têm feito peças pequeninas, com dois, três ou quatro intérpretes, sem grande cenário. Como temos uma sala com um palco grande, tentamos ajudar as pessoas, desafiando os artistas para peças de maior dimensão. Isto é um exemplo do que fazemos nas artes visuais. O nosso curador de artes visuais, o Bruno Marchand, também procura artistas que estão algures a meio de uma carreira, para lhes propor uma grande exposição à volta do trabalho deles. Isso tem sido um momento muito importante nas carreiras dos artistas. Na música, é igual. Oferecemos um grande palco, para o passo para uma maior visibilidade e para o crescimento de mais público".
O ativista dos indígenas e ambientalista Ailton Krenak vai estar presente no Inside Out, para uma conversa sobre o adiamento do fim do mundo. A conferência decorre no Pequeno Auditório da Culturgest, a 4 de julho.
